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domingo, 23 de agosto de 2015

Cursos de Cultivo para fins Medicinais em Salvador e Aracaju

Work-shop realizado nos dias 23 e 24 de abril de 2015 em Balneário Camboriú
Promovido pela loja GreenPower e pelo Instituto da Cannabis
O que: Curso completo de cultivo para fins medicinais (incluindo apresentação com projetor)
Quando: Sábado - Dia 5/9 em Salvador e 19/9 em Aracaju
Duração: 5 horas - das 14 às 19hs
Público: Pacientes, Familiares de pacientes, membros de associações e instituições que representem ou trabalhem com pacientes, pesquisadores, profissionais de saúde, estudantes e demais interessados no tema.
Facilitador: Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal Introdução ao Cultivo

Desde que lançou o livro Cannabis Medicinal introdução ao cultivo, em dezembro de 2010, Sergio Vidal vem promovendo palestras, oficinas, workshops e cursos focados nos aspectos botânicos e terapêuticos da erva. Eventos do tipo já foram realizados em Florianópolis, Balneário Camboriú, Recife, João Pessoa, Fortaleza, Salvador, Aracaju, São Paulo, Belo Horizonte e Viçosa. Ao longo dos anos o conteúdo vem sendo atualizado e revisado. Como vimos acima, as próximas que estão agendas serão realizadas em Salvador (5/9) e Aracaju (19/9)

Inscrições: Para confirmar sua presença é preciso incluir o nome na lista, enviando email para sergiociso@yahoo.com.br É necessário fazer inscrição na lista mesmo os que forem efetuar o pagamento na hora.

Investimento: 
Antecipado (promocional): R$ 34,20 pagamento antecipado através do link (http://mpago.la/dUSS), podendo dividir no cartão ou a vista. Pagamentos antecipados concorrem num sorteio a um exemplar do livro Cannabis Medicinal Introdução ao cultivo.
No dia:R$ 40,00 pagamento a vista no dia do evento.

domingo, 7 de junho de 2015

Dúvida dos leitor@s #CultivoVital #Hermafroditismo

Mensagem enviada para a página Sergio Vidal no Facebook:

"Olá, bom dia. Pode me ajudar? Já é a segunda planta que tenho que aparecem pequenos tricomas mesmo com fotoperíodo 16h luz mais elas não crescem ai quando a planta atinge um certo tamanho e boto para florar eles começam depois de um tempo a criarem flores com polem dentro dos pequenos tricomas. Me confirma se são mesmo hermafroditas? Tem solução?"


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Otimizando o jardim de maconha medicinal em ambientes fechados

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo


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Dessa vez vez o leitor seguiu nossas recomendações e enviou uma descrição detalhada do que tem feito na estufa e nas plantas e também algumas fotos. Quanto mais informações que me ajudem a entender o problema melhor.
Os detalhes da planta, ph e solo foram passados pessoalmente via áudio. Somente as imagens foram reproduzidas.
Quando cultivamos cannabis para uso medicinal, especialmente quando usamos lâmpadas, o que envolve custos de energia elétrica, devemos ter em conta que a etapa mais importante é o planejamento.
O planejamento é importante em todos os tipos de cultivo, mas no que usa lâmpadas em ambientes fechados é ainda mais importante. Em todos os jardins é necessário adotar uma logística de produção que atenda ao requisito de gerar o máximo de colheita com o mínimo de espaço, custo e tempo. Quanto menor o jardim e menos recursos o paciente tiver mais importante melhorar sua logística.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Dicas para cultivo de maconha medicinal em técnica de "guerrilha urbana"

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

Hoje vou falar de uma forma de cultivar que é muito utilizada por pessoas que não têm condições de manter um cultivo no local onde residem. Muitas pessoas não podem plantar porque moram com os pais, ou com outras pessoas que são contra a decisão pessoal de consumir cannabis. Seja por esse ou por qualquer outro motivo, muitas pessoas não cultivam usando como desculpas o fato de que não podem manter plantas de cannabis em suas residências. Porém, cultivar cannabis para uso pessoal não significa adotar um pé em sua própria casa. Uma das alternativas é iniciar um plantio de Guerrilha.

