quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A mudança na legislação e na política de drogas é urgente

Discurso feito no Grande Expediente da Câmara dos Deputados pelo Deputado Paulo Teixeira (PT-SP) em 28 de outubro

Senhor Presidente
Senhores deputados, senhoras deputadas

Venho a essa tribuna para discutir o tema da violência e a sua associação com o comercio ilegal das drogas, duas questões que estão intimamente vinculadas e que tanto preocupam a sociedade brasileira.

Neste mês de outubro assistimos a cenas preocupantes de violência no Rio de Janeiro, com a derrubada de um helicóptero, que matou três policiais militares: o soldado Marcos Stadler Macedo, o soldado Edney Canazaro de Oliveira, e o cabo Izo Gomes Patrício, quando a aeronave foi atingida por um tiro desferido a partir do Morro dos Macacos.

Foi morto, em outro episódio, também o coordenador da ONG Cultural Afroreggae Evandro João da Silva, que assaltado, levou um tiro e, encontrado agonizante, foi abandonado por policiais que liberaram os suspeitos do homicídio e ainda ficaram com a jaqueta e o tênis da vítima. Até agora já foram mortos mais de 40 pessoas somente nos últimos dez dias, entre elas crianças, mulheres, jovens, vitimadas apenas por estarem perto dos fatos, sem qualquer envolvimento com o crime.

Ao nos debruçarmos sobre a violência no Rio de Janeiro, podemos encontrar raízes nas profundas desigualdades sociais, na ausência do Estado em comunidades pobres, na baixa perspectiva de emprego para os jovens, no despreparo da polícia e na questão das drogas associada ao tema da violência.

Quero tratar aqui da relação drogas e violência e a necessidade de uma nova abordagem desse tema. O modelo atual de tratamento da questão das drogas fracassou! O número de mortes em conflitos relacionados ao mercado de drogas é muito maior do que as mortes que são provocadas pelo uso da droga em si. Apesar desta repressão, o consumo de drogas ilícitas no Brasil cresceu nos últimos anos e o número de presos condenados por atividades relacionadas à venda e ao consumo destas substâncias também está em ascensão.

Precisamos de respostas adequadas e pragmáticas, que tenham condições de diminuir o problema e tranquilizar a sociedade. É preciso abrir o debate para desenvolver um modelo mais adequado à nossa realidade, que diminua os danos associados ao uso e ao abuso de drogas.
Há uma procura por drogas em nosso país e um imenso mercado ilegal que lhe atende sem qualquer regulação de preço e qualidade. Isso faz com que os que lideram estas atividades tenham lucros astronômicos em razão do alto valor da substância. Por esta valorização se armam para proteger o produto em si e a sua atividade. Por estas razões, o comércio de drogas se relaciona ao uso da força e ao poder de corromper autoridades e reduzir o poder de ação da Segurança Pública. Exemplos disso são a violência e a rede criminosa que se formaram a partir da proibição do álcool na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, durante os anos 20 e 30, com o fortalecimento da atuação criminosa da máfia.

Uma atividade tão rentável e tão perigosa permite contratar, nas comunidades carentes, uma mão-de-obra que é atraída por uma remuneração elevada dentro para sua realidade. O comércio ilícito armado exerce seu poder e sua violência no domínio territorial, na cobrança de dívidas e na expansão de suas atividades. As pessoas que estão na base desta estrutura são as que geralmente acabam mortas em conflitos com a polícia ou presas no transporte ou na venda de drogas. Dificilmente, a atuação de repressão consegue alcançar quem organiza e financia estas atividades criminosas.

O impacto da situação atual é o alto número de mortes entre adolescentes e jovens na sociedade brasileira. Outro aspecto é a superlotação das cadeias. São 80 mil pessoas que estão presas hoje no Brasil por estarem de alguma forma relacionadas ao mercado das drogas. Atividade que tem aumentado também o número de jovens e de mulheres, das mais variadas idades, dentro do sistema prisional. Em São Paulo, o envolvimento no mercado de drogas é o segundo motivo de internações na Fundação Casa, a instituição responsável pela custódia de adolescentes em conflito com a lei. A ida de mulheres para as cadeias também acaba gerando um efeito que é ainda mais nocivo: o aumento do abandono familiar.

