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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Otimizando o jardim de maconha medicinal em ambientes fechados

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo


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Dessa vez vez o leitor seguiu nossas recomendações e enviou uma descrição detalhada do que tem feito na estufa e nas plantas e também algumas fotos. Quanto mais informações que me ajudem a entender o problema melhor.
Os detalhes da planta, ph e solo foram passados pessoalmente via áudio. Somente as imagens foram reproduzidas.
Quando cultivamos cannabis para uso medicinal, especialmente quando usamos lâmpadas, o que envolve custos de energia elétrica, devemos ter em conta que a etapa mais importante é o planejamento.
O planejamento é importante em todos os tipos de cultivo, mas no que usa lâmpadas em ambientes fechados é ainda mais importante. Em todos os jardins é necessário adotar uma logística de produção que atenda ao requisito de gerar o máximo de colheita com o mínimo de espaço, custo e tempo. Quanto menor o jardim e menos recursos o paciente tiver mais importante melhorar sua logística.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Dicas para obter o melhor das suas flores na colheita de maconha medicinal

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

Muitas das perguntas dos leitores se referem a como iniciar seus jardins, ou como obter as melhores flores. Sinto na maioria das mensagens certa ansiedade de quem precisa de todas as respostas para atuar em algo do qual pouco se sabe.
É óbvio que um dos fatores principais para se obter as melhores flores é manter, desde o início do cultivo todos os cuidados em níveis ótimos. Usar um bom solo para germinar as plantas; transplantá-las para um vaso maior no tempo certo; garantir que elas tenham um bom crescimento vegetativo e um crescimento radicular excelente; todas são ótimas maneiras de preparar a planta para a floração perfeita.

Pragas + Deficiência nutricional? O que está acontecendo no meu jardim de maconha medicinal?

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

Essa semana vamos responder à dúvida de um leitor que enviou até alguma fotos para ajudar no diagnóstico dos problemas do jardim, fotos de muito boa qualidade, mas ainda assim faltaram todas as outras informações que poderiam ajudar no diagnóstico da planta . Aproveito para reforçar, mais uma vez, o pedido a tod@s que enviarem suas dúvidas que mandem junto algumas fotos, de diferentes ângulos e especialmente dediquem algum tempo a construir uma descrição geral do cultivo que seja mais completa, para me ajudar a entender melhor o que se passa com a planta (tipo de luz usada, quantidade de lâmpadas, quantas horas de luz direta por dia, que tipo de nutrientes está usando e com qual frequência, como é o solo no qual a planta está sendo cultivada, se há ou não sistema de circulação de ar, e todos os detalhes que possam auxiliar na hora que eu for usar a sua dúvida para poder dar uma resposta o mais precisa possível, Assim posso dar opiniões precisas e não apenas especular sobre o que se passa com a planta. Agora vamos à mensagem do leitor:

O Poder do Rei Sol no Cultivo de Maconha Medicinal

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

Essa mensagem é de um camarada, querendo uma consultoria de como melhorar o cultivo dele, que é feito numa região árida do Ceará, numa pequena propriedade rural. Ele me enviou as fotos das suas plantas e me pediu conselhos do que está se passando e o que é possível fazer para melhorar a situação das suas filhotas. As fotos usadas para ilustrar as reflexões de hoje são desse cultivo.
Primeiro, é preciso explicar o que é um cultivo chamado “outdoor”. Antes de entrar propriamente nisso, precisamos lembrar que somente quando recebe 12 ou mais horas de escuridão total por dia a planta irá entender que é hora de florir. As plantas de maconha iniciam o processo de florescimento e produção de resina psicoativa quanto entendem que chegou o inverno e, portanto, que os dias estão se tornando mais curtos que as noites. Os cultivadores convencionaram que a maior produção de flores e resina se dá quando a planta recebe 12hs por dia de luz ininterruptas e 12hs de escuridão total, durante a floração. Porém, é possível florir plantas com 11, 10, até menos horas diárias de luz com incidência direta sobre as plantas. No entanto, estudos apontam que a maior produção de resina psicoativa e flores de fato ocorre quando a planta recebe 12hs por dia de luz.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Tutorial de Clonagem: Perpetuando a Colheita Perfeita