Cultivar em guerrilha significa que a planta será mantida em algum local na natureza, recebendo cuidados semanais ou quinzenais apenas. Dessa forma é como se o cultivador fosse apenas um suporte, provendo-lhe o que ela não consegue encontrar na natureza. Mas é claro que temos um papel muito maior do que esse. De fato um bom cultivador de guerrilha sabe a importância que o planejamento prévio tem na hora de determinar se o cultivo será de sucesso ou não. Se o planejamento é parte essencial em qualquer jardim, numa experiência de guerrilha isso é ainda mais determinante. Numa guerrilha a planta fica inteiramente dependente das condições da natureza e tudo que o cultivador puder fazer para auxiliá-la será bem vindo. Quais são então os passos para um cultivo de Guerrilha com êxito?

Cultivo de Maconha Medicinal: Posso arrancar as folhas de cima para não sombrearem as folhas inferiores?

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

Mensagem de um leitor aqui da região Nordeste do Brasil com a seguinte dúvida:
“Opa galera, bom dia. Se for o Sergio que está por aí, aquele abraço meu chapa. To usando seu livro e ta sendo muito útil. Olha só, to com uma dúvida e queria ver se vocês podem me ajudar. Durante a fase de floração eu posso arrancar algumas folhas grandes que fazem sombra para os galhos que estão mais em baixo? Pois to percebendo que a parte de baixo das minhas plantas estão menos desenvolvidas que as de cima. Um abraço e saudações cannabicas direto de Fortaleza, terra do sol.”

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Dicas para obter o melhor das suas flores na colheita de maconha medicinal

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

Muitas das perguntas dos leitores se referem a como iniciar seus jardins, ou como obter as melhores flores. Sinto na maioria das mensagens certa ansiedade de quem precisa de todas as respostas para atuar em algo do qual pouco se sabe.
É óbvio que um dos fatores principais para se obter as melhores flores é manter, desde o início do cultivo todos os cuidados em níveis ótimos. Usar um bom solo para germinar as plantas; transplantá-las para um vaso maior no tempo certo; garantir que elas tenham um bom crescimento vegetativo e um crescimento radicular excelente; todas são ótimas maneiras de preparar a planta para a floração perfeita.

Pragas + Deficiência nutricional? O que está acontecendo no meu jardim de maconha medicinal?

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

Essa semana vamos responder à dúvida de um leitor que enviou até alguma fotos para ajudar no diagnóstico dos problemas do jardim, fotos de muito boa qualidade, mas ainda assim faltaram todas as outras informações que poderiam ajudar no diagnóstico da planta . Aproveito para reforçar, mais uma vez, o pedido a tod@s que enviarem suas dúvidas que mandem junto algumas fotos, de diferentes ângulos e especialmente dediquem algum tempo a construir uma descrição geral do cultivo que seja mais completa, para me ajudar a entender melhor o que se passa com a planta (tipo de luz usada, quantidade de lâmpadas, quantas horas de luz direta por dia, que tipo de nutrientes está usando e com qual frequência, como é o solo no qual a planta está sendo cultivada, se há ou não sistema de circulação de ar, e todos os detalhes que possam auxiliar na hora que eu for usar a sua dúvida para poder dar uma resposta o mais precisa possível, Assim posso dar opiniões precisas e não apenas especular sobre o que se passa com a planta. Agora vamos à mensagem do leitor:

Dá para cultivar maconha medicinal em solos 100% inertes?

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo
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Essa semana responderei a carta do leitor PK, que me escreveu a seguinte mensagem por email.
"Olá Sergio, sou do interior de Pernambuco e estou com um indoor tem umas semanas e esta é minha situação: Tenho uma lâmpada de 250w, cultivo em solos 100% sunshine mix, e tenho dado fertilizante para hidropônia da Photogenesis, na dose recomendada de 4ml por litro de água. O pH está em 6,1 em média, mas mesmo assim as plantas estão amarelando, conforme a foto. Você pode me ajudar?"
Há algumas pistas do que está ocorrendo. Seu solo é 100% inerte, ou seja, não contém quase nenhum nutriente. Tudo que ele faz é reter água e nutrientes que são administrados pelo jardineiro.

