sexta-feira, 24 de março de 2017

Orgânicos ou Químicos? Dicas do Homem Planta direto da Califórnia

Originalmente publicado em 2011 no Hempadão, revisado e atualizado

Em 2011 eu bati um papo bem interessante com um cultivador brasileiro que vive na Califórnia. Eu ainda estava iniciando os estudos sobre o tema do cultivo e uma das dúvidas mais recorrentes era a respeito das vantagens e desvantagens no uso de fertilizantes orgânicos ou químicos, com uma forte rejeição de alguns aos químicos, sem um maior aprofundamento da questão. Na época ele me disse:

“Desbalanço de nutrientes pode matar a vida do solo, mas a presença de nutrientes já mineralizados e quelatados não faz nada de mal para o solo. Quanto a gosto e etc, isso depende de quem está plantando, tem gente que não tira fumo bom nem de orgânico, eu por exemplo, tiro fumo melhor que muitos dos orgânicos do clube com meu GH (General Hidroponics).

Quanto a diferença entre orgânico e químico, na minha visão a diferença vai estar apenas nas mãos no cultivador. Se o cara não souber ser um nutricionista para as plantas, elas vão sofrer se ele for usar fertilizante químico.
  
Os fertilizantes "químicos" não são nada mais que os mesmos materiais presentes em um solo compostado, já mineralizados, selecionados e quelatados. O que significa que sua estrutura está formada para a melhor absorção pela planta. Agrupando os minerais e metais juntos para uma absorção e fotossintetisação mais rapida.

O que já não acontece no cultivo orgânico onde os nutrientes vão sendo liberando de acordo com o desenvolvimento da rizosfera pois a mineralização dos mesmos depende da simbiose natural dos fungos e das bactérias ali presentes no solo. Que como a gente sabe, vai ocorrer de acordo com a troca de carboidratos com a planta. Aquela velha simbiose que mantem o solo e as plantas vivos na natureza.”

As pontas das folhas estão queimando, o que pode ser? Overfert, pH, Flush...

Esse texto foi originalmente publicado no site Hempadão, na coluna Cultivo Vital
Publicado em junho de 2012, revisado e atualizado.

Primeiro queria me desculpar pela falta de texto nas últimas 2 semanas. Estive na Marcha da Maconha de Brasília dia 25 de maio e, em seguida, fui à de João Pessoa, dia 26, onde fiquei até o dia 29. Por causa desses e de outros compromissos acabei não podendo escrever o texto a tempo e só agora estou retomando a coluna. Essa semana vou tentar responder a dúvida de um leitor que nos mandou sua foto.

“Boa tarde galera.. Será que podem me ajudar? As minhas plantinhas estão florando e as folhas estão queimadas nas pontas, isso é normal? Existe algo que possa fazer para evitar ou reverter o processo? Segue a foto.. Desde já , obrigado”

Não sei se poderei ajudar, pois é difícil fazer um diagnóstico preciso apenas olhando as folhas. Também seria importante ver a planta como um todo, para ver se isso se apresenta em todas as folhas, ou apenas nas mais novas. Na foto eu vi que tem uma folha mais antiga que não apresenta essa “queimação” nas pontas.

Seria muito importante também saber o que há no solo no qual a planta está sendo cultivada e qual o regime de nutrição. Se o solo for inerte, ou seja, sem qualquer substrato com nutrientes, muito provavelmente pode ser uma escassez de micro-nutrientes. Essa é uma das suspeitas, pois aparentemente as folhas mais velhas estão bem, com um verde mais escuro, e se mostrando mais saudáveis e sem essas pontas queimadas. Mas precisaria saber o que há no solo. O solo precisa ser rico em Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Magnésio (Mg) e Cálcio (Ca), além de conter micronutrientes como Boro, Ferro, Zinco, dentre outros. Se o solo é inerte o cultivador precisa ficar muito atento, pois é necessário suprir todas as necessidades da planta com fertilizantes. Quando o solo é preparado com substratos ricos em nutrientes, como estercos, farinhas, tortas, dentre outros, há uma quantidade grande de diversos nutrientes que formam uma reserva que a planta pode utilizar, sem precisar recorrer à alimentação extra via fertilizantes, ao menos no período vegetativo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Iluminação Cultivo Indoor Grow com Sergio Vidal

Expoweed Chile: Sergio Vidal Entrevista Camila da Unity, coletivo de red...