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo

“Vidal beleza? Tirei uns clones, cortei coloquei num copo com água uns 5 min, depois raspei o talo um pouco e passei no clonex e coloquei no palet, ja desde dia 10/11, porém parece que tão todos mortos, que fazer? Devia ter deixado mais tempo na água, ainda não coloquei pra florir, melhor tirar outras mudas?”
Para clonar uma planta é preciso estar atento aos detalhes do procedimento. O primeiro fator a ser observado é que os clones devem ser retirados preferencialmente de plantas saudáveis, que mostrem vigor. Isso porque durante alguns dias o galho que será arrancado para se tornar um clone terá que sobreviver por alguns dias sem raízes que lhes supra de nutrientes, ao mesmo tempo que irá destinar boa parte da sua energia para produzir as novas raízes.

Dicas de Segurança para Cultivador@s.

Essa semana recebemos uma mensagem muito interessante de um anônimo trazendo questões sobre o tema segurança durante a prática de cultivo de cannabis.
“Pesquisei por todo o site e não sei se acabei passando por cima ou se realmente não existe aqui no Hempadao algum tipo de indicações/precauções para homegrowers. Por exemplo:
Vejo que há pelo menos uma loja internacional de sementes que possui um banner aqui no site, existe algum crime/cuidado que devo ter ao comprar sementes online?
Legalmente, ter uma, duas, três plantas para uso pessoal é considerado um crime?
Se eu plantar em parques públicos e for pego colhendo/plantando/etc isso é considerado crime?
Há muitos outros exemplos de perguntas que podem surgir na cabeça de um leitor e que podem fazer a diferença entre belos camarões e uma prisão por tráfico. Um guia para que as pessoas não passem por grandes problemas seria super importante no Hempadão para evitar histórias ruins dos leitores. Abraços!”
Sobre a segurança na hora de comprar sementes dedicamos dois artigos o ano passado, que podem ser consultados aqui e aqui. De lá para cá se fez aumentar o número de pessoas comprando sementes pela internet e a quantidade de apreensões de encomendas realizadas. E eu continuo acreditando que a melhor forma de proteger a si mesmo do risco de ser preso comprando sementes e tentar conseguir sementes ou clones com amigos. Mesmo sementes de cruzamento caseiro podem ser uma boa opção pra quem está iniciando.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O poder da maconha medicinal, os limites do uso do CBD isolado e um pouco de história

O que chamamos maconha são as flores das plantas fêmeas da espécie Cannabis sativa, em qualquer uma de suas variedades. Todas as variedades de maconha produzem plantas machos e fêmeas. As fêmeas produzem em suas flores uma grande quantidade de uma resina pegajosa. A maconha sintetiza naturalmente um número acima de 500 compostos, dos quais mais de 90 tipos produzidos exclusivamente por plantas dessa espécie, os chamados cannabinóides. Entre os mais conhecidos estão o THC 9, THC 8, CBN, THCV, CBC e o CBD, também como Cannabidiol, que atualmente é o que tem ganho maior destaque na mídia e foi liberado para uso medicinal e científico no país.
A maconha é usada pelos seres humanos para diversas finalidades medicinais e terapêuticas, dentre outras, há milhares de anos. A farmacopéia mais antiga da humanidade (livro medicinal contendo relação de doenças e respectivos remédios), escrito no ano de 3.750 antes de Cristo, já recomendava a erva para o tratamento de diferentes doenças e sintomas.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Usando maconha medicinal legalmente

Essa semana vou mudar um pouco o foco dessa coluna, deixando de falar diretamente sobre cultivo para falar um pouco do uso medicinal da maconha e de como é possível realiza-lo no Brasil. Decidi falar sobre esse tema porque todos os dias recebo mensagens de pessoas ou que tem alguma alguma doença, ou que conhece algum paciente, que poderia se beneficiar com o uso medicinal da maconha ou dos seus derivados.