O Poder do Rei Sol no Cultivo de Maconha Medicinal

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

Essa mensagem é de um camarada, querendo uma consultoria de como melhorar o cultivo dele, que é feito numa região árida do Ceará, numa pequena propriedade rural. Ele me enviou as fotos das suas plantas e me pediu conselhos do que está se passando e o que é possível fazer para melhorar a situação das suas filhotas. As fotos usadas para ilustrar as reflexões de hoje são desse cultivo.
Primeiro, é preciso explicar o que é um cultivo chamado “outdoor”. Antes de entrar propriamente nisso, precisamos lembrar que somente quando recebe 12 ou mais horas de escuridão total por dia a planta irá entender que é hora de florir. As plantas de maconha iniciam o processo de florescimento e produção de resina psicoativa quanto entendem que chegou o inverno e, portanto, que os dias estão se tornando mais curtos que as noites. Os cultivadores convencionaram que a maior produção de flores e resina se dá quando a planta recebe 12hs por dia de luz ininterruptas e 12hs de escuridão total, durante a floração. Porém, é possível florir plantas com 11, 10, até menos horas diárias de luz com incidência direta sobre as plantas. No entanto, estudos apontam que a maior produção de resina psicoativa e flores de fato ocorre quando a planta recebe 12hs por dia de luz.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Convivendo com a seca e o calor num jardim de maconha medicinal

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

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Mensagem do leitor:
“Olá Hempadão! Moro no sertão de Pernambuco e nessa época do ano, assim como na maior parte também as temperaturas superam os 30 graus facilmente e a umidade relativa do ar também é bem baixa. Gostaria de saber se nessas condições é possível cultivar variedades com predominância Indica ao invés de sativa que já é adaptada ao clima? Abração. jah bless.”
Quando pensamos em quais as condições ideais para uma planta de cannabis, ou se ela pode ser cultivada em uma determina situação, devemos ter em mente que esses vegetais são como nós, seres humanos: gostam de temperaturas amenas e uma brisa agradável soprando na cara, mas sobrevivem em quase todas as condições do planeta, desde que recebam cuidados adequados. É claro que uma coisa é viver da forma ideal, quando podemos alcançar nosso máximo potencial sem muito esforço. Outra, totalmente diferente, é quando vivemos em um ambiente em condições pouco adequadas para nosso pleno desenvolvimento e temos que nos virar aqui e ali para conseguir sobreviver. Devemos ter em mente também que o calor pode ser um fator prejudicia que afete a planta em sua estrutura externa (folhas, caule, tronco, flores, etc) e suas raízes. Onde quer que o problema se instale ele certamente trará consequências.

Posso cultivar muitas variedades genéticas na mesma estufa?

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

"Bom dia hempada. Salve aê! Caro Sergio Vidal.
Estou iniciando minha 3ª semana de cultivo em minha estufa e já estou preocupado com duas coisas: uma é o momento certo para fazer o transbordo das plantas para um vaso maior. No momento estão em copos descartáveis de 200ml e o próximo será um vaso de 1,7 litros. A segunda é que me deixa com mais dúvidas, é com relação ao momento certo de trocar a lâmpada e iniciar a simulação de 12h/12h para início da floração. Minhas dúvidas seriam mais simples de responder se eu não tivesse optado por experimentar cinco espécies diferentes ao mesmo tempo. O problema todo é que cada espécie tem um tamanho e período de florescimento diferentes.
Eu tenho a Skunk #1 (8-10 semanas), Top 44 (6-8 semanas), a Big Bud (8-9 semans), também a Master Kush (10-12 semanas) e por última a Northern Lights x Skunk#1 (7-9 semanas).
Isso pode ser considerado um problema? Qual critério devo seguir?
Forte abraço a todos do Hempadão. Estamos juntos por essa luta.
Jah Guide.”

