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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Como atender a enorme demanda dos pacientes brasileiros por remédios de cannabis?


Atualmente surgem novos estudos a cada dia comprovando que medicamentos feitos à base da resina da cannabis são eficazes no tratamento de diversas doenças. Um número  cada vez maior de cientistas em diferentes países têm aceitado o uso desses remédios e dos extratos de maconha como eficazes para tratar doenças e aliviar sintomas variados. Entre os possíveis beneficiados estão pacientes com AIDS, anemia falciforme, anorexia, ansiedade, artrite, ataxia, câncer de diferentes tipos, dependência de drogas, desordens digestivas, doença de Crohn, distonia, dores crônicas, enxaqueca, cólicas, epilepsias, esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica, espasticidade, glaucoma, reumatismo, dentre outras doenças. Todas elas podem ser tratadas diretamente com medicamentos feitos com cannabis ou extratos da planta, ou podem ter seus sintomas aliviados de alguma maneira com o uso da erva.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

História do uso Medicinal da Maconha no Brasil


Antes de qualquer palavra sobre a “história do uso medicinal da maconha no Brasil” ou de qualquer outro aspecto da história brasileira é preciso fazer a ressalva de que, na verdade, ela não é apenas tudo que ocorreu nos últimos 500 e poucos anos. Antes dos colonizadores chegarem aqui o território já era ocupado por inúmeras nações indígenas, muitas das quais foram subjugadas ou exterminadas, outras tiveram uma diminuição drástica na sua população e perderam quase todo território que possuíam, ficando restritos a reservas demarcadas pelo estado brasileiro. A partir de 1550, os colonizadores começaram a trazer negros escravizados da África, oriundos de diferentes nações africanas, muitos deles com tradição e cultura do uso da cannabis para diferentes fins. O que quero dizer é que qualquer aspecto da história do Brasil, incluindo aí os que tiverem relação com a cannabis, é composto da relação de diferentes povos e culturas, cada uma delas com sua própria tradição e histórico de relações com esta planta. Ou seja, a história dos usos medicinais da maconha no Brasil não é formada por povos que desconheciam a cannabis, muito ao contrário, é composta da mistura de diferentes culturas e tradições do uso da planta, que se mesclaram, modificaram, competiram etc, para formar a história da qual hoje contaremos uma pequena parte.

domingo, 23 de agosto de 2015

Cursos de Cultivo para fins Medicinais em Salvador e Aracaju

Work-shop realizado nos dias 23 e 24 de abril de 2015 em Balneário Camboriú
Promovido pela loja GreenPower e pelo Instituto da Cannabis
O que: Curso completo de cultivo para fins medicinais (incluindo apresentação com projetor)
Quando: Sábado - Dia 5/9 em Salvador e 19/9 em Aracaju
Duração: 5 horas - das 14 às 19hs
Público: Pacientes, Familiares de pacientes, membros de associações e instituições que representem ou trabalhem com pacientes, pesquisadores, profissionais de saúde, estudantes e demais interessados no tema.
Facilitador: Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal Introdução ao Cultivo

Desde que lançou o livro Cannabis Medicinal introdução ao cultivo, em dezembro de 2010, Sergio Vidal vem promovendo palestras, oficinas, workshops e cursos focados nos aspectos botânicos e terapêuticos da erva. Eventos do tipo já foram realizados em Florianópolis, Balneário Camboriú, Recife, João Pessoa, Fortaleza, Salvador, Aracaju, São Paulo, Belo Horizonte e Viçosa. Ao longo dos anos o conteúdo vem sendo atualizado e revisado. Como vimos acima, as próximas que estão agendas serão realizadas em Salvador (5/9) e Aracaju (19/9)

Inscrições: Para confirmar sua presença é preciso incluir o nome na lista, enviando email para sergiociso@yahoo.com.br É necessário fazer inscrição na lista mesmo os que forem efetuar o pagamento na hora.

Investimento: 
Antecipado (promocional): R$ 34,20 pagamento antecipado através do link (http://mpago.la/dUSS), podendo dividir no cartão ou a vista. Pagamentos antecipados concorrem num sorteio a um exemplar do livro Cannabis Medicinal Introdução ao cultivo.
No dia:R$ 40,00 pagamento a vista no dia do evento.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Guia de Referência: Terapia com Maconha Medicinal de A a Z - INTRODUÇÃO

Guia de Referência: Terapia com Maconha Medicinal de A a Z
Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo



Introdução:

Atualmente, segundo a Lei 11.343 em vigor desde 2006, a União, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), pode autorizar o uso da maconha exclusivamente para fins medicinais e científicos.