Apesar do uso da maconha para fins científicos e medicinais já ser legalizado, conforme a Lei 11.343, em vigor desde outubro de 2006, somente em janeiro do ano passado é que a ANVISA, agência nacional de vigilância sanitária, passou a ser pressionada por diferentes atores políticos, por uma imediata regulamentação dos usos medicinais. Com o aumento da demanda a anvisa se viu obrigada a criar os protocolos necessários para regulamentação de diferentes formas de distribuição do medicamento. No entanto, restringiu apenas a produtos importados, que não contenham THC. Isso porque o THC tem propriedades psicoativas, ou seja, ele chapa. Por isso, ele é o motivo pelo qual a regulamentação no Brasil esta sendo tão capenga e atingindo apenas o CBD importado. Aliás, falando honestamete, a culpa não é do THC e sim do preconceito e ignorância a respeito dos usos medicinais da maconha.

Por conta disso hoje, muitas pessoas que precisam de produtos à base de CBD já encontram na ANVISA protocolos mais ou menos estabelecidos, para uma pequena variedade de produtos contendo o princípio ativo. Já para as pessoas que precisam se produtos que contenham THC o caminho tem sido obstruído, restando apenas a via judicial.

Para qualquer paciente que necessite da maconha medicinal eu sugiro o seguinte caminho:
1) Pesquise ao máximo as aplicações da Cannabis para a enfermidade ou sintomas em questão e junte as publicações científicas que encontrar sobre o tema. Nem tudo é tratado com maconha, apesar dela poder ser utilizada para uma variada quantidade de situações. Mesmo assim, cada caso exige uma combinação específica de princípios ativos e forma de administração que seja mais eficiente;

2) Junte cópia de todos os exames, receita dos remédios que toma (caso já tome algo para o mesmo fim), do laudo e tudo mais que puder comprovar o quadro atual do paciente;

3) Você precisa ser honest@ com @ médic@ que acompanha seu caso e falar sobre sua intenção de tentar a maconha medicinal, se houver resistência, tente outr@s profissionais;

4) A prescrição d@ profissional médic@ é o passo inicial do processo para requerer a autorização especial da ANVISA. Se tiver dificuldade em conseguir, entre em contato que podemos ajudar;

5) Seja necessidade por produtos contendo apenas CBD, ou que também contenham THC, todo processo começa encaminhando toda a documentação citada acima para a ANVISA, dando início ao pedido da autorização especial;

6) É muito importante contar com a ajuda de um advogado ou defensor público, especialmente nos casos que demandam THC e, portanto, disputa judicial;

7) Nos casos que demandam exclusivamente CBD o protocolo e relativamente mais simples, mas as autorizações estão sendo emitidas apenas para a importação, já que ainda não existem empresas comercializando no Brasil, o que deve ocorrer em breve já que algumas empresas já fizeram o pedido junto a ANVISA;

8) Caso o paciente seja de baixa renda é necessário entrar com um processo na justiça para solicitar que o estado arque com os gastos, o que já vem ocorrendo em alguns casos.

Espero ter ajudado a esclarecer um pouco mais sobre um tema tão importante e ao mesmo tempo polêmico. Por se tratar de um tema ainda novo e ainda em disputa político e burocratica, tudo depende ainda da interpretação dos órgãos públicos e dos seus funcionários, bem como dos atores do Poder Judiciário.

Seja como for, atualmente, diferentes ativistas e coletivos em todo o país estão engajados na luta da maconha medicinal e certamente alguém perto de você pode ajudar. Nós da Associação Multidisciplinar de Estudos sobre Maconha Medicinal estamos abertos a todo tipo de pacientes e pessoas interessadas. Caso precise de ajuda, conte conosco.

Envie sua duvida para hempadao@gmail.com
Abraço e até semana que vem.

+info: publicado originalmente no blog parceiro Hempadão

Opinião: Precisamos regulamentar e nacionalizar com urgência a produção de maconha medicinal