Há grande procura por drogas na sociedade brasileira. Parte do consumo destas substâncias ilícitas é eventual e não apresenta risco à sociedade. São pessoas que usam maconha, por exemplo, sem que o consumo prejudique a sua vida social e produtiva. Como no álcool, existe muita gente que faz o uso responsável e uma parte que acaba tendo problemas causados pelo abuso. A proibição também provoca que estes consumidores tenham um contato com criminosos que eles próprios, em muitos casos, não gostariam de ter. Por conta desta relação, os usuários passam a ser estigmatizados pela sociedade e, em muitas situações, apontados injustamente como responsáveis pelo financiamento do crime organizado.

Hoje, o consumo problemático de drogas está centrado principalmente no crack, uma substância capaz de provocar rapidamente uma forte dependência do usuário, com danos permanentes à sua saúde. A busca frenética por esta droga afasta as pessoas do convívio familiar e da vida profissional e as leva a ter comportamentos de risco à sua saúde e a cometer pequenos delitos para sustentar a sua dependência. Uma situação que não está mais apenas nas grandes cidades e passou a atingir também a classe média. Em menor escala, também há problemas relacionados ao uso de drogas sintéticas e de cocaína.

Historicamente, a questão do consumo de drogas no Brasil foi tratado apenas de forma repressiva, resultado da adesão completa à política de guerra às drogas iniciada nos Estados Unidos na década de 70, pelo então presidente Richard Nixon. O objetivo inicial desta ação foi enfraquecer os movimentos de contestação ao sistema, como os hippies e os grupos de oposição aos regimes militares na América Latina. Em um segundo momento, o combate às drogas ganha, além da força repressiva, uma abordagem médico-psiquiátrica, com internação compulsória e aplicação de medicamentos no seu tratamento. Um exemplo é a realidade apresentada no filme Bicho de Sete Cabeças, da diretora Lais Bodanzky. Baseado no livro Canto dos Malditos, de Austregésilo Carraro Bueno, o filme mostra a vida do autor, que foi internado à força em um hospital psiquiátrico depois que seu pai descobriu que ele era usuário de maconha.

Entre os anos 80 e 90, a política de repressão dos Estados Unidos ganha um contorno de militarização. Incapazes de conseguir reduzir o consumo interno e a demanda por drogas, os norte-americanos investem na tentativa de extinguir a produção de drogas, com a destruição de plantações em outras regiões, notadamente na América do Sul, em países vizinhos ao nosso, como Bolívia, Peru e Colômbia. Com a crise no modelo que ficou conhecido como “Milagre Econômico” e a adoção da regulação neoliberal, o aumento do desemprego e uma forte exclusão social, o Brasil sofreu os impactos desta ação e passou a ser uma rota do tráfico internacional e ter um mercado consumidor crescente.

Esta prioridade na repressão, que estigmatiza e criminaliza os usuários, impediu durante muito tempo que o Brasil desenvolvesse um sistema integrado de saúde capaz de lidar com o problema do abuso de drogas. Sem investimento em uma política pública, o Brasil tem poucos profissionais da saúde que se especializaram em tratar deste tipo de dependência química e poucos equipamentos dedicados a fazer o tratamento.

A política de guerra às drogas, hegemônica na última década, sofre uma forte contestação internacional devido a sua ineficácia. Na última conferência da ONU para as drogas, a Ungass, em Viena, houve um questionamento direto desta abordagem. Lá, o Brasil marcou a sua posição em defesa da construção de uma política voltada para a redução de danos. Vários países estão fazendo alterações importantes na sua estratégia, com grandes investimentos na redução de danos, que tem conseguido diminuir de forma expressiva o consumo de drogas. Esta nova política se baseia no aumento dos investimentos em prevenção, em diminuição da vulnerabilidade, atenção e tratamento para os usuários problemáticos. Reduzir danos significa diminuir a incidência de doenças associadas ao abuso de drogas como a AIDS, a hepatite e outras doenças sexualmente transmissíveis, assim como a violência associada ao mercado de drogas.