Hoje são inúmeras doenças e sintomas que podem ser tratados ou curados com o uso medicinal dos princípios ativos produzidos pela maconha e qualquer busca mais detalhada sobre tema pode revelar isso. A partir de hoje, iremos publicar aqui no blog a lista das diferentes doenças e sintomas que podem ser tratadas com o uso da maconha e remédios à base da erva. Começaremos com uma breve introdução, falando mais a respeito a planta e das diferentes formas de administração dos seus princípios ativos.

ATENÇÃO: A maconha, seus extratos ou qualquer produto feito com a planta só podem ser usados para fins medicinais por pessoas que tenham prescrição de um(a) médico(a) e sejam autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Não recomendamos a nenhuma pessoa fazer uso por conta própria, sem recomendação e prescrição de um profissional de medicina, muito menos sem autorização da ANVISA. Todas as informações contidas nesta página servem apenas para informar a respeito do potencial terapêutico da planta e orientar na busca de informações adicionais. O uso de maconha e derivados ou de qualquer outro medicamento deve ser realizado apenas sob supervisão, prescrição e orientação de um(a) médico(a).
Caso você ou seu médico precise, a AMEMM pode auxiliar fornecendo informações sobre o uso medicinal da maconha ou te ajudando a encontrar um médico que prescreva próximo a você. Saiba mais: Associação Multidisciplinar de Estudos sobre Maconha Medicinal (AMEMM), ou escreva para contatoamemm@gmail.com

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O cuidado com a saúde das raízes no jardim de maconha medicinal

Por Sergio Vidal, autor do livro Cannabis Medicinal introdução ao Cultivo
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Quando cuidamos de uma plantação de maconha medicinal o que mais queremos e ver nossas queridinhas saudáveis, com folhas bem verdosas e cheias veias e serrilhados perfeitos, talos e caules grossos e, principalmente flores gordas e pegajosas. Mas, pouca gente lembra-se de colocar nessa lista de qualidades que buscamos um crescimento das raízes vigoroso e abundante. O fato é que pouca gente se lembra da parte da planta que fica escondida debaixo da terra. A maioria só pensa que a raízes são apenas um meio para alcançar o fim, que é dar água e nutrientes ao resto da planta, a parte que nos interessa mais. Mas não é bem assim.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O uso do cannabidiol (CBD) para o tratamento de eplepsia

  1. O que é o cannabidiol?
    Cannabis sativa é uma planta que contém aproximadamente 60 compostos farmacologicamente ativos (figura 1). O cannabidiol é um destes componentes, foi identificado em 19631. Tem as características de ser não psicoativo (não causa alterações psicosensoriais) e de ter baixa toxicidade e alta tolerabilidade em seres humanos e animais2.
    Figura 1. Planta Cannabis sativa
    Figura 1. Planta Cannabis sativa

Breve História do cultivo e uso da maconha para fins medicinais

Introdução 

A Cannabis sativa, mais conhecida no Brasil pelo nome de maconha, é uma das plantas mais antigas cultivadas pelos seres humanos. Há, pelo menos, 12.000 anos, pessoas de todo o planeta, de diferentes países e tradições culturais fazem uso tanto das suas partes psicoativas quanto daquelas não psicoativas. Seja por suas potencialidades medicinais, nutricionais, pelas utilidades de suas fibras têxteis, de seu óleo combustível ou, ainda, por suas propriedades psicoativas, consumir derivados de Cannabis sempre foi algo natural às sociedades humanas. A mais antiga farmacopeia conhecida, o Pen-ts’ao Ching, é também um dos registros históricos mais antigos sobre o uso medicinal da cannabis. O documento foi compilado no primeiro século da Era Cristã, mas é baseado na tradição oral chinesa do Império Shen-Nung (2.700 a.C.).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O poder da maconha medicinal, os limites do uso do CBD isolado e um pouco de história

O que chamamos maconha são as flores das plantas fêmeas da espécie Cannabis sativa, em qualquer uma de suas variedades. Todas as variedades de maconha produzem plantas machos e fêmeas. As fêmeas produzem em suas flores uma grande quantidade de uma resina pegajosa. A maconha sintetiza naturalmente um número acima de 500 compostos, dos quais mais de 90 tipos produzidos exclusivamente por plantas dessa espécie, os chamados cannabinóides. Entre os mais conhecidos estão o THC 9, THC 8, CBN, THCV, CBC e o CBD, também como Cannabidiol, que atualmente é o que tem ganho maior destaque na mídia e foi liberado para uso medicinal e científico no país.
A maconha é usada pelos seres humanos para diversas finalidades medicinais e terapêuticas, dentre outras, há milhares de anos. A farmacopéia mais antiga da humanidade (livro medicinal contendo relação de doenças e respectivos remédios), escrito no ano de 3.750 antes de Cristo, já recomendava a erva para o tratamento de diferentes doenças e sintomas.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Opinião: Precisamos regulamentar e nacionalizar com urgência a produção de maconha medicinal