Por Sergio Vidal

Hoje, inúmeros cientistas em diferentes países aceitam o uso de remédios feitos à base de maconha como eficazes para tratar doenças e aliviar sintomas variados, entre as quais: AIDS, anemia falciforme, anorexia, ansiedade, artrite, ataxia, câncer, dependência por drogas, desordens digestivas, doença de crohn, distonia, dores crônicas, enxaqueca, cólicas, epilepsias, esclerose múltipla, esclerose amiotrófica lateral, espasticidade, glaucoma, reumatismo, dentre outras.
No Brasil, milhões de pessoas poderiam se beneficiar com o uso de fármacos contendo os princípios ativos da planta. Porém, cada doença e enfermidade exige um equilíbrio bioquímico específico entre cannabinóis, terpenos, um modo de administração singular, e cada variedade genética de maconha tem uma combinação específica dos compostos naturais. São mais de 85 moléculas produzidas exclusivamente por plantas de maconha, além do THC e CBD, os mais conhecidos.
Qualquer pessoa que tenha se aprofundado um pouco mais na história do Brasil que não contam nas escolas sabe que, desde o início da colonização até quase o século XX, muitos brasileiros cultivaram legalmente maconha em diversas regiões do país, inclusive o próprio governo, por meio da Real Feitoria do Linho-Cânhamo. As produções tinham como objetivo principal a extração das fibras das plantas. À época, principal cultivo têxtil no mundo. Mas o cultivo era tão difundido culturalmente que também havia muitos usos para fins medicinais, e suas sementes, embora não tendo princípios ativos, mas apenas nutrientes benéficos e óleos vegetais, eram usadas como alimento humano e matéria-prima do óleo combustível para lamparinas, dentre outros usos registrados em documentos.
Nessa época, havia o uso medicinal tradicional feito pela população com a erva comprada nas feiras e boticários, ou cultivada em casa, e também o uso medicinal oficial, com médicos prescrevendo diferentes remédios à base da resina da maconha, para variadas enfermidades e sintomas, vendidos nas farmácias com autorização do Estado.
Em 1932, alguns políticos, ignorando os apelos feitos na época por médicos e farmacêuticos, proibiram totalmente a maconha, com o objetivo de conter o consumo recreativo, e “regular” os usos medicinais, científicos e industriais. Fizeram isso sem sequer levar em conta as inúmeras pessoas que sofreriam por falta de acesso aos medicamentos. No entanto, a violenta política proibicionista teve como consequência o fato de que o uso industrial das fibras e o uso medicinal foram totalmente extintos por conta da burocracia impeditiva, enquanto, por outro lado, a produção clandestina voltada para o uso recreativo não foi contida; ao contrário, se expandiu.
Hoje (14), em reunião especial, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende discutir a regulamentação do uso de produtos exclusivamente à base de CBD, ou que contenham quantidade muito reduzida de THC ou outros compostos. Porém, apenas um número limitado de pacientes necessita de remédios contendo apenas CBD. A grande maioria das doenças precisa de uma combinação do CBD com as outras moléculas, e alguns precisam inclusive de grandes doses de THC. Além disso, a agência se propôs a discutir apenas a importação de produtos, excluindo a possibilidade da produção nacional.
Essa atitude afeta milhões de pessoas que necessitam de remédios com cannabinnóides que continuarão proibidos e também aqueles que não têm o dinheiro para arcar com os altos custos da importação. Cabe agora à sociedade civil organizada pressionar para que o governo e a Anvisa não cometam o mesmo erro do passado e tornem impeditivo o cultivo e produção nacional para fins de pesquisa e uso medicinal, algo que já está previsto desde 2006, quando entrou em vigor a Lei 11.343.
As leis jamais deveriam ser feitas para bloquear o acesso de pessoas doentes aos medicamentos. O que realmente precisamos é de uma regulamentação dos usos da maconha para fins científicos e medicinais que seja plena e inclusiva e não atenda somente a alguns interesses específicos. É preciso que todos os tipos de remédios à base da planta, indicados para todas as enfermidades, estejam acessíveis a todos. E não é regulamentando exclusivamente a importação de CBD que vamos fazer isso.
+info: originalmente publicado na Revista Fórum, janeiro, 2015

Sementes Feminizadas e Sexo da Espécie!


vrouwelijke_plant_closeEssa semana temos uma mensagem de um leitor que quer saber mais a respeito de como fazer mudas.

“Grande Vidal. Bom dia.
Mais uma vez estou aqui com as minhas dúvidas. E desta vez são duas:

A primeira é com relação ao sexo das plantas. Meu jardim está finalizando a 7ª semana de vega e eu gostaria de saber em que momento o sexo começa a aparecer. Sei que vou precisar de usar lupas para identificar mas não tenho ideia de quando vou poder fazer. Apesar de ter comprado de bancos que "garantiam" que 99% das sementes são feminimizadas, eu gostaria de verificar.


