domingo, 30 de agosto de 2009

Porquer reabrir o debate público sobre a legalização da maconha?

Maconha é o nome de uma planta. Isso parece óbvio para alguns, mas grande parte da sociedade brasileira está acostumada a associar esse nome apenas ao fumo usado de forma recreativa por milhões de pessoas do mundo inteiro que, no Brasil, recebe exatamente o mesmo nome da planta.

Porém a maconha não serve só para produzir fumo, que é prepaado apenas com as flores das plantas fêmeas da espécie. Diversas outras partes da planta são utilizadas em países como E.U.A, Inglaterra, Espanha, Chile, França, Suíça, Holanda, Canadá e muitos outros para produzir fibras têxteis das mais variadas qualidades, óleos bio-combustíveis, estruturas para construção civil, peças automotivas, cosméticos, medicamentos, alimentos, entre outros produtos.

Antes da proibição do seu uso e cultivo em 1932, o Brasil tinha uma vasta e lucrativa indústria baseada na matéria-prima têxtil extraída das fibras vegetais da maconha e em medicamentos que teve início ainda no século XVIII. O tipo de política pública que foi instalada na década de 1930, que pretende extinguir não apenas a maconha enquanto fumo usado de forma recreativa, mas também enquanto espécie vegetal fez o Brasil não só perder quase 80 anos de acesso à planta para realização de pesquisas e aplicações clínicas, mas também excluiu o país, com vasto potencial produtivo, do mercado internacional altamente lucrativo baseado nos produtos feitos com as partes não-psicoativas do vegetal. Um mercado que se mantém até hoje e, não custa nada lembrar, é altamente lucrativo.

E Porque pedir mudanças nas Políticas Públicas e Leis sobre a maconha?

Além das atuais políticas públicas e leis brasileiras sobre a maconha não darem conta de regular os usos não-psicoativos da planta, atrapalhando o desenvolvimento econômico e científico, privando diversas pessoas de uma possibilidade terapêutica para suas enfermidades, elas dificultam ainda mais o diálogo entre os agentes do Sistema de Saúde e a pequena parcela de pessoas que usam a planta e têm problemas por isso. Sobre isso, é preciso que deixemos claro que não estamos afirmando que a maconha não pode fazer mal à saúde. Afirmar isso seria uma violência contra o direito a informações seguras. É preciso deixar claro que usar maconha é sim uma conduta de risco, ainda que seja muito menos arriscada do que usar álcool, ou tabaco, ou realizar muitas das condutas consideradas normais de uma pessoa que more em um grande centro urbano.

Porém, a grande maioria das pessoas que usam as flores fêmeas da maconha não têm problemas de saúde causados pelo hábito, mas sim problemas relacionados com o status legal da planta e com o preconceito que muitas pessoas têm com os usuários de maconha.

Leis e Políticas que causem mais danos do que a conduta que pretendem coibir, atuam de forma no mínimo contraditória. Isso se torna ainda mais grave quando seus objetivos deveriam ser preservar a Segurança, a Ordem e Saúde Pública, tanto das pessoas que já usaram, quanto das que não usaram maconha. Considerar criminosa uma pessoa adulta que usa maconha como droga recreativa, planta sagrada, medicamento ou para qualquer outro uso não ajuda em nada na tarefa de mantê-la saudável ou de assegurar seu bem estar e acesso a cidadania. Muito pelo contrário, só gera um ambiente de conflito, tensão e apartheid social entre fumadores e não-fumadores, que se debatem disputam o status legítimo do que é ou não permitido social e legalmente.

O Estado Brasileiro não considera crime diversas condutas que podem causar tanto ou mais danos do que o usar maconha, como consumir em excesso açúcar, comidas gordurosas, álcool, tabaco, fazer sexo sem preservativo, entre outras. Se fossemos tornar a norma o entendimento de que é criminoso todo cidadão que atenta contra a sua própria saúde, ou que não cuida de sí mesmo, certamente só conseguiríamos criar um colapso nos Sistemas Judiciário, Policial e Penitenciário.

E porque pedir a Legalização?