No Brasil, o governo Lula tomou medidas importantes para mudar a legislação, para despenalizar o usuário de drogas; investir em tratamento por meio da implantação de 250 centros de atendimento psicossocial de álcool e drogas. Com o Pronasci e o PAC, o nosso governo passou a atuar mais efetivamente nas regiões de alta vulnerabilidade social, levando alternativas e oportunidades para seus moradores. A gravidade da situação, no entanto, está exigindo mais esforços e soluções ousadas.

Para combater a violência associada ao uso de drogas é importante desarmar os grupos envolvidos nesta atividade e liberar os territórios, para garantir tranqüilidade para as populações que lá moram. As ações contra a lavagem de dinheiro precisam ser aprimoradas, para garantir a punição para pessoas que lucram com o tráfico sem precisar por a mão nas drogas. Afinal, como recitam os Racionais MC’s, na música Periferia é Periferia, a substância vem por aeroporto e cais e não há nas favelas donos de aeroportos. Por outro lado, é fundamental uma regulação para retirar do mercado ilegal o monopólio sobre a produção e a oferta destas substâncias. Assim, será possível desvincular este mercado da ação criminosa.

O Brasil é signatário de convenções internacionais que impedem a legalização, mas é importante que o Brasil possa levar ao plano internacional a discussão sobre a legalização de drogas leves. No caso da maconha, por exemplo, é possível legalizar sim, desde que tenhamos uma regulamentação mais severa do que a que existe hoje para o álcool e o tabaco.

É possível e necessário fazer uma política de transição entre o estágio atual e a legalização, com a descriminalização do uso e da posse de pequenas quantidades para o uso pessoal. É o que alguns países já têm feito com bons resultados, como Portugal. Os portugueses vinham de um aumento crescente no consumo de drogas e na violência relacionado a este mercado, assim como vivemos agora. Depois desta medida, houve uma redução no consumo e neste tipo de violência.

O México também alterou recentemente a sua legislação neste sentido. Isso leva com que os usuários passem a ser tratados definitivamente fora da esfera criminal. E, no caso do abuso, dentro do sistema de saúde. Defendo que o Brasil também faça a descriminalização do uso e do porte para consumo próprio.

Em relação ao mecanismo de acesso a algumas drogas, os Estados Unidos estabeleceram legislações estaduais que autorizam a plantação de pequenas quantidades de maconha para o uso pessoal, com o acompanhamento médico. Na Espanha, este cultivo é autorizado para cooperativas. O nosso país também precisa regular o autoplantio, com licenças concedidas pelo Ministério da Saúde e acompanhamento médico, para permitir que, as pessoas que queiram, possam consumir maconha sem ter de recorrer a criminosos para adquiri-la.

Outra experiência importante na Europa é não dividir as pessoas que tem contato com as drogas apenas entre usuários e traficantes, uma separação que nem sempre é simples e que pode gerar injustiças. Um usuário que em razão de uma dependência química passa a comercializar a substância para garantir o seu consumo não pode ser tratado da mesma forma do que a pessoa que busca o lucro nestas atividades, exerce controle territorial sobre regiões e usa de violência e mortes para cobrar eventuais dívidas.

No primeiro caso, a pena de prisão pode provocar mais danos à sociedade do que outra forma de punição, mais eficiente para combater esta dependência e com menos impactos na vida do indivíduo. O convívio em cadeias dominadas por organizações criminosas acaba fazendo com que estas pessoas passem a ter contato com outro tipo de criminalidade, capaz de atrai-las para cometer crimes mais graves a mando destas facções. Está em cartaz nos cinemas o filme Salve Geral – O Dia em que São Paulo Parou, do diretor Sérgio Rezende, que mostra muito bem como estes grupos conseguem atrair para si os presos e seus familiares em troca de um tratamento um pouco menos indigno para os condenados dentro do sistema prisional. Fora das cadeias, estas pessoas devem favores ao crime e passam a atuar para ele. Este filme mostra muito bem como funciona esta cooptação.