A outra dúvida é saber quando fazer clones. Talvez não no manuzeio de corte (vou ter certeza quando fizer), mas mais de onde retirá-los. Essa dúvida surge devido à estrutura de minhas plantas que não dispontam de galhos ramificados diretos do tronco ou os que surgem junto as folhas são muito pequenos e não parecem que irão crescer mais. Devo esperar mais? Estou utilizando fertilizante orgânico e sei que o processo de crescimento é mais lento. Só agora que adquiri um bom medidor de pH para tentar estabilizar o solo.

Desde já grato pela atenção e ao Hempadão por ajudar levantar nossa bandeira. Jah guide. ”

Antes de falar sobre como fazer um clone, gostaria de falar sobre sementes fêmeas. Primeiro é importante deixar claro que os bancos de sementes controlam muito bem a linhagem de plantas que eles vendem como sendo quase 100% fêmeas. O processo mais complicado no mercado de desenvolvimento de sementes não é torná-las fêmeas e sim realizar uma boa seleção genética de uma população de plantas da mesma linhagem. Os bancos de sementes cultivam centenas, às vezes milhares de sementes da mesma genética e faz clone de todas as plantas. Após a colheita, o criador seleciona qual planta deu as flores com as características mais apreciadas e só então decide qual clone irá manter.

Muitas plantas fêmeas têm uma tendência a desenvolver algumas flores macho, como um mecanismo de preservação da espécie. Os criadores de sementes procuraram formas de fazer com que as melhores plantas fêmeas que eles selecionavam pudessem também produzir alguns flores macho. Assim, eles puderam polinizar outras plantas fêmeas e passaram a controlar melhor as proporções com que suas sementes produziam plantas macho e fêmea. Com isso também puderam desenvolver as sementes com garantia das plantas serem quase 100% fêmeas.

Em todo caso, mesmo que suas sementes fossem regulares, ou seja, tivessem taxa de possibilidade de serem 50% macho e 50% fêmeas, não seria necesssário uma lente para identificar o sexo da planta. Claro que com uma lente o universo da cannabis fica muito mais rico aos nossos olhos, e quem tem condições aconselho muito comprar uma. Mas, de fato, plantas macho e fêmeas são facilmente reconhecidas, basta você ficar atento. Você não falou se seu jardim é com lâmpadas ou ao sol. Mas, seja como for, é importante que quando notar que a planta está começando a mudar seu crescimento e iniciando as mudanças para florir, nas axilas dos galhos começaram a surgir as chamadas pré-flores. São miniaturas do que serão as flores. No caso de plantas fêmeas é um pequeno cálice que aparece. No caso de plantas macho, são um conjunto de bolinhas. As bolinhas, no futuro, se tornarão parecidas com um cacho de bananas e, se você não eliminá-lo, se tornarão flores e soltarão polém capaz de fecundar fêmeas a quilomêtros. Então, se você não pretende criar sementes, elimine totalmente o macho.

Os machos são desprezados por muita gente, mas, na realidade, eles têm uma importância enorme. Só que é preciso ter muito cuidado com eles, para que não estraguem completamente uma colheita, caso não se deseje produzir algumas sementes usando o pólen. Se você quer criar sementes aconselho esperar as bolas virarem bananas, se formarem melhor, mas de modo algum deixá-las abrir. Então você colhe a planta, retirando para guardar apenas um pequeno galho que você vai deixar num vaso com água em algum canto isolado da casa até que as bananas abram e lhe dêm o polém. Você também pode abrir as bananas com uma lâminas para pegar o polém. Use um pincel para coletar um pouco de polém e esfregue com cuidado apenas uma ou duas inflorescências da parte de baixo de uma planta fêmea. Assim você garante que ela produzirá algumas sementes e que também continuará produzindo mais resina no restante da flores e, principalmente, na flor do topo da planta.