Obrigado por sua mensagem. Respondendo de forma simplificada à sua questão: Não é um problema, desde que você tome alguns cuidados. Se você ficar atento e levar esse fator em consideração no planejamento do cultivo, não há com o que se preocupar. De fato, as plantas de cannabis podem variar bastante não apenas na estrutura das flores, mas da planta em si. Algumas têm maior tendência a serem baixas e crescerem num ritmo menor. Outras crescem bastante, dando muito trabalho para serem domadas, muitas vezes ocupando um grande espaço por planta.

Tutorial de Clonagem: Perpetuando a Colheita Perfeita

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

“Vidal beleza? Tirei uns clones, cortei coloquei num copo com água uns 5 min, depois raspei o talo um pouco e passei no clonex e coloquei no palet, ja desde dia 10/11, porém parece que tão todos mortos, que fazer? Devia ter deixado mais tempo na água, ainda não coloquei pra florir, melhor tirar outras mudas?”
Para clonar uma planta é preciso estar atento aos detalhes do procedimento. O primeiro fator a ser observado é que os clones devem ser retirados preferencialmente de plantas saudáveis, que mostrem vigor. Isso porque durante alguns dias o galho que será arrancado para se tornar um clone terá que sobreviver por alguns dias sem raízes que lhes supra de nutrientes, ao mesmo tempo que irá destinar boa parte da sua energia para produzir as novas raízes.

Sementes de Hermafroditas são 100% fêmeas?

Hoje vou falar a respeito de um tema que é origem de um equivoco bastante comum entre os cultivadores iniciantes. Essa não foi uma dúvida enviada por um leitor especificamente. Porém, já ouvi muitos amigos e pessoas próximas reproduzindo o engano de que as sementes oriundas de plantas hermafroditas são ótimas para cultivar pois é assim que se faz sementes feminizadas. Como essa é uma informação equivocada que já vi ser reproduzida por muitas pessoas, achei que seria um bom tema para recomeçar. Já ouvi de muitos amigos e conhecidos a afirmação de que uma planta fêmea, quando produz flores machos, se tornando hermafrodita, irá produzir sementes feminizadas. Ou seja, a ideia é que as sementes geradas a partir de um cruzamento com plantas hermafroditas irá criar sementes com quase 100% de certeza de serem plantas fêmeas. Essa é uma afirmação incorreta, baseada na má interpretação de como é o processo técnico de produção de sementes feminizadas.

Dicas de Segurança para Cultivador@s.

Essa semana recebemos uma mensagem muito interessante de um anônimo trazendo questões sobre o tema segurança durante a prática de cultivo de cannabis.
“Pesquisei por todo o site e não sei se acabei passando por cima ou se realmente não existe aqui no Hempadao algum tipo de indicações/precauções para homegrowers. Por exemplo:
Vejo que há pelo menos uma loja internacional de sementes que possui um banner aqui no site, existe algum crime/cuidado que devo ter ao comprar sementes online?
Legalmente, ter uma, duas, três plantas para uso pessoal é considerado um crime?
Se eu plantar em parques públicos e for pego colhendo/plantando/etc isso é considerado crime?
Há muitos outros exemplos de perguntas que podem surgir na cabeça de um leitor e que podem fazer a diferença entre belos camarões e uma prisão por tráfico. Um guia para que as pessoas não passem por grandes problemas seria super importante no Hempadão para evitar histórias ruins dos leitores. Abraços!”
Sobre a segurança na hora de comprar sementes dedicamos dois artigos o ano passado, que podem ser consultados aqui e aqui. De lá para cá se fez aumentar o número de pessoas comprando sementes pela internet e a quantidade de apreensões de encomendas realizadas. E eu continuo acreditando que a melhor forma de proteger a si mesmo do risco de ser preso comprando sementes e tentar conseguir sementes ou clones com amigos. Mesmo sementes de cruzamento caseiro podem ser uma boa opção pra quem está iniciando.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Opinião: Precisamos regulamentar e nacionalizar com urgência a produção de maconha medicinal