Para muitos especialistas, a aplicação automática da pena de prisão para a pessoa que agiu sozinha, desarmada e não tem antecedentes criminais fere a proporcionalidade na aplicação da pena, um dos princípios essenciais do Direito. A atual legislação brasileira já permite a redução da pena de prisão, mas proíbe a substituição por penas privativas de direito mesmo que o juiz entenda que é o caso. O Brasil precisa permitir que os magistrados possam aplicar penas alternativas a réus primários, que foram presos quando atuavam sozinhos e desarmados, se considerarem que esta é a melhor punição para aquele caso específico.

Como a aplicação da Justiça, a atuação da polícia contra este varejo pequeno e ocasional e a manutenção das pessoas de maneira desnecessária dentro do sistema prisional tem custos, esta mudança no modelo também vai permitir um maior investimento no tratamento da dependência química. Precisamos ampliar o atendimento para as pessoas no ambiente em que elas vivem, em meio aberto, como é feito nos Capes de álcool e drogas. A expansão deve se dar não só pelo aumento no número de vagas, mas também para garantir o acesso a este tipo de tratamento mesmo nas regiões mais remotas do país, já que os problemas com o abuso destas substâncias não são mais uma questão exclusiva dos grandes centros metropolitanos. Para atingir esta meta, será necessária também a aprovação da Emenda Constitucional 29, que aumenta os investimentos na saúde.

Os hospitais gerais também terão de ter leitos e profissionais preparados para atender os usuários de drogas que passarem por uma crise em razão do consumo abusivo. A partir desta “porta de entrada”, é preciso oferecer um trabalho de reabilitação que seja capaz de ajudá-los a construir projetos alternativos para suas vidas que lhes afastem deste uso abusivo e de suas consequências. Este atendimento exige um preparo específico não só dos médicos, mas de diversos profissionais da saúde. É importante que a comunidade médica brasileira discuta como fazer o tratamento do dependente crônico e problemático, inclusive com a análise de estratégias que deram certo em outros países, como os tratamentos de substituição de uma droga ilícita por substância lícita ou ilícita, a prescrição médica de substância ilícita e a criação de salas de uso seguro, para que as pessoas possam fazer o consumo seguro e com os efeitos da droga monitorados.

O governo precisa apoiar e ajudar no financiamento de pesquisas científicas, que poderiam ser feitas nas universidades federais, sobre o consumo de crack e as possibilidades para o tratamento das pessoas que fazem o seu uso. Hoje, o crack é um grave desafio para a saúde pública não só para o Brasil, mas também para diversos países das Américas, que já vivem uma epidemia em seu consumo. Apesar do tamanho do problema, os próprios especialistas admitem que ainda faltam conhecimentos técnicos sobre as formas de combater a dependência desta substância e de reduzir os seus efeitos na saúde do consumidor. Por outro lado, é preciso estabelecer, dentro da área da assistência social, uma política de apoio às comunidades terapêuticas, que formam um importante sistema de atendimento complementar.

Mas, acima de tudo, é preciso combater a vulnerabilidade social, para que as pessoas conheçam os riscos do uso destas substâncias e possam ter condições de fazer as melhores escolhas para a sua vida. A vulnerabilidade é inimiga da autonomia e da liberdade para tomar decisões por conta própria. Para combater este problema que enfraquece a existência destas pessoas como cidadãos, é preciso levar informações, educação e cultura para estas regiões. O Estado Brasileiro não pode ser visto nestas partes das cidades apenas pela sua força repressiva, mas principalmente pela sua face social, para dar alternativas que garantam a todos a integralidade da cidadania e dos direitos humanos.

Vou encaminhar hoje as sugestões que estão neste discurso para o general Paulo Roberto Uchôa, secretário executivo do Conselho Nacional de Política sobre Drogas, como uma colaboração na discussão das mudanças necessárias e urgentes na legislação sobre o tema. Espero que estas considerações ajudem a alavancar um aprimoramento nas nossas políticas.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Seminário aponta para políticas de saúde e prevenção ao abuso de drogas

RETIRADO DO BLOG DO DEPUTADO PAULO TEIXEIRA

O seminário “Drogas, Redução de Danos, Legislação e Intersetorialidade” reuniu nos últimos dias 20 e 21, na Câmara dos Deputados, deputados, membros do Poder Executivo, pesquisadores, entidades da sociedade civil, representantes de usuários de drogas e de seus familiares. O encontro foi proposto pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos a pedido de seu presidente, o deputado Luiz Couto (PT-PB).