Sobre a melhor hora para clonar suas plantas. De fato, não há um momento ideal. O melhor é que as mudas sejam retiradas antes da floração. Um clone é um galho da planta, basta ter crescido o suficiente para ter alguns centímetros de galho e já é o bastante para que vire um clone. Muitos cultivadores preferem tirar clones menores, outros preferem mudas maiores. Se sua planta ainda não possui um galho que possa ser cortado para fazer o clone, o melhor é força-la a manter-se vegetando por mais algum tempo, até que forme galhos. Você pode fazer isso dando-lhe mais de 16hs de luz por dia. Caso esteja usando a luz do sol, pode complementar o fotoperíodo com algumas lâmpadas fluorescentes. Se estiver usando lâmpadas, basta programar seu timer para a tarefa. Você pode ainda amarrar a planta para forçá-la a se ramificar. Se optar por fazer isso tome cuidado para não partir a planta colocando muita força. Procure respeitar o limite de tensão dos caules e galhos. Eles se recuperam com facilidade e tem uma mobilidade incrível, mas têm limites. Mas, ao amarrar a planta e forçar o topo a manter-se na horizontal você faz a planta entender que precisa distribuir melhor os hormonios de crescimento e os nutrientes, fazendo ela acreditar que tem muitos topos e que precisa dedicar-se a desenvoler esses galhos. Você também pode podar topo da planta, para forçá-la a se ramificar mais, mas só faça isso se ela ainda for vegetar por muitas semanas, para que dê tempo de se recuperar.


Muito obrigado por ter mandado sua mensagem e espero ter ajudado a esclarecer suas dúvidas e com isso ajudado também outras pessoas! Mandem suas mensagens e fotos para hempadao@gmail.com

+info: publicado originalmente no blog parceiro Hempadão, abril de 2012

É suficiente legalizar apenas o Cannabidiol?

Por Sergio Vidal

No último dia 14 de janeiro a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) decidiu regular os usos do cannabidiol (CBD). Em breve empresas, órgãos governamentais e instituições sem fins lucrativos poderão requerer autorização para cultivar maconha e produzir medicamentos à base da planta, desde que contenham exclusivamente CBD.
A maconha sintetiza naturalmente um número acima de 500 compostos, dos quais mais de 90 tipos são produzidos exclusivamente por plantas dessa espécie, os chamados cannabinóides. Entre os mais conhecidos estão o THC 9, THC 8, THCA, CBN, THCV, CBC, CBDA e o CBD, único liberado pela ANVISA para uso medicinal e pesquisas científicas.
A maconha é usada pelos seres humanos para diversas finalidades medicinais e terapêuticas há milhares de anos. A farmacopéia mais antiga da humanidade (livro medicinal contendo relação de doenças e respectivos remédios), datada de 3.750 antes de Cristo, já recomendava a erva para o tratamento de diferentes doenças e sintomas. Hoje, inúmeros cientistas em diferentes países aceitam o uso de remédios feitos à base de maconha como eficazes para tratar doenças e aliviar sintomas variados, entre as quais: AIDS, anemia falciforme, anorexia, ansiedade, artrite, ataxia, câncer, dependência por drogas, desordens digestivas, doença de crohn, distonia, dores crônicas, enxaqueca, cólicas, epilepsias, esclerose múltipla, esclerose amiotrófica lateral, espasticidade, glaucoma, reumatismo, dentre outras.
No Brasil, milhões de pessoas poderiam se beneficiar com o uso de fármacos contendo os princípios ativos da planta. No entanto, cada doença e enfermidade exige um equilíbrio bioquímico específico entre cannabinóides e um modo de administração próprio. Além disso cada variedade genética de maconha produz uma combinação específica desses compostos naturais.
Muitos estudos apontam o uso do cannabidiol isolado ou em combinação com diferentes doses de outros cannabinóides como muito eficiente no tratamento de algumas das doenças citadas. No entanto, apenas um número limitado de pacientes necessita de remédios contendo exclusivamente CBD. A grande maioria das doenças precisa de uma combinação dele com os outros compostos e alguns precisam inclusive de grandes doses de THC.
A regulamentação aprovada na última reunião da ANVISA é muito restritiva excluindo milhões de pessoas que necessitam de remédios com cannabinnóides que continuarão proibidos e também aqueles que não têm o dinheiro para arcar com os altos custos da importação. Cabe agora à sociedade civil organizada pressionar para que o governo e a Anvisa não mantenham essa regulamentação impeditiva e autorize o cultivo e produção nacional para fins de pesquisa e uso medicinal de todos os tipos de plantas de cannabis, com seus diferentes tipos de compostos medicinais.
As leis jamais deveriam ser feitas para bloquear o acesso de pessoas doentes aos medicamentos. O que realmente precisamos é de uma regulamentação dos usos da maconha para fins científicos e medicinais que seja plena e inclusiva e não atenda somente a alguns interesses específicos. É preciso que todos os tipos de remédios à base da planta, indicados para todas as enfermidades, estejam acessível e disponível a todos, inclusive através do Sistema Único de Saúde.
+Info: Publicado originalmente no jornal sergipano Cinform, e também no blog parceiro Hempadão