Quando se usa o termo Legalização acabamos esbarrando no fato de que atualmente essa palavra carrega um estigma tão grande quanto o termo droga. No entanto, é necessário dizer que Legalização essencialmente significa “fazer com que uma conduta seja regulada por uma Lei específica”, "trazer para um ordamento legal", "regulamentar uma determinada conduta".

A planta maconha é proibida de existir no Território Brasileiro e quem a cultiva ou carrega consigo, sem autorização, mesmo que em pequena quantidade para consumo próprio é considerado um criminoso, ainda que pela Lei não haja mais pena de restrição à liberdade. No entanto, na prática, até mesmo a conduta de distribuir panfletos para divulgar o trabalho de um Movimento Social que fala sobre maconha pode acarretar autuação por “crime de apologia ao crime” e muitas pessoas que plantam para seu consumo próprio são confundidas com distribuidores não-autorizados (traficante), podendo pegar pena de até 15 anos de prisão.

Em diversos países como Austrália, Espanha, Canadá, Suíça, Holanda e alguns estados dos EUA, instrumentos jurídicos variados são adotados com o objetivo de regular as condutas relacionadas com o uso e cultivo de maconha para consumo próprio e de podar e punir os excessos, com resultados muito mais eficientes do que no Brasil. Essas iniciativas podem ser consideradas tentativas de regulamentação, porque buscaram lidar com as suas realidades singulares com Leis específicas.

Quando se fala em Legalização, portanto, não se estamos sugerindo passar a tolerar a venda de maconha de qualquer forma e para qualquer pessoa, isso não existe em nenhuma experiência internacional. Retirar a produção, comercialização e distribuição das mãos de pessoas envolvidas com crimes violentos e entregar às forças de mercado capitalista de livre concorrência poderia até resolver o problema de conter a violência produzida pelo mercado criminoso da planta e o problema de acesso à saúde, mas criaria outro problema - o mercado de propaganda e estímulo ao uso promovido pela indústria.

Só faz sentido usar o termo Legalização quando se referido a alguma experiência concreta como as já citadas ou proposta de regulamentação construídas em diálogo com todos os setores interessados da sociedade civil, avaliando em equipes multidisciplinares todos os dados científicos atualmente disponíveis sobre a planta e seu uso e levando em consideração tanto o histórico das Leis, Políticas Públicas e Tratados Internacionais sobre Drogas quanto o das experiências do gênero em outros países.

O desafio agora é fazer com que essas Políticas Públicas e Leis possam ser discutidas e elaboradas de forma mais transparente, justas, eficazes e pragmáticas, respeitando a cidadania e os Direitos Humanos.

Os caminhos possíveis de serem percorridos podem ser longos, difíceis e apresentar muitos percalços, mas se admitimos que o lugar e a situação onde estamos é péssima, um dia iniciar a caminhada por outros rumos torna-se uma necessidade imperativa.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A Ananda é Top 100!

Saiu o resultado da primeira etapa do Concurso TopBlog e a Ananda está no topo! Agradecemos a todos as pessoas que votaram em nós. No último sábado foram divulgados os resultados e o blog da Ananda está entre os 100 primeiros colocados na categoria Política. Agora estamos aguardando a votação do Jurí Acadêmico. O resultado final sai no dia 31 de agosto. VAMOS TORCER!

Para ver os resultados CLIQUE AQUI.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

DEFESA DE TESE DE DOUTORAMENTO

Vânia Sampaio Alves
Modelo de atenção à saúde de usuários de álcool e outras drogas no contexto do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS-ad)

Dia: 26/09/2009 às 14:00 h.
LOCAL: Sala 01 Instituto de Saúde Coletiva/Univesidade Federal da Bahia

Banca Examinadora:
Profª Monica de Oliveira Nunes – Orientadora – ISC/UFBA
Profª Márcia Aparecida Ferreira de Oliveira - USP
Profª Carmen Fontes Teixeira – ISC/UFBA
Prof. Jairnilson Silva Paim - ISC/UFBA
Prof. Antonio Nery Filho – CETAD/UFBA

MTV Debate: Por que o usuário de droga é tratado como traficante no Brasil?