E nesse video Sergio Vidal entrevista a ativista Camila do Unity Chile, coletivo de redução de danos chileno, que é um braço do coletivo Unity Holandês, criado em 1996 em Amsterdam, com o objetivo de diminuir os danos provocado pelo consumo de alcool e outras drogas.


Um bate papo sobre o uso de drogas de todos os tipos na sociedade chilena, como os chilenos lidam com isso e quais as formas de prevenção e cuidados com os usuários.


Troca de informação com nossos hermanos latinos!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

GANJA FARMA: A FARMÁCIA DE MACONHA DA COLÔMBIA

































Por Sergio Vidal


Esta estabelecimento colombiano se converteu na primeira farmácia canábica do país e atende mais de 450 pacientes com diferentes tipos de doenças e enfermidades. Na falta de uma regulamentação do governo para poderem trabalhar eles criaram as próprias regras para assegurar a qualidade da erva cultivada e dos remédios produzidos. seu objetivo é garantir o máximo de qualidade em todas as etapas do processo produtivo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Os usos medicinais da maconha no Brasil atual

Por Sergio Vidal para o Ganja Talks


O uso medicinal da maconha não é uma novidade. Em verdade, os seres humanos conhecem esta erva há mais de 12.000 anos e sempre a usaram para tratar diferentes sintomas e enfermidades. No entanto, quando a planta foi tornada mundialmente ilegal na década de 1930, a ciência havia podido conhecer relativamente pouco de todo seu potencial terapêutico. Até a segunda metade do séc. XX, a maior parte dos usos eram oriundos de farmacopeias tradicionais e os preparados se restringiam à infusões, extratos, preparados alimentícios, emplastros feitos com diferentes tipos de cannabis, dentre outros , todos feitos sem maior controle dos índices e proporções de cada um dos princípios ativos produzidos pela planta. Os usos medicinais eram baseados no saber tradicional de diferentes povos e civilizações que fizeram uso dela ao longo dos milênios, mas a ciência moderna teve pouco tempo para estudá-la antes da sua criminalização.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Com vocês a maconha, a planta mais polêmica da História



Por Sergio Vidal para o Ganja Talks

A maconha já faz parte da vida dos seres humanos há muitos milênios. Alguns cientistas defendem inclusive que a cannabis da atualidade é muito diferente do que era em sua origem. Segundo eles, a erva teria se modificado, adaptando-se de acordo com a convivência com os humanos à medida que era semeada em diferentes regiões e climas em todo planeta, ao longo dos milênios, num processo de seleção semelhante ao ocorrido com os cães. Os cães não existiam antes da relação com os humanos, que passaram a selecionar e domesticar lobos selvagens há alguns milênios, num processo que acabou gerando a inúmera variedades de cães domesticados existentes na atualidade.

Ao longo de todo esse tempo, até os dias de hoje, muitas histórias incríveis ocorreram por causa da relação dos humanos com essa planta tão especial. No texto de hoje contaremos um pouco dessa história, que demonstra o quanto é bastante variada a maneira com que a humanidade usou a cannabis, numa relação forte, profunda e complexa, que variou de polos tão opostos e intensos como amor ao ódio, entre períodos que a consideramos o vegetal mais importante do mundo até a decretação de que deveria ser uma planta extinta em nível mundial.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Quais fatores influenciam nos efeitos da maconha?