domingo, 23 de agosto de 2009

Professor Carlini fala sobre "maconha interna"


Um momento solene do 2º Congresso da ABRAMD – Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas – foi a palestra do professor Carlini , na cerimônia de encerramento do Congresso. Foi uma apresentação científica e com linguagem técnica, mas extremamente interessante ao abordar o tema sistema canabinóide do cérebro humano, trabalho pelo qual recebeu recentemente prêmio da comunidade científica internacional.

Relatou que quando em 1964 foi encontrado e isolado o tetraidrocanabinol (THC), sequer se conhecia o princípio ativo dessa planta. Tal descoberta deu lugar a dois questionamentos. Primeiro: se existe o THC, uma substância pura que age no cérebro, nele deve existir um receptor programado para recebê-la. Segundo: se esse receptor existe, nós devemos produzir espontaneamente uma espécie de maconha interna para atuar sobre ele.

Leia na íntegra: Blog da Psicotropicus



domingo, 26 de julho de 2009

Maconha, a nova fonte de renda dos EUA

Do Blog sobre Drogas

Reportagem publicada na edição deste domingo do Globo pela correspondente Marília Martins mostra que a maconha virou fonte renda municipal nos Estados Unidos. Confira abaixo a matéria e deixe o seu comentário!

Os eleitores de Oakland, cidadezinha perto de São Francisco, encontraram uma solução para melhorar as receitas da prefeitura: taxar o comércio da maconha. Isto mesmo! Desde que se tornou o primeiro estado a legalizar a maconha para fins medicinais em 1996, a Califórnia viu crescer uma indústria que hoje tem seu valor — nos negócios legalizados e nos ilegais — estimado em US$ 17 bilhões por ano. Por isto, os eleitores de Oakland decidiram que já é hora de a maconha legal passar a contribuir para melhorar as finanças municipais, deterioradas com a crise.

— Esta foi uma decisão histórica, que vai ajudar a cidade a se recuperar em tempos difíceis — diz Steve DeAngelo, líder dos produtores de cannabis em Oakland e promotor de uma campanha para convencer agricultores a colaborarem com as finanças municipais.

A cidade teve queda de arrecadação da ordem de US$ 83 milhões por causa da recessão americana e espera levantar pelo menos US$ 300 mil nos negócios de maconha legal do município. Para incrementar o comércio, a Apple acabar de lançar um aplicativo para iPhone, chamado Cannabis, que localiza em segundos pontos de venda e profissionais que ajudam consumidores a obter maconha legal. A base de dados é fornecida pela ONG Ajnag, que defende a legalização da erva.

Opositores da medida, reunidos na ONG Coalition for a Drug Free California, protestaram contra a decisão dos eleitores:

— É incrível que num momento de recessão econômica o município se volte para recolher impostos de uma droga que o país ainda considera illegal. A comunidade não deveria aceitar tornar-se dependente de uma produção agrícola tão discutível — avalia Paul Chabot, líder da ONG.

Para comprar maconha legalmente na Califórnia é preciso ter receita médica e adquirir o produto num dos postos de distribuição autorizados. Aceita-se pagamento com cartão de crédito, e cerca de 3,5 gramas da erva saem por US$ 102, incluindo entrega a domicílio. A maconha é receitada pelos médicos californianos em várias circunstâncias, como, por exemplo, no caso de pacientes com elevado índice de insônia ou para tratar determinados casos de alergia, em que o chá feito com a erva é indicado. O cultivo pelos produtores é fiscalizado pelas diversas prefeituras, e exige-se que a produção seja orgânica, o que eleva a qualidade da erva.