Por Sergio Vidal

Hoje, inúmeros cientistas em diferentes países aceitam o uso de remédios feitos à base de maconha como eficazes para tratar doenças e aliviar sintomas variados, entre as quais: AIDS, anemia falciforme, anorexia, ansiedade, artrite, ataxia, câncer, dependência por drogas, desordens digestivas, doença de crohn, distonia, dores crônicas, enxaqueca, cólicas, epilepsias, esclerose múltipla, esclerose amiotrófica lateral, espasticidade, glaucoma, reumatismo, dentre outras.
No Brasil, milhões de pessoas poderiam se beneficiar com o uso de fármacos contendo os princípios ativos da planta. Porém, cada doença e enfermidade exige um equilíbrio bioquímico específico entre cannabinóis, terpenos, um modo de administração singular, e cada variedade genética de maconha tem uma combinação específica dos compostos naturais. São mais de 85 moléculas produzidas exclusivamente por plantas de maconha, além do THC e CBD, os mais conhecidos.
Qualquer pessoa que tenha se aprofundado um pouco mais na história do Brasil que não contam nas escolas sabe que, desde o início da colonização até quase o século XX, muitos brasileiros cultivaram legalmente maconha em diversas regiões do país, inclusive o próprio governo, por meio da Real Feitoria do Linho-Cânhamo. As produções tinham como objetivo principal a extração das fibras das plantas. À época, principal cultivo têxtil no mundo. Mas o cultivo era tão difundido culturalmente que também havia muitos usos para fins medicinais, e suas sementes, embora não tendo princípios ativos, mas apenas nutrientes benéficos e óleos vegetais, eram usadas como alimento humano e matéria-prima do óleo combustível para lamparinas, dentre outros usos registrados em documentos.
Nessa época, havia o uso medicinal tradicional feito pela população com a erva comprada nas feiras e boticários, ou cultivada em casa, e também o uso medicinal oficial, com médicos prescrevendo diferentes remédios à base da resina da maconha, para variadas enfermidades e sintomas, vendidos nas farmácias com autorização do Estado.
Em 1932, alguns políticos, ignorando os apelos feitos na época por médicos e farmacêuticos, proibiram totalmente a maconha, com o objetivo de conter o consumo recreativo, e “regular” os usos medicinais, científicos e industriais. Fizeram isso sem sequer levar em conta as inúmeras pessoas que sofreriam por falta de acesso aos medicamentos. No entanto, a violenta política proibicionista teve como consequência o fato de que o uso industrial das fibras e o uso medicinal foram totalmente extintos por conta da burocracia impeditiva, enquanto, por outro lado, a produção clandestina voltada para o uso recreativo não foi contida; ao contrário, se expandiu.
Hoje (14), em reunião especial, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende discutir a regulamentação do uso de produtos exclusivamente à base de CBD, ou que contenham quantidade muito reduzida de THC ou outros compostos. Porém, apenas um número limitado de pacientes necessita de remédios contendo apenas CBD. A grande maioria das doenças precisa de uma combinação do CBD com as outras moléculas, e alguns precisam inclusive de grandes doses de THC. Além disso, a agência se propôs a discutir apenas a importação de produtos, excluindo a possibilidade da produção nacional.
Essa atitude afeta milhões de pessoas que necessitam de remédios com cannabinnóides que continuarão proibidos e também aqueles que não têm o dinheiro para arcar com os altos custos da importação. Cabe agora à sociedade civil organizada pressionar para que o governo e a Anvisa não cometam o mesmo erro do passado e tornem impeditivo o cultivo e produção nacional para fins de pesquisa e uso medicinal, algo que já está previsto desde 2006, quando entrou em vigor a Lei 11.343.
As leis jamais deveriam ser feitas para bloquear o acesso de pessoas doentes aos medicamentos. O que realmente precisamos é de uma regulamentação dos usos da maconha para fins científicos e medicinais que seja plena e inclusiva e não atenda somente a alguns interesses específicos. É preciso que todos os tipos de remédios à base da planta, indicados para todas as enfermidades, estejam acessíveis a todos. E não é regulamentando exclusivamente a importação de CBD que vamos fazer isso.
+info: originalmente publicado na Revista Fórum, janeiro, 2015