Quando estamos falando da cannabis do ponto de vista dos efeitos medicinais, ou mesmo apenas dos psicoativos, precisamos compreender que não existe uma resposta simples, pois existem diferentes fatores que influenciam em como serão esses efeitos. Tipo de planta, técnicas de cultivo, métodos de extração e consumo, todos esses são apenas alguns dos fatores que podem interferir na forma como a cannabis atua no organismo. No caso específico dos efeitos psicoativos existem ainda fatores que são externos às questões farmacológicas e dizem respeito à psiquê do indivíduo, suas condições sociais, dentre outros fatores. Nesse texto vamos falar a respeito dos principais fatores que influenciam nos efeitos psicoativos da cannabis.

Os fitocannabinóides e seus efeitos

Mitos e Fatos sobre a maconha. Parte II


Maconha não tem propriedades medicinais, isso é desculpa para legalizar uma droga recreativa – MITO ou FATO?

MITO – Esse é um mito relativamente recente na história humana, já que a maconha foi proibida a menos de 100 anos e antes desse período nenhum dos seus usos havia sido criminalizado. É um mito baseado no total desconhecimento a respeito da história da humanidade e de como a maconha foi uma importante matéria-prima em diferentes períodos e também ignorância a respeito do conhecimento científico sobre os usos medicinais dos seus princípios ativos.

A maconha foi uma das primeiras plantas descobertas como útil e domesticada pelos seres humanos, há mais de 12 mil anos. Sempre fizemos dela diferentes usos, nas mais variadas civilizações e sociedades e a maior parte dos usos da planta sempre foram das partes não-psicoativas (fibras e sementes), ainda que sempre tenha havido uma ampla utilização das suas propriedades medicinais. O registro escrito mais antigo do uso medicinal da maconha tem cerca de 5000 anos e trata-se da primeira farmacopeia conhecida, escrita na China. Quando ela foi proibida no Brasil em 1932, médicos e farmacêuticos fizeram reclamações a respeito de como a medida iria prejudicar o acesso a uma ampla variedade de medicamentos. Nos EUA ocorreu o mesmo quando ela foi proibida em 1937. Podemos dizer, portanto, que a luta pela legalização do uso medicinal surgiu junto com a sua proibição, muito antes dos movimentos pela regulamentação dos usos recreativos, surgidos na década de 1960.

Mitos e Fatos sobre a maconha. Parte I


Durante toda história da relação dos seres humanos com a maconha e até os dias de hoje, diferentes lendas, mitos, superstições e crendices foram criadas em torno da erva e dos mais variados aspectos relacionados com o seu consumo. Alguns desses mitos foram abandonados e poucas pessoas levam eles a sério na atualidade, porém outros continuaram fortes até os dias de hoje e seguem sendo utilizados como argumentos inclusive em debates sobre o tema. Nesta série de artigos vamos falar a respeito dos principais mitos a respeito da maconha que existem na atualidade. Também vamos falar a respeito de alguns fatos importantes pouco conhecidos a respeito da erva, ou que são considerados um mito entre os usuários e defensores da legalização.

Por ser proibida a maconha faz mais mal do que álcool, tabacos e remédios – MITO ou FATO?

Como atender a enorme demanda dos pacientes brasileiros por remédios de cannabis?


Atualmente surgem novos estudos a cada dia comprovando que medicamentos feitos à base da resina da cannabis são eficazes no tratamento de diversas doenças. Um número  cada vez maior de cientistas em diferentes países têm aceitado o uso desses remédios e dos extratos de maconha como eficazes para tratar doenças e aliviar sintomas variados. Entre os possíveis beneficiados estão pacientes com AIDS, anemia falciforme, anorexia, ansiedade, artrite, ataxia, câncer de diferentes tipos, dependência de drogas, desordens digestivas, doença de Crohn, distonia, dores crônicas, enxaqueca, cólicas, epilepsias, esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica, espasticidade, glaucoma, reumatismo, dentre outras doenças. Todas elas podem ser tratadas diretamente com medicamentos feitos com cannabis ou extratos da planta, ou podem ter seus sintomas aliviados de alguma maneira com o uso da erva.