Hoje às 22h30
Reprise: Quarta à 01h30 e Quinta às 15h00
FONTE: MTV Debate

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

TV Assembléia: Legalização da Maconha

O ativista, redutor de danos e pesquisador Sergio Vidal participou na última quinta-feira da gravação do programa Espaço Livre, da TV Assembléia. O programa abordou temas como a legalização da maconha, o cultivo para consumo próprio, a Marcha da Maconha e o trabalho dos ativistas da Ananda, debatendo-os de maneira livre e democrática. O programa, que já está disponível no site da TV Assembléia, é apresentado pela jornalista Aureni de Almeida e contou também com a participação de Hélio Jorge Paixão, Diretor do DENARC - Departamento de Narcóticos da Polícia Civil da Bahia.

Feitoria do Linho Cânhamo

A historiagrafia brasileira sobre a maconha ficou um pouco mais rica. O festival Gramado Cine Vídeo fez o pré-lançamento do filme "Feitoria do Linho Cânhamo" uma realização da Preifura de São Leopoldo e produção de Emir Silva. O filme narra a história dos negros do Vale do Sino, mas traz dados importantes sobre o empreendimento da Real Feitoria do Linho Cânhamo na região. Assista abaixo um trecho do vídeo:





Saiba mais: Diário de Canoas

Muda no mundo a política sobre drogas


Por Paulo Mussoi

A frase do título acima foi a tônica do debate promovido na última quinta-feira pelo Viva Rio com alguns dos integrantes da nova Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia, que teve sua inauguração oficial lavrada nesta sexta.

O debate, realizado na sede da entidade, teve como estrelas o ex-presidente FHC e algumas das maiores autoridades na discussão sobre o assunto no mundo. As mesmas que estiveram, no dia seguinte, no lançamento oficial da comissão, ocorrido na sede da Fundação Oswaldo Cruz: Mike Trace, ex-czar das drogas no Reino Unido; Peter Reuter, economista responsável pelo relatório europeu sobre drogas apresnetado à ONU este ano; e Celia Morgan, uma das mais conceituadas bioquímicas especializadas em drogas psicotrópicas no mundo.

Leia a notícia completa
AQUI

domingo, 23 de agosto de 2009

CARTA PÚBLICA: COORDENAÇÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE PSICOLOGIA E COMISSÃO ORGANIZADORA DO XXII ENEP

No dia 25 de julho três estudantes de psicologia da Bahia que estavam participando do XXII Encontro Nacional de Estudantes de Psicologia (ENEP) foram presos, acusados de tráfico de drogas. O fato, ocorrido em em Belo Horizonte – MG, tem sido conduzido de forma pouco transparente, o que tem gerado reações por parte de estudantes e psicólogos que decidiram atuar para auxiliar os estudantes envolvidos. A Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia redigiu uma Carta Pública a respeito do caso. A Ananda se solidariza com a situação dos estudantes presos e procurará ajudar no que for possível para que essa situação seja equacionada o mais rápido possível. Incluímos a Carta na nossa sessão Campanhas e acompanharemos o caso de perto.

Leia na íntegra: CARTA PÚBLICA

Fórum Interinstitucional sobre Adolescência e Drogas: "O adolescente, o desejo e os laços sociais"

Grupo de Atenção e Investigação da Adolescência (GAIA)

Convidam para o Fórum Interinstitucional sobre Adolescência e Drogas

Tema: “O adolescente, o desejo e os laços sociais

Expositora: Marlize Rego - CETAD / UFBA

DATA: 04 de setembro - Sexta-feira

HORÁRIO: 15h00min

LOCAL: CETAD/UFBA-SESAB

Rua Pedro Lessa, 123 – Canela

Tel: 3336-3322

ABERTO AO PÚBLICO

A ABRAMD apoia debate sobre reformas das políticas de drogas

Por Vera da Ros,

Patrocinar a vinda de Ethan Nadelmann (DPA) ao Brasil para proferir a palestra magna em seu Congresso foi uma demonstração de apoio incontestável da ABRAMD – Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas - ao movimento de reforma das políticas de drogas em nosso país. Isto porque, além da participação desse ativista internacional no evento, que reuniu um grupo multidisciplinar de profissionais, sejam da saúde, da educação, ou das universidades, também possibilitou que inúmeros eventos como o da Psicotropicus/Viva Rio/Ministério da Justiça, o do IBCCrim e do O Globo fossem realizados e tivessem tanta repercussão. Especialmente para o Psicoblog, faço aqui um relato do que presenciei de mais importante durante esses 3 dias de congresso.