Por Sergio Vidal

Hoje, inúmeros cientistas em diferentes países aceitam o uso de remédios feitos à base de maconha como eficazes para tratar doenças e aliviar sintomas variados, entre as quais: AIDS, anemia falciforme, anorexia, ansiedade, artrite, ataxia, câncer, dependência por drogas, desordens digestivas, doença de crohn, distonia, dores crônicas, enxaqueca, cólicas, epilepsias, esclerose múltipla, esclerose amiotrófica lateral, espasticidade, glaucoma, reumatismo, dentre outras.
No Brasil, milhões de pessoas poderiam se beneficiar com o uso de fármacos contendo os princípios ativos da planta. Porém, cada doença e enfermidade exige um equilíbrio bioquímico específico entre cannabinóis, terpenos, um modo de administração singular, e cada variedade genética de maconha tem uma combinação específica dos compostos naturais. São mais de 85 moléculas produzidas exclusivamente por plantas de maconha, além do THC e CBD, os mais conhecidos.
Qualquer pessoa que tenha se aprofundado um pouco mais na história do Brasil que não contam nas escolas sabe que, desde o início da colonização até quase o século XX, muitos brasileiros cultivaram legalmente maconha em diversas regiões do país, inclusive o próprio governo, por meio da Real Feitoria do Linho-Cânhamo. As produções tinham como objetivo principal a extração das fibras das plantas. À época, principal cultivo têxtil no mundo. Mas o cultivo era tão difundido culturalmente que também havia muitos usos para fins medicinais, e suas sementes, embora não tendo princípios ativos, mas apenas nutrientes benéficos e óleos vegetais, eram usadas como alimento humano e matéria-prima do óleo combustível para lamparinas, dentre outros usos registrados em documentos.
Nessa época, havia o uso medicinal tradicional feito pela população com a erva comprada nas feiras e boticários, ou cultivada em casa, e também o uso medicinal oficial, com médicos prescrevendo diferentes remédios à base da resina da maconha, para variadas enfermidades e sintomas, vendidos nas farmácias com autorização do Estado.
Em 1932, alguns políticos, ignorando os apelos feitos na época por médicos e farmacêuticos, proibiram totalmente a maconha, com o objetivo de conter o consumo recreativo, e “regular” os usos medicinais, científicos e industriais. Fizeram isso sem sequer levar em conta as inúmeras pessoas que sofreriam por falta de acesso aos medicamentos. No entanto, a violenta política proibicionista teve como consequência o fato de que o uso industrial das fibras e o uso medicinal foram totalmente extintos por conta da burocracia impeditiva, enquanto, por outro lado, a produção clandestina voltada para o uso recreativo não foi contida; ao contrário, se expandiu.
Hoje (14), em reunião especial, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende discutir a regulamentação do uso de produtos exclusivamente à base de CBD, ou que contenham quantidade muito reduzida de THC ou outros compostos. Porém, apenas um número limitado de pacientes necessita de remédios contendo apenas CBD. A grande maioria das doenças precisa de uma combinação do CBD com as outras moléculas, e alguns precisam inclusive de grandes doses de THC. Além disso, a agência se propôs a discutir apenas a importação de produtos, excluindo a possibilidade da produção nacional.
Essa atitude afeta milhões de pessoas que necessitam de remédios com cannabinnóides que continuarão proibidos e também aqueles que não têm o dinheiro para arcar com os altos custos da importação. Cabe agora à sociedade civil organizada pressionar para que o governo e a Anvisa não cometam o mesmo erro do passado e tornem impeditivo o cultivo e produção nacional para fins de pesquisa e uso medicinal, algo que já está previsto desde 2006, quando entrou em vigor a Lei 11.343.
As leis jamais deveriam ser feitas para bloquear o acesso de pessoas doentes aos medicamentos. O que realmente precisamos é de uma regulamentação dos usos da maconha para fins científicos e medicinais que seja plena e inclusiva e não atenda somente a alguns interesses específicos. É preciso que todos os tipos de remédios à base da planta, indicados para todas as enfermidades, estejam acessíveis a todos. E não é regulamentando exclusivamente a importação de CBD que vamos fazer isso.
+info: originalmente publicado na Revista Fórum, janeiro, 2015