Cultivar a Própria Maconha é Redução de Danos e Riscos

Por Sergio Vidal

A maconha é conhecida dos humanos há milhares de anos. Não sabemos exatamente quando começamos a utilizar as sumidades floridas dessa erva e seus extratos concentrados por causa do barato que eles causam. Por outro lado, existem muitos registros arqueológicos de que há mais de 12.000 anos nós já usávamos das fibras dos seus caules e galhos para produzir tecido, cordas e outros itens que foram fundamentais para nosso processo civilizatório e, há mais de 5.000 anos, já fazíamos uso das propriedades medicinais das suas flores e extratos concentrados. Ao longo dos séculos usamos as diferentes partes da planta, tanto as psicoativas como as não-psicoativas, para diversos outros fins, inserindo a planta de forma ampla e profunda no dia a dia das economias de diversas civilizações, em diferentes períodos da nossa história. Até o surgimento e instauração da hegemonia das políticas proibicionistas entre o final do século XIX e meados do XX, a maconha foi vegetal fundamental na economia das civilizações mais avançadas da humanidade. Cultivar, beneficiar e consumir maconha em seus diferentes formas de uso não era crime, ao contrário, fazia parte normal do dia a dia da humanidade.

Em diferentes sociedades e grupos humanos, até o início do século XX as sementes eram usadas como alimentos, por serem ótima fonte de proteína, vitaminas, fibras e outros nutrientes ou por seu óleo que, além de também servir como alimento, durante séculos, junto com o óleo de baleia, foi o principal combustível para as lamparinas; já os caules e galhos eram macerados e transformados em longas e resistentes fibras têxteis, tecidas das mais diversas maneiras, de acordo com a finalidade; e as flores eram processadas e tinham seus óleos essenciais extraídos para serem usadas como medicamento. Durante todo esse tempo, a planta nos serviu docilmente com todo seu potencial utilitário diversificado, enquanto nós humanos, predadores universais, a consumíamos em suas mais diferentes modalidades, extasiados e satisfeitos com tudo que ela nos proporcionava e, ao mesmo tempo, semeávamos a planta por todo território mundial, levando-a conosco por todos os lugares que passamos.

Porém, apesar de todo histórico de milênios de convivência e mutualismo, onde nos servíamos da planta de diversas maneiras e ela se aproveitava para colonizar todo planeta, em 1961 um Tratado Internacional assinado por dezenas de países acordou que deveriam ser feito esforços para banir os usos da maconha que não tivessem finalidades exclusivamente medicinais ou cientificas. A proposta parecia boa: Acabar com a criminalidade que envolvia o mercado ilegal das plantas e drogas medicinais para acabar com o uso recreativo e garantir as pesquisas e as aplicações medicinais. Porém na prática as coisas saíram um pouco do controle. A política que inicialmente tinha como objetivo principal dar segurança aos usos medicinais e científicos teve como consequência justamente o contrário. Ao longo dos anos as leis dos países tornaram-se paulatinamente mais severas, tornando a burocracia impeditiva para a produção e usos medicinais, ou para a realização de pesquisas científicas. Além disso, o consumo recreativo não diminuiu, ao contrário, tornou-se um fenômeno de massa. O mercado ilegal cresceu, e com ele o aumento da violência e dos crimes associados ao tráfico. Por outro lado os usos medicinais e as pesquisas científicas praticamente deixaram de existir.