O encontro, que reuniu 12 deputados federais, contou com o apoio dos ministérios da Justiça e da Saúde, das secretarias nacionais de Políticas sobre Drogas e de Direitos Humanos, do Gabinete de Segurança Institucional, da Unaids e do Unodc. Centenas de pessoas acompanharam a abertura na terça-feira e as quatro mesas redondas da quarta-feira.

Os palestrantes defenderam uma política que dê maior destaque para a prevenção ao abuso de drogas e com políticas de saúde para os usuários, inclusive a redução de danos. Para chegar a este objetivo, defenderam mudanças na política sobre drogas e na legislação.

Os principais pontos jurídicos deste debate são evitar que os usuários sejam criminalizados e que pequenos traficantes – que agem sozinhos, foram flagrados com pequenas quantidades de drogas e estavam desarmados – recebam penas tão duras quanto àquelas a que estão sujeitos os grandes traficantes, que fazem parte de organizações criminosas, que dominam regiões das cidades.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A saúde do baseado - O lobby da marijuana sai às ruas

By Kathleen Parker

Em um ato de sanidade piedosa, a administração Obama cumpriu sua promessa de parar de interferir em estados que permitem o uso médico de marijuana.

Tim-tim, saúde, et cetera, et cetera.

O
anúncio do Procurador Geral Eric Holder certamente chega como um alívio para muitos dos que dependem da cannabis para diminuir o sofrimento de várias condições clínicas. Essa abordagem nova, não tão rígida, não deixa os traficantes de drogas fora de alcance da lei. Ela significa apenas que os 14 estados que permitem algum uso médico de marijuana não precisam mais temer batidas federais em dispensários e usuários que agem de acordo com leis estaduais.

É uma ótima iniciativa, há muito necessária. Mas é suficiente? Não mesmo.

O debate sobre se os americanos deveriam ter o direito de ser estúpidos - ou de fazer outros parecerem mais interessantes - continua vivo depois de 40 anos da (falhada) "guerra contra as drogas".
Argumentos contra e a favor da descriminalização de algumas ou de todas as drogas já são familiares. Destilados ao básico: a guerra das drogas aumentou o poder de criminosos ao mesmo tempo em que criminalizou cidadãos que cumpriam todas as outras leis, e desperdiçou bilhões que poderiam ter sido melhor empregados em educação e reabilitação.

Em números cada vez maiores, os americanos apóiam a descriminalização pelo menos da marijuana, que milhões admitem ter usado, incluindo um par de presidentes e um juiz da Suprema Corte. Uma
pesquisa recente do Instituto Gallup descobriu que 44 por cento dos americanos aprovam a legalização para qualquer propósito, não apenas para uso medicinal, contra 31 por cento em 2000.

O mais alto nível de apoio, sem surpresa, está nos estados da costa oeste e entre pessoas que se autodefinem como liberais, com 78 por cento dos liberais concordando com a descriminalização. Mas a mudança em direção a uma política nacional mais sensível já não está confinada à esquerda. Nem a cara do novo lobby pró-baseado é mais a do cabeludo chapado. A ativista de hoje se depila, e tem filhos.

Entre os recém-incorporados à diminuta multidão conservadora, liderada em outros tempos pelo anti-proibicionista William F. Buckley, está Jessica Corry, do Colorado, uma mulher republicana casada, contrária ao aborto e mãe do "lutador da liberdade do mês" da revista High Times [uma revista patriótica de direita].

Espectadores recentes sem dúvida terão que esfregar seus olhos e olhar novamente quando virem Corry, que discursou no mês passado em uma conferência da NORML [pronuncia-se "normal"], a Organização Nacional pela Reforma das Leis sobre Marijuana, em São Francisco, usando um broche com a bandeira americana, um colar de pérolas com três voltas e um broche dourado com a folha de marijuana.

Um outro dia, um outro estereótipo na lata do lixo.