Leia na íntegra: Psicoblog

Professor Carlini fala sobre "maconha interna"


Um momento solene do 2º Congresso da ABRAMD – Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas – foi a palestra do professor Carlini , na cerimônia de encerramento do Congresso. Foi uma apresentação científica e com linguagem técnica, mas extremamente interessante ao abordar o tema sistema canabinóide do cérebro humano, trabalho pelo qual recebeu recentemente prêmio da comunidade científica internacional.

Relatou que quando em 1964 foi encontrado e isolado o tetraidrocanabinol (THC), sequer se conhecia o princípio ativo dessa planta. Tal descoberta deu lugar a dois questionamentos. Primeiro: se existe o THC, uma substância pura que age no cérebro, nele deve existir um receptor programado para recebê-la. Segundo: se esse receptor existe, nós devemos produzir espontaneamente uma espécie de maconha interna para atuar sobre ele.

Leia na íntegra: Blog da Psicotropicus



A “Era do Vazio” – expectativas, problemas e angústias


Um momento interessante do 2º Congresso da ABRAMD – Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas foi a mesa redonda “Prazer e riscos na vida do adolescente” que contou com a presença de Monica Gorgulho, que fez uma apresentação com conceitos teóricos sobre adolescência, mas exemplificou com um grupo focal de jovens bebedores de álcool ao extremo. E apresentou deste vídeo, que foi um sucesso!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O RACISMO NA NEGRA BAHIA

Há poucos dias os membros da ANANDA receberam um relato chocante de discrimanção racial aqui em Salvador. Vânia, uma das vítimas do caso, autorizou a publicação de sua carta, que trazemos a público:

"Esta carta impressa, ou eletrônica, chega a sua mão para contar algo quea conteceu comigo, minha família e meus amigos; provavelmente eu sou sua vizinha, amiga ou temos conhecidos em comum. Meu nome é Vânia xxxxxxx, sou jornalista de formação, e moro na Rua xxxx, nºxx. Sou casada há quase 2 anos, com Cláudio xxxxxxx. Somos um casal fisicamente diferente, ele é negro, alto, rastafári; eu sou branca, e tenho cabelos encaracolados. Quando nos casamos resolvemos residir onde eu já morava há 4 anos, aqui no rio Vermelho.

No último dia 08 de agosto por volta das 19h30 iniciei, no espaço de convivência do meu prédio, uma festa de comemoração ao meu aniversário, onde eu reuni cerca de 40 convidados; entre eles a família de Cláudio. Ao realizar a festa já havíamos combinado que o som funcionaria até as 22h e depois diminuiríamos até encerrar por volta da meia noite. Tudo corria bem, estávamos muito felizes, NENHUM VIZINHO DEMONSTROU QUALQUER PROBLEMA COM O SOM. Por volta das 21h30 ouvi algumas pessoas na entrada do prédio conversando com Cláudio, eram dois policiais militares, imaginei que eles estavam falando sobre alguma outra coisa, pois A VIATURA ERA DE ITAPOAN. A seguir Claudio abaixou o volume do som e assim ficou.

Por volta das 23h30, quando alguns convidados já se despediam, me surpreendi de ver um homem alto, muito musculoso, usando short de elástico, camiseta e chinelo, apontando o dedo para Cláudio na frente de todos, dizendo que ele estava preso porque não havia diminuído o volume do som. Ao lado deles estavam DOIS POLICIAIS QUE NÃO PORTAVAM IDENTIFICAÇÃO, um deles ARMADO COM UMA METRALHADORA e outro algemando Cláudio; desci as escadas até onde eles estavam e perguntei: "Gente, o que é isso?". Então me dirigi a este homem de short e ele me respondeu que era autoridade. Reagi e gritei: "Saia da minha casa, você não tem o direito de entrar aqui"; ele me respondeu retirando a pistola do short e apontando em direção a minha cabeça. Na hora não pensei em nada, só em ficar entre ele e Cláudio, e empurrar aquele homem mesmo armado, e pedia aos policiais "Por favor me ajudem, quem é esse homem?" Os policiais nada faziam, e o homem sendo empurrado pegou com a outra mão o celular e dizia, "É melhor vocês subirem, que eles não querem deixar eu levar"; como num passe de mágica mais 3 viaturas apareceram e os policiais arrastaram Cláudio algemado para fora de casa, comigo e mais 20 pessoas que gritavam e se agitavam com tantas armas e policiais na nossa rua, que é apenas de residências e não tem saída.