Em outras palavras, as leis e políticas públicas que tinham como objetivo principal reduzir os danos e riscos do mercado ilegal tornando-o mais seguro e garantindo o crescimento das pesquisas e das aplicações medicinais, acabou tornando-se o principal fator causador de danos tanto aos consumidores quanto à sociedade em geral. Não estou dizendo que a maconha seja inócua e só as políticas e leis causem danos. Mas no caso específico da Cannabis sativa os principais danos e riscos são decorrentes dos métodos e padrões de consumo, e da forma como a substância é produzida e comercializada o que pode ser controlado com educação e políticas públicas de saúde pública. Os danos ocasionados pelos padrões de consumo geralmente estão ligados à utilização de métodos de ingestão que usam a fumaça da planta como veículo condutor dos princípios ativos e com o consumo de erva contaminada ou deteriorada, o que é quase 100% do que é vendido atualmente no mercado clandestino. A ingestão de qualquer conteúdo inalando a fumaça da sua queima provoca irritação e danos nos órgãos e tecidos dos aparelhos digestivos e respiratórios, que podem levar ao desenvolvimento de feridas e até mesmo câncer. Usada na forma de cigarros, além da fumaça em alta temperatura, a maconha libera substâncias tóxicas como o monóxido de carbono, que podem apresentar o mesmo potencial de risco que as liberadas pela queima do tabaco ou outra fumaça. Deve-se utilizar técnicas para resfriar os vapores ou fumaça, ou minimizar seus danos, antes de ingeri-la (cachimbos, piteiras, cachimbos d’água, bongs, vaporizadores, etc.), ou consumir alimentos à base da erva, ao invés de fumá-la. E, principalmente, só consumir flores frescas, recém secadas, isentas de fungos ou outras contaminações.


Como vimos, o proibicionismo é um dos principais fatores ampliadores dos riscos e danos relacionados com o uso da maconha na atualidade. Ao buscar cultivar sua própria erva o usuário, seja ele de caráter medicinal ou recreativo, está não apenas garantindo a qualidade do que irá consumir, mas principalmente deixando de colaborar com uma rede perversa de atores envolvidos no sistema que atualmente gera a maior parte dos problemas atribuídos à maconha. Cultivar sua própria maconha é, portanto, a principal colaboração que um usuário pode dar atualmente para mudar não apenas a sua realidade com relação ao consumo de maconha, mas a realidade do país. Já é hora de por as mãos na terra e começar a semear o Brasil e o planeta que queremos ver no futuro!  

+info: publicado originalmente na 2 edição da Revista Maconha Brasil


Sementes Feminizadas e Sexo da Espécie!


vrouwelijke_plant_closeEssa semana temos uma mensagem de um leitor que quer saber mais a respeito de como fazer mudas.

“Grande Vidal. Bom dia.
Mais uma vez estou aqui com as minhas dúvidas. E desta vez são duas:

A primeira é com relação ao sexo das plantas. Meu jardim está finalizando a 7ª semana de vega e eu gostaria de saber em que momento o sexo começa a aparecer. Sei que vou precisar de usar lupas para identificar mas não tenho ideia de quando vou poder fazer. Apesar de ter comprado de bancos que "garantiam" que 99% das sementes são feminimizadas, eu gostaria de verificar.


A outra dúvida é saber quando fazer clones. Talvez não no manuzeio de corte (vou ter certeza quando fizer), mas mais de onde retirá-los. Essa dúvida surge devido à estrutura de minhas plantas que não dispontam de galhos ramificados diretos do tronco ou os que surgem junto as folhas são muito pequenos e não parecem que irão crescer mais. Devo esperar mais? Estou utilizando fertilizante orgânico e sei que o processo de crescimento é mais lento. Só agora que adquiri um bom medidor de pH para tentar estabilizar o solo.

Desde já grato pela atenção e ao Hempadão por ajudar levantar nossa bandeira. Jah guide. ”

Antes de falar sobre como fazer um clone, gostaria de falar sobre sementes fêmeas. Primeiro é importante deixar claro que os bancos de sementes controlam muito bem a linhagem de plantas que eles vendem como sendo quase 100% fêmeas. O processo mais complicado no mercado de desenvolvimento de sementes não é torná-las fêmeas e sim realizar uma boa seleção genética de uma população de plantas da mesma linhagem. Os bancos de sementes cultivam centenas, às vezes milhares de sementes da mesma genética e faz clone de todas as plantas. Após a colheita, o criador seleciona qual planta deu as flores com as características mais apreciadas e só então decide qual clone irá manter.