Além de escrever e falar a favor do fim da proibição da marijuana, Corry, que não fuma maconha, está tentando organizar mulheres republicanas em torno da causa. Até agora, ela tem o compromisso de outras 20 mulheres do Colorado, a maioria das quais advogada, como Corry. Seu marido, também advogado, representa usuários médicos de marijuana.

Os argumentos de Corry não enfocam apenas a desumanidade de punir ainda mais pessoas doentes que buscam alívio no uso da maconha, mas também a necessidade de proteger suas crianças caso elas decidam experimentar maconha algum dia. Não há nada como imaginar suas próprias crianças sendo tratadas como "criminosas" para colocar leis irracionais em perspectiva.

Corry dificilmente estará sozinha, e, na verdade, ela pode ser parte de um "ponto de inflexão". (Já há alguma droga para o "estresse pré-mudança"?) Em sua edição de outubro, a revista Marie Claire publicou "
Stiletto Stoners", um artigo sobre mulheres bem-sucedidas profissionalmente que preferem relaxar com maconha. Uma capa da revista Fortune, "Is Pot Already Legal?", examinou o assunto. Em abril de 2006 a Miss Nova Jérsei, Georgine DiMaria, assumiu-se como usuária secreta de marijuana para o tratamento de sua asma.

As direitas dos estados e o conservadorismo costumam ser bons amigos - mas às vezes não são. Embora mutos republicanos nutram um certo libertarianismo [doutrina da primazia dos direitos individuais sobre o Estado], o partido tem sido seletivo em seu apoio a princípios federalistas. A administração de George W. Bush se recusou a respeitar os estados que autorizavam usos medicinais da maconha, por exemplo, mas tentou devolver as questões relativas ao aborto e ao casamento à jurisdição dos estados.

Em uma coluna para o jornal Colorado Daily, Corry argumenta que os princípios conservadores de governo mínimo estão em conflito com leis que tentam controlar o que colocamos para dentro de nossos corpos. Álcool e cigarros - para não falar de xisbúrgueres com 700 calorias - são sem a menor dúvida mais prejudiciais que um pequeno baseado, escreve ela.

A decisão de não invadir dispensários ou punir pessoas que se beneficiam do uso de marijuana, embora laudável, está muito aquém do que é necessário. Para ficar no mínimo, quando empregos e dinheiro estão difíceis, legalizar a marijuana parece tanto prudente quanto benéfico. Em 1929, a Organização de Mulheres para a Reforma da Proibição Nacional liderou o movimento para acabar com a lei seca. Será que as mulheres liderarão a próxima revolução na autonomia pessoal?

Mantenham suas maricas e narguilés (e bongs?) à mão.

Tradução: Fábio Baqueiro
Fonte:
Washington Post

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os males do baseado, nada sério quando comparado ao álcool!

O jornal espanhol “el mundo” divulgou uma matéria apresentando os resultados de uma pesquisa realizada pela The Lancet- http://www.thelancet.com indicando os males da marijuana. “Crises de ansiedade, reações de pânico e aparições de sintomas psicóticos são os efeitos adversos registrados, principalmente nos consumidores iniciantes”. Os usuários de maconha, segundo eles, apresentam risco consideravelmente mais alto de ter problemas respiratórios. Continuam afirmando que déficits de atenção, memória e aprendizagem são comuns entre pessoas que abusam de maconha. Também são citados os riscos de acidentes e traumatismos pelo consumo da droga.

Tudo isso sem novidades! Novidade mesmo é a campanha do grupo de ativista Marijuana Policy Project - http://www.mpp.org/ que deu inicio a uma campanha oferecendo dez mil dólares para quem provar que a maconha é mais prejudicial que o álcool. O grupo tenta dessa forma levantar a polêmica e trazer a reflexão dos motivos reais para a proibição da maconha, droga menos nociva que o álcool, consumido em larga escala em nossa sociedade.

Veja o anuncio no youtube:

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Governo dos EUA flexibiliza luta contra uso da maconha com finalidade médica

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira que flexibilizará a luta contra o consumo da maconha nos 14 estados que o autorizam, com objetivos médicos.