— Para aqueles que têm receita médica, o produto que recebem é de boa qualidade. As lojas são fiscalizadas e as quantidades vendidas da erva também. Ainda existe maconha vendida no mercado clandestino, mas a legalização do produto para uso médico fez com que a diferença de qualidade fosse sensível entre aquilo que é comercializado legalmente e o que se compra de forma ilegal — avalia o promotor Meredith Lintott, do condado de Mendocino, uma das regiões produtoras de maconha legal na Califórnia.

A Apple já vendeu mais de mil aplicativos Cannabis para iPhone e já existem mais de 30 serviços de twitter para informar consumidores sobre as notícias mais recentes da droga. A Califórnia é o estado pioneiro na taxação da maconha legal, mas desde que aprovou o comercio da maconha para uso medicinal, há 13 anos, outros 12 estados americanos já adotaram legislação semelhante.

De início, muitos pacientes foram autorizados a ter uma pequena plantação em vasos domésticos, para consumo individual, mas com o tempo a industrialização foi se impondo. Numa pesquisa feita com 2.500 pacientes de tratamentos à base de maconha na região de Berkeley, em São Francisco, o advogado Tod Mikuriya constatou que mais de dois terços dos pacientes apresentavam melhoria de seu quadro clínico, ligado a doenças de pele relacionadas a condições nervosas alteradas. Há também os chamados clubes fechados, os pot-clubs, que são resenhados por especialistas para atestar a qualidade dos serviços. Um deles, WeedesMaps.com, faturou cerca de US$ 250 mil em um ano de funcionamento.

Vereadores de São Francisco querem agora seguir o exemplo de Oakland. O democrata Tom Ammino, por exemplo, acha que se a mesma lei for aprovada em sua cidade, a prefeitura poderá arrecadar cerca de US$ 349 milhões por ano.

— Esta é uma indústria que está crescendo e chegou a hora de ver os produtores contribuírem para as finanças da prefeitura, especialmente num momento de crise. E o dinheiro poderá inclusive ser usado para ajudar a polícia a combater o tráfico ilegal da erva — avalia Ammino.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Email de um brasileiro na Califórnia

E-mail recebido hoje no contadoananda@gmail.com,


Enviado por Luiz Diego Burza - Formado pela Oaksterdam University L.A, membro da Medical Cannabis Association, paciente regulamentado, residente na Califórnia.


"Primeiramente gostaria de parabenizar a iniciativa da Carta Aberta e pedir inclusão do meu nome na mesma e parabenizar também os organizadores das Marchas da Maconha.

Aqui na Califórnia, temos passado por uma série de mudanças positivas em relação ao uso da maconha medicinal e também do uso adulto. Tivemos a THC Expo L.A. que foi um grande evento, como também temos tido várias festas, encontros e reuniões voltadas à conscientização.


A maconha medicinal tem um poder terapêutico incomparável a muitos químicos. Convivo com outros pacientes que tem a maconha como algo indispensável ao lidar com dores, enjôos e outros sintomas.


Escrevi para alguns grupos de pacientes brasileiros que poderiam se beneficiar da maconha medicinal perguntando sobre estudos no Brasil, mas somente tive respostas negativas. A palavra que uso é pesada, mas é Medíocre e Imatura a mentalidade da sociedade brasileira que somente visualiza a maconha como uma droga que queima neurônios. Não, muito pelo contrario e o mesmo país que antes condenava (EUA), têm hoje a patente dos resultados de pesquisas provando os avanços na cura do Mal de Alzheimer.


Já que acreditamos nas mentiras que este mesmo EUA jogaram ao mundo como prova o filme "Grass: The history of marijuana", é hora de acreditarmos novamente nas mudanças que vem ocorrendo aqui. Não somente porque a maconha não nos faz mal algum, sobretudo porque ela melhoraria e muito a qualidade de vida de muitos brasileiros que hoje nem sabem da existência do uso terapêutico. Maconha é para ser remédio barato, plantado em casa!


Boa Sorte na luta de vocês, ativistas da minha pátria amada!


Abraços, Luiz Diego"