TODOS OS POLICIAIS ESTAVAM SEM A IDENTIFICAÇÃO. Cerca de 10 policiais começaram a coagir as pessoas e muita gente estava chorando no meio da rua. Foi quando uma viatura chamada por uma das minhas convidadas chegou com um Oficial com identificação que se apresentou, e disse que precisávamos ir à delegacia, pois aquilo estava fora de controle, assim finalmente retiraram a algema de Cláudio e fomos até a delegacia do Rio Vermelho. Lá esperamos a delegada, que colheu as versões e perguntou a Cláudio se ele gostaria que continuasse a investigação e ele disse que sim. Nossos depoimentos foram agendados. Também fomos a corregedoria da PM e prestamos queixa.

Escrevo, para perguntar a vocês: O QUE É ISSO? Pois no auge da minha idade e experiência não consigo entender, como um vizinho, que mora a 300metros da minha casa, não vem e conversa comigo sobre qualquer problema, por que um vizinho pegaria uma PISTOLA e colocaria na cintura NO MEIO DA NOITE e entraria na minha casa? Por causa de um som, que ninguém reclamou? Por que os policiais não tinham a identificação? Por que este homem gritava e humilhava Cláudio na frente da família dele e dos amigos? Por que algemar uma pessoa desarmada e que não oferecia nenhum perigo? O que teria acontecido com Cláudio se eu não reagisse? Se meus amigos não fosse em bloco para a delegacia? Se o policial acionado pela nossa casa não tivesse chegado?

Não tenho respostas. E isso me consome. O medo de uma Polícia coorporativa que não protege o cidadão nem da arbitrariedade da própria polícia, que ataca, que humilha. Estou esgotada de pensar e não conseguir as respostas. Porque infelizmente acho que sei as respostas. Ao fim, isso poderia acontecer com qualquer amigo, vizinho, conhecido, nãosou diferente de ninguém.

Meu nome é Vânia xxxxx, meu RG é xxxxxx, moro no AP. xx, fui humilhada e coagida por um homem que dizia ser oficial da PM armado com uma Pistola, de shorts, camiseta e chinelo, que invadiu a minha casa e conseguiu reunir 5 viaturas policiais e cerca de 10 PMs, num sábado a noite, motivado por um som que não incomodou nem aos meus vizinhos de parede. A arma deste homem, além do consentimento dos colegas Policiais, foi sua PISTOLA e a sua "AUTORIDADE". A minha arma e de Cláudio são as palavras, e minhas testemunhas, que agora passam a ser vocês. Temos medo, mas não vamos desistir da nossa dignidade e nem do direito de resistir a brutalidade, a opressão e ao abuso.

A você que leu esta carta peço ajuda. Resista também, e fique consciente doque esta acontecendo. PRECISAMOS NOS INDIGINAR E TAMBÉM USAR NOSSAS ARMAS."

Sabemos que o caso de Vânia, infelizmente, é mais um de vários que acontecem todos os dias na nossa cidade. Mas isso não faz menor a nossa revolta.
Lutamos pelos direitos dos usuários de drogas, uma minoria discriminada pelos familiares, vizinhos, colegas de trabalho, pelo Estado. Entendemos que a criminalização das drogas anda lado-a-lado com a criminalização da pobreza e a discriminação racial e, assim, vamos de encontro a qualquer forma de preconceito.
O caso de Vânia segue em andamento na Corregedoria Geral do Estado e na Corregedoria da Polícia Militar, além da queixa enviada ao Ministério Público.

Conheça o site RACISMO EXISTE.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A Marcha da Maconha no 51° Congresso da UNE

Por Eduardo Ribeiro (Dudu)

Coordenador Geral do DCE/UFBA

A descriminalização das drogas voltou a ser tema de debate no 51° Congresso da UNE, realizado no mês passado, em Brasília. A mesa sobre o tema, realizada na tarde do dia 16, reuniu uma centena de jovens com o sociólogo carioca, Renato Cinco. Não foi apresentado pela mesa do evento, o motivo para o representante da UNE no CONAD, Sérgio Vidal, não estar presente, apesar de constar na programação.