Em comunicado, o governo anunciou ter transmitido "novas diretrizes aos procuradores federais nesses estados".

No entanto, segundo o procurador-geral de Justiça, Eric Holder, citado no comunicado, o governo federal "não tolerará os traficantes de droga que tentarem se apoiar na lei para ocultar atividades ilegais".

Ativistas protestam plantando maconha na sede do DEA

Ativistas que participavam da Convenção Anual da Hemp Industries Association (HIA) promoveram uma manifestação polêmico, um verdadeiro ato de desobediência civil. Na frente da sede do Museu do DEA - Drug Enforcement Agency, fazendeiros, advogados, empresários e outros cidadãos que lutam pela legalização do uso do cânhamo plantaram sementes de Cannabis sativa, para lembra as intervenções federais contra o uso industrial e medicinal da planta em Estados onde isso é permitido.

Leia na íntegra: StopTheDrugWar
Assista o vídeo:

terça-feira, 13 de outubro de 2009

CONEP assina a Carta Aberta à Sociedade Brasileira

No último dia 4 de outubro recebemos o email de César Fernandes, Secretario Geral do CONEP - Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia, confirmando que a entidade assina a Carta Aberta à Sociedade Brasileira, campanha iniciada pela Ananda pedindo ao CONAD - Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas- a reabertura do debate sobre a necessidade de manter o consumo de maconha criminalizado.

Aproveitamos a ocasião para divulgar a campanha do CONEP contra a prisão de 3 estudantes baianos no último Encontro Nacional de Estudantes de Psicologia.

Assine você também a Carta Aberta e ajude a divulgar: CLIQUE AQUI

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Drogas, modos de usar - ou a peneira, o sol, o jornalista e o deputado reaça

Por Neco Tabosa, do Filipeta da Massa

Não sei como foi com vocês, mas lá em casa se falava abertamente sobre o consumo de uma droga muito usada na própria casa em reuniões com os amigos dos meus pais, em quase todas as casas ao redor da nossa, nos lugares que visitávamos nos finais de semana, no playground do prédio onde a gente morou ... Era muito comum ver alguém bebendo cerveja, vinho, uísque ou cachaça. Geralmente acompanhado de uns pedaços de fruta, amendoins ou alguma fritura gostosa pra cacete. Que a gente não podia comer, porque era coisa de adulto e era só esperar que “daqui a pouco já ia sair o almoço”.

Não era segredo pra ninguém, na manhã de sábado, do feriado ou nos aniversários a galera bebia - e muito - reunida por um violão, um jogo ou uma churrasqueira e costumava ficar mais engraçada, mais sincera, falar mais palavrão ou chegar a cair e arrumar confusão se continuasse bebendo depois do fim da festa.

Leia na íntegra: Filipeta da Massa

Da série Capitão Presença pra Mascote da Copa e das Olímpiadas!

Sonhando com um Brasil legalizado em 2014!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Maestro Fred Dantas e Orquestra apresentam "Orquestra Bob Marley" em Salvador/BA

No próximo sábado, dia 10, às 20 hs, nas Praça Pedro Acanjo, no Pelourinho vai rolar uma apresentação muito especial, um verdadeiro momento de louvação. O Maestro Fred Dantas e sua Orquestra, cujas apresentações já fazem parte da tradição da Bahia e que já brilharam em palcos de outros Estados, sempre incluiu em seu repertório arranjos de músicas do Rei do Reggae. Dessa vez, eles preparam uma apresentação especial cujo tema será exclusivamente nosso querido Bob Marley.

Teremos a honra de ouvir clássicos como Forever Love Jah, One Drop, Sunshine, Could you be Loved, I Wanna Love You, The Sun is Shinig em arranjos instrumentais e outros que prevêem vozes masculinas e femininas.

