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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Opinião: O Globo fala sobre a Guerra às Drogas

O Globo

Estima-se que os Estados Unidos já tenham enterrado meio trilhão de dólares na guerra contra os entorpecentes. Como decorrência social de seu programa antidrogas, o país mantém 500 mil usuários presos. A posição americana na política de combate ao tráfico e ao consumo, centrada no viés policial-militar, é predominante em todo o mundo. Mas, apesar dos pesados investimentos do governo dos EUA, em dinheiro e em pessoal, o mercado de drogas não dá sinais de encolhimento, movimentando em média, por ano, cerca de US$ 320 bilhões em todo o mundo. Como é consenso que o uso de entorpecentes prejudica a saúde e, nas regiões do planeta onde o abastecimento das substâncias passa pelo tráfico, alimenta índices de criminalidade, é evidente que tal programa, mesmo contando com a simpatia de boa parte da sociedade, está atolado em algum equívoco. 

Leia na íntegra no fórum do Growroom

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Contra o “revide” da Segurança Pública do Rio de Janeiro

Manifesto Público

As operações policiais que estão sendo realizadas pela polícia do Rio de Janeiro desde o dia 17 de outubro, após a queda de um helicóptero no morro São João, no Engenho Novo, próximo ao Morro dos Macacos, já têm um saldo de mais de 40 pessoas mortas e um número desconhecido de feridos. É o resultado evidente de uma política de segurança pública baseada no extermínio e na criminalização da pobreza, que desconsidera a vida humana e coloca os agentes policiais em situação de extrema vulnerabilidade.

A lamentável queda do helicóptero e a morte dos três policiais não pode servir como mais um pretexto para ações que, na prática, significam apenas mais violência para os moradores das comunidades atingidas e mais exposição à vida dos policiais. Ao se utilizar do terror causado pelo episódio para legitimar ações que violam a lei e os direitos humanos, o Estado se vale de um sentimento de vingança inaceitável. Em outras palavras, aproveitando-se da sensação de medo generalizada, o governo de Sérgio Cabral oculta mais facilmente as arbitrariedades e violações perpetradas nas favelas, como o fechamento do comércio, de postos de saúde e de escolas e creches – além, é claro, das pessoas feridas e das dezenas de mortos.

A sociedade carioca não pode mais aceitar uma política de segurança pautada pelo processo de criminalização da pobreza e de desrespeito aos direitos humanos. Definitivamente, não é possível jogar com as vidas como faz o Estado contra os trabalhadores – em especial os pobres, os negros e os moradores de favela – utilizando-se como desculpa a chamada “guerra contra as drogas”.

As organizações da sociedade civil, movimentos sociais, professores da rede pública e outros preocupados com a situação que há cerca de uma semana mobiliza o Rio de Janeiro se uniram para exigir o fim das incursões policiais baseadas na lógica do extermínio e a divulgação na íntegra da identidade dos mortos em conseqüência dessas ações. Até o fim da semana, o coletivo fará visitas às comunidades atingidas e se reunirá com moradores para ouvir relatos relacionados à violência dos últimos dias. Na quinta-feira, dia 5 de novembro, haverá um ato em frente à Secretaria de Segurança Pública, no Centro do Rio.

Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2009

Justiça Global
CRP – Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro
SEPE - Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação
DDH - Defensores de Direitos HumanosGrupo Tortura Nunca Mais
CDDH - Centro de defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis
Central de Movimentos Populares
Projeto Legal
Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência
Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola
PACS – Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul
MNLM – Movimento Nacional de Luta pela Moradia
Mandato do Deputado Estadual Marcelo Freixo
Mandato do Deputado Federal Chico Alencar
Mandato do Vereador Eliomar Coelho
DPQ – Movimento Direito Pra Quem?
Fazendo Média
NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação
Agência Pulsar Brasil
Revista Vírus Planetário
ENECOS - Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social
AMARC – Associação Mundial das Rádios Comunitárias
APN – Agência Petroleira de Notícias
O Cidadão – Jornal da Maré
ANF – Agência de Notícias das Favelas
Coletivo Lutarmada Hip-hop
ConlutasIntersindical
Círculo Palmarino
Fórum 20 de Novembro

ASSINE ESSE MANIFESTO AQUI

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Guerra às Drogas: Uma forma de controlar a democratização


Entrevistado pelo La Jornada, um dos intelectuais dissidentes mais relevantes de nossos tempos assinala que a esperança e a mudança anunciada por Barack Obama é uma ilusão, já que são as instituições e não os indivíduos que determinam o rumo da política. Noam Chomsky fala sobre a América Latina, definindo-a como uma das únicas regiões do mundo onde há uma resistência real ao poder do império. "Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial".