A apresentação de Cinco levantou questões fundamentais para o debate sobre a descriminalização das drogas no Brasil, relacionando a repressão ao consumo e ao tráfico a uma guerra contra a própria pobreza. A legislação sobre drogas hoje no Brasil privilegia a repressão, em caso, a pobres. Mais de 80% das mortes causadas diretamente pelo uso de drogas, não estão associadas ao uso, mas à violência associada do tráfico.

Avalio que os limites da avaliação de Cinco estão na resistência ao debate quanto a repressão do aparelho de Estado a uma população que além de classe, tem cor. O risco de ser assassinado no Brasil é 2,6 vezes maior entre adolescentes negros do que entre brancos. Muitas das mortes são em comunidades populares e a justificativa da polícia é o envolvimento com o tráfico, assumindo o papel de executor sumário de nossa juventude.

Muitas intervenções do público demonstraram preocupações acerca do direito individual ao porte e consumo, passando à margem do direito coletivo à vida e o combate ao racismo institucional.

A atividade foi encerrada com uma Marcha da Maconha pelos corredores da UnB, primeira em um Congresso da UNE, contando com mais de 300 pessoas. Entre gritos de “Chega de morte. Chega de prisão. Vamos defender a legalização!”. A manifestação seguiu sem acompanhamento policial.

"SEUS OLHOS VÃO ENTREGAR VOCÊ"

Por encomenda das autoridades de trânsito, começará a ser veiculada na Grã-Bretanha uma campanha publicitária em que atores aparecem com olhos arregalados durante todo o tempo, para alertar motoristas que dirigem sob efeito de drogas de que podem facilmente serem flagrados pela polícia.


Como parte da campanha de 2,3 milhões de libras (cerca de R$ 7 milhões), que vai ao ar na Inglaterra e no País de Gales, um comercial de televisão mostrará um carro cheio de jovens de olhos esbugalhados, seguido da mensagem "Seus olhos vão entregar você".


Segundo o Departamento de Transporte britânico, entre motoristas jovens e homens, um em cada dez admite dirigir sob o efeito de drogas. Além disso, estima-se que no país um em cada cinco motoristas ou motociclistas envolvidos em acidentes de trânsito tenha em seu corpo algum tipo de droga - legal ou ilegal - que comprometa suas habilidades de direção.

Uma organização não-governamental em prol da segurança no trânsito disse que a campanha é bem-vinda para "educar" os motoristas, mas ressalvou que medidas para coibir os abusos são fundamentais.

Leia a matéria na íntegra AQUI.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Ananda apresentará trabalho sobre cânhamo em Congresso Internacional

Em 20 de dezembro de 2006, a Assembléia Geral das Nações Unidas decidiu proclamar o ano de 2009 como o Ano Internacional das Fibras Naturais, conforme resolução 61/189.

Para marcar esse ano, a Bahia sediará o I Congresso Internacional sobre Fibras Naturais, que está marcado para o mês de setembro. Os pesquisadores Sergio Vidal e Laura Carvalho apresentarão o único trabalho a respeito do Cânhamo no evento, com o título: “A fibra do Cânhamo: História, Legislação, Potencialidades e Atualidades”. Em breve maiores informações.

Deputado Paulo Teixeira afirma que lei antidrogas prejudica usuários

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou que a lei antidrogas em vigor no Brasil "aumenta o dano aos usuários, porque nas prisões eles entram no crime organizado", durante uma conferência regional sobre drogas que foi fechada no dia 7 de agosto em Buenos Aires.

O parlamentar, autor da primeira norma de "redução de danos" do consumo de drogas no Brasil, apresentou um estudo que afirma que 84% dos sentenciados entre 2006 e 2008 por posse de drogas no país não portavam armas e que 50% dos condenados por tráfico de maconha tinha em seu poder menos de 100 gramas da erva.

Teixeira antecipou que o PT apresentará em setembro um projeto de lei que passará a "um modelo democrático" no tema das drogas.