O evento faz parte do projeto Pelourinho Cultural e tem o apoio do IPAC- Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e da Secretaria de Cultura do Governo do Estado.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Uso de drogas é tema de seminário do Departamento de Sociologia

Do UFBA em pauta,

O Departamento de Sociologia da UFBA, o Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas (Giesp) e o Laboratório de Estudos em Segurança Pública e Cidadania e Solidariedade (Lassos) realizam seminário no dia 16 de outubro (sexta-feira), das 8h30 às 12h30, no auditório do Centro de Recursos Humanos, novo pavilhão de aulas da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, em São Lázaro. Os trabalhos serão conduzidos por expositores como Prof. Edward MacRae (UFBA) – “A criminalização da droga como controle social”; Prof. Eduardo Paes-Machado (UFBA) – “Violência e mercados de drogas”; Luana Malheiro (graduanda de CISO-UFBA) – “Sociabilidade, cultura entre pessoas que usam crack no Centro Histórico de Salvador”; Sergio Vidal (graduando de CISO-UFBA; membro do Growroom e da Ananda) – “O papel do usuário na repolitização do debate público sobre drogas”; e Sérgio Trad (Ministério da Justiça/Pronasci) – “Políticas públicas de drogas no Brasil: aspectos teóricos e institucionais do controle estatal das drogas”. As inscrições podem ser feitas através do e-mail giesp_ufba@yahoo.com.br.

ACM Neto! O meu voto, nunca mais!

Do Hempadão,

Com áudio disponibilizado pelo site do jornal Folha de São Paulo, o Hempadão preparou um vídeo com o intuito de amplificar o debate travado entre a já conhecida Soninha e o deputado da Bahia ACM Neto. Por conta de sua opinião completamente equivoca e sem base, o netinho de Antônio Carlos Magalhães veio parar aqui na nossa BadList!

Leia na íntegra: Hempadão

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

I SEMINÁRIO SOBRE CONTROLE SOCIAL, VIOLÊNCIAS E MERCADOS DE DROGAS

DATA E LOCAL:

16 DE OUTUBRO, SEXTA-FEIRA, DE 8:30hs ÀS 12:30hs.
Auditório do Centro de Recurso Humanos,
Novo Pavilhão de Aulas da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Estrada de São Lázaro, Federação - Salvador/BA.

EXPOSITORES:

Prof. Edward MacRae (UFBA) - A Criminalização da Droga como Controle Social

Prof. Eduardo Paes-Machado (UFBA) - Violência e Mercados de Drogas

Luana Malheiro (graduanda de CISO-UFBA) - Sociabilidade, Cultura entre Pesosas que usam de Crack no Centro Histórico de Salvador

Sergio Vidal (graduando de CISO-UFBA; membro do Growroom e da Ananda) – O papel do Usuário na Repolitização do Debate Público sobre Drogas

- Sérgio Trad (Ministério da Justiça/Pronasci) - Políticas Públicas de
Drogas no Brasil: Aspectos Teóricos e Institucionais do Controle
Estatal das Drogas.

ORGANIZAÇÃO:

DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA - UFBA
GRUPO INTERDISCIPLINAR DE ESTUDOS SOBRE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS - GIESP
LABORATÓRIO DE ESTUDOS EM SEGURANÇA PÚBLICA, CIDADANIA E
SOLIDARIEDADE – LASSOS

INSCRICÕES: giesp_ufba@yahoo.com.br

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Chegou a hora de legalizarem a maconha?


Wálter Maierovitch foi Secretário Nacional Antidrogas no segundo governo FHC, entre 1999 e 2000. Dois anos depois, entrevistei-o sobre a política brasileira para drogas, para um livro que eu estava escrevendo sobre maconha.

Ele me contou que, durante seu período na secretaria, ele juntou esforços ao governo português para buscar para os dois países uma política de drogas mais liberal, que não criminalize o usuário, principalmente para drogas leves. O esforço foi em frente em Portugal, mas foi abruptamente interrompido aqui no Brasil. Por quê? Aparentemente porque, a uma determinada altura, o chefe de Maierovitch, FHC, barrou a mudança da lei. E por que FHC, que escolheu Maierovitch e parecia apoiar uma lei mais racional, mudou de ideia? Maierovitch não me respondeu diretamente, mas deu a entender que tinha certeza de que o presidente brasileiro tinha sofrido pressão do grandão do norte. Na opinião dele, o Brasil não descriminalizou o uso de drogas porque os Estados Unidos de Clinton não quiseram.

Leia na íntegra: Blog do Denis Russo