Presente no México para celebrar os 25 anos de La Jornada, o autor de mais de cem livros, lingüista, crítico antiimperialista, analista do papel desempenhado pelos meios de comunicação na fabricação do consenso, explica como a guerra às drogas iniciou nos EUA como parte de uma ofensiva conservadora contra a revolução cultural e a oposição à invasão do Vietnã.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Drogas: oito anos de descriminalização em Portugal

Quando se trata de discussões sobre política de drogas e proibicionismo, boa parte delas gira em torno de teorias. Uma ação que está começando a chamar a atenção é a descriminalização do uso das drogas, que, em outras palavras, é o que acontece quando usuários de drogas contornam o sistema de justiça criminal e vão direto para o sistema de saúde.

Pouco conhecido nos círculos dos formuladores de políticas públicas é o caso de Portugal, uma nação que deu o passo de descriminalizar o uso de todas as drogas em 2001.

"Eles o fizeram por uma única razão: estavam muito preocupados com altas taxas de abuso de drogas nos anos 90 – mais especificamente com a heróina -, então chegaram à conclusão de que descriminalizar era o único caminho para baixar as taxas de abuso", diz o jornalista e comentarista político Glen Greenwald, que escreveu um relatório sobre os oito anos de descriminalização em Portugal para o Instituto CATO dos Estados Unidos.

Leia na íntegra: Comunidade Segura

sábado, 1 de agosto de 2009

Novas bases militares dos EUA na Colômbia. Guerra às drogas serve de pretexto

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

Já escrevi tanto, que perdi a conta. Também falei em inúmeros foros internacionais, –incluídos os sob o patrocínio das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA)–, que a “war on drugs” é utilizada para esconder, camuflar, interesses geoestratégicos, geopolíticos e geoeconômicos.

No momento, os EUA e a Colômbia, –como ficou acertado em Washington na visita feita por Álvaro Uribe a Barack Obama e a anteceder o G8 deste julho–, cuidam de alinhavar o projeto de construção de três (3) bases militares em território colombiano: Palanquero, Malambo e Apiay.

Leia na íntegra: Blog Sem Fronteiras

quinta-feira, 23 de julho de 2009

22/07: Dia em Memória das Vítimas da Guerra às Drogas

E-mail enviado pelo companheiro Dênis Petuco, educador popular, redutor de danos, terapeuta comunitário e cientista social. Dênis fez uma tradução rápida de uma carta recebida por um ativista na Dinamarca e disponibiliziu para nós uma versão. Acrescento apenas que à triste conta exibida na carta, poderia ser somado os dados de outros países. Milhares ou milhões de pessoas que já morreram, vítimas diretas ou indiretas da Guerra às Drogas e suas consequências - postura política oficialmente adotada por diversos países desde o início do século XX, incluindo o Brasil. Continuamos em luto por essas vítimas e, infelizmente, não temos perspectiva de quando esse luto poderá terminar.


"Copenhagen, 22 de julho de 2009 – Dia da Memória

Seis anos atrás, a União Dinamerquesa de Usuários de Drogas (BrugerForeningen) estabeleceu um monumento, na qual a marca o Dia Internacional da Lembrança para Usuários de Drogas. Uma pedra e inscritos em uma árvore na esquina de um pequeno pedaço de grama triangular, em uma rua paralela a uns dos principais locais de uso de drogas de Copenhagen.

Eu participei de todas estas cerimônias, e todos os anos um novo dispositivo é utilizado para indicar o número de registros oficiais de overdoses na Dinamarca. Este ano, a relva estava coberta com filas de pequenas cruzes brancas: 275 deles. Cada marcação triste lembra a gratuita perda de uma vida. Sentado no meio das cruzes antes da cerimônia, tentava pensar. Fiquei chocado com a obscenidade do espetáculo e do que ela representava. 275 vítimas de uma imoral e inútil guerra às drogas. Cada uma destas cruzes não representa uma morte relacionada à droga, mas à proibição, que com seus efeitos colaterais, causa estas mortes.


Eu tentei falar destas coisas, mas as palavras não me ajudaram muito. Vito Georgievski, da Macedônia, e o secretário-geral da INPUD (Rede Internacional de Pessoas que Usam Drogas), Mikael Johanesson, da União de Usuários de Drogas da Suécia, cada um falou da situação dos usuários de drogas em países com regimes de controle especialmente duros. Jørgen, Presidente da BrugerForeningen, falou da dificuldade para angariar apoio em torno dos debates sobre leis para heroína na Dinamarca.


Termino com um trecho de um canto de uma canção dinamarquesa de resistência ao nazismo; seu verso final é pungente, como nós, consumidores de drogas que continuamos resistindo à guerra que está sendo travada contra nós.

Luta por tudo o que você amar,

Combate à morte, se necessário,

Então, nem vida nem morte vão parecer demasiado duras.


Eliot Albert"