Muitas plantas fêmeas têm uma tendência a desenvolver algumas flores macho, como um mecanismo de preservação da espécie. Os criadores de sementes procuraram formas de fazer com que as melhores plantas fêmeas que eles selecionavam pudessem também produzir alguns flores macho. Assim, eles puderam polinizar outras plantas fêmeas e passaram a controlar melhor as proporções com que suas sementes produziam plantas macho e fêmea. Com isso também puderam desenvolver as sementes com garantia das plantas serem quase 100% fêmeas.

Em todo caso, mesmo que suas sementes fossem regulares, ou seja, tivessem taxa de possibilidade de serem 50% macho e 50% fêmeas, não seria necesssário uma lente para identificar o sexo da planta. Claro que com uma lente o universo da cannabis fica muito mais rico aos nossos olhos, e quem tem condições aconselho muito comprar uma. Mas, de fato, plantas macho e fêmeas são facilmente reconhecidas, basta você ficar atento. Você não falou se seu jardim é com lâmpadas ou ao sol. Mas, seja como for, é importante que quando notar que a planta está começando a mudar seu crescimento e iniciando as mudanças para florir, nas axilas dos galhos começaram a surgir as chamadas pré-flores. São miniaturas do que serão as flores. No caso de plantas fêmeas é um pequeno cálice que aparece. No caso de plantas macho, são um conjunto de bolinhas. As bolinhas, no futuro, se tornarão parecidas com um cacho de bananas e, se você não eliminá-lo, se tornarão flores e soltarão polém capaz de fecundar fêmeas a quilomêtros. Então, se você não pretende criar sementes, elimine totalmente o macho.

Os machos são desprezados por muita gente, mas, na realidade, eles têm uma importância enorme. Só que é preciso ter muito cuidado com eles, para que não estraguem completamente uma colheita, caso não se deseje produzir algumas sementes usando o pólen. Se você quer criar sementes aconselho esperar as bolas virarem bananas, se formarem melhor, mas de modo algum deixá-las abrir. Então você colhe a planta, retirando para guardar apenas um pequeno galho que você vai deixar num vaso com água em algum canto isolado da casa até que as bananas abram e lhe dêm o polém. Você também pode abrir as bananas com uma lâminas para pegar o polém. Use um pincel para coletar um pouco de polém e esfregue com cuidado apenas uma ou duas inflorescências da parte de baixo de uma planta fêmea. Assim você garante que ela produzirá algumas sementes e que também continuará produzindo mais resina no restante da flores e, principalmente, na flor do topo da planta.

Sobre a melhor hora para clonar suas plantas. De fato, não há um momento ideal. O melhor é que as mudas sejam retiradas antes da floração. Um clone é um galho da planta, basta ter crescido o suficiente para ter alguns centímetros de galho e já é o bastante para que vire um clone. Muitos cultivadores preferem tirar clones menores, outros preferem mudas maiores. Se sua planta ainda não possui um galho que possa ser cortado para fazer o clone, o melhor é força-la a manter-se vegetando por mais algum tempo, até que forme galhos. Você pode fazer isso dando-lhe mais de 16hs de luz por dia. Caso esteja usando a luz do sol, pode complementar o fotoperíodo com algumas lâmpadas fluorescentes. Se estiver usando lâmpadas, basta programar seu timer para a tarefa. Você pode ainda amarrar a planta para forçá-la a se ramificar. Se optar por fazer isso tome cuidado para não partir a planta colocando muita força. Procure respeitar o limite de tensão dos caules e galhos. Eles se recuperam com facilidade e tem uma mobilidade incrível, mas têm limites. Mas, ao amarrar a planta e forçar o topo a manter-se na horizontal você faz a planta entender que precisa distribuir melhor os hormonios de crescimento e os nutrientes, fazendo ela acreditar que tem muitos topos e que precisa dedicar-se a desenvoler esses galhos. Você também pode podar topo da planta, para forçá-la a se ramificar mais, mas só faça isso se ela ainda for vegetar por muitas semanas, para que dê tempo de se recuperar.


Muito obrigado por ter mandado sua mensagem e espero ter ajudado a esclarecer suas dúvidas e com isso ajudado também outras pessoas! Mandem suas mensagens e fotos para hempadao@gmail.com

+info: publicado originalmente no blog parceiro Hempadão, abril de 2012