Leia a notícia na íntegra clicando AQUI.

Fonte: globo.com

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Em que pé andam as Ações da Procuradoria Geral da República?

No dia 22 de julho a Procuradora-geral da República, Deborah Duprat, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) e uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), alegando desrespeito a direitos fundamentais, como liberdade de expressão e de reunião, através da proibição de atos públicos a favor da legalização das drogas.

O Processo está correndo e já contamos com algumas manifestações relativas a ADI, como a da Câmara dos Deputados, que relata que "não há o que esta Presidência informar" e a da Presidência da República.

A manifestação da Presidência da República faz várias considerações: reconhece que a participação em um evento pela mudança na lei relativa ao uso de uma substância considerada ilegal hoje não pode ser considerada apologia ao crime, mas afirma que há uma linha tênue entre o tipo penal e a liberdade de expressão pela mudança legislativa, sendo necessária a análise de caso a caso. Por fim, entende que "a presente ação não deve ser conhecida".

Para acompanhar o andamento basta entrar no site do STF e ir no ícone de Acompanhamento Processual. Digite o número do processo (4274 ou 187) e selecione ADI/4274 ou ADPF 187. Clique no ícone em vermelho "Peças Eletrônicas" e tenha acesso a todos os documentos já disponibilizados pelo STF.

BOLETIM ENCOD SOBRE POLITICAS DE DROGAS NA EUROPA

N. 54: A VERDADE DA DESCRIMINALIZAÇÃO - Portugal simplesmente se tornou um pais mais humano e justo - CLIQUE AQUI PARA LER

Encod no Festival Paredes de Coura 2009



A Encod - Coligação Européia por Políticas de Drogas Justas e Eficazes estave presente no Festival Paredes de Coura 2009, na região norte de Portugal. A Encod manteve um stand durante o evento para oferecer informações e conhecimentos a respeito das políticas e leis sobre drogas, do movimento antiproibicionista e de práticas de redução de danos e cuidado com a saúde.

Segundo Jorge Roque, da Encod, foi surpreendente a quantidade de pessoas que se identificaram com as mensagens do grupo, mas que ainda desconheciam a existência de organizações que atuavam para a mudança nas políticas e leis sobre drogas e que estava disposta a escutá-los.

A Encod sugere a tod@s @s ativistas no mundo inteiro que procurem se aproximar de organizadores de eventos e festivais como esse, para aproveitar o enorme potencial de mobilização e difusão de informação que essas oportunidades proporcionam. A Encod se coloca a disposição para ajudar no que for possível, para viabilizar a participação de ativistas nesse tipo de eventos e sugere que esse tipo de ação seja planejada e negociada com meses de antecedência.

VEJA FOTOS DO EVENTO: CLIQUE AQUI

*Essa matéria foi enviada por Jorge Roque e adaptada para o português por Sergio Vidal

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Família Realidade Sem Máscara: ANANDA no Hip Hop Salvador


Realidade Sem Máscara. Esse é nome do grupo, ou melhor, da Família Hip Hop soteropolitana do bairro São Caetano. E nada melhor que esse nome para descrever a atuação dessa galera que busca cidadania e afirmação através da cultura, da arte e do esporte de rua, mostrando e enfrentando a realidade que os governantes, os setores acomodados da sociedade e a grande mídia buscam ocultar e distorcer, por ignorância e interesse.

A convite de Brunão, um dos membros da Família, a ANANDA participou no último sábado (08/08/09) do evento "Hip Hop Salvador", realizado no fim de linha de São Caetano. Foi uma tarde muito bacana, que combinou a diversão da garotada que jogava futebol, as famílias passeando, a cerveja gelada no bar, com música de qualidade, basquete, break, e muita troca de idéias. Além disso, nosso parceiro videomaker Jonga e sua equipe gravaram algumas cenas para o primeiro clipe da Família. Acompanhamos toda a montagem do evento, a correria da galera que com as próprias mãos constrói os meios para se expressar, e pudemos estabelecer um contato que ainda tem muito para frutificar. A ANANDA tem como um de seus principais objetivos a aproximação com as diversas realidades locais, para que possamos aprender sobre e com elas, ampliando no espaço e no conteúdo os debates sobre o universo das drogas e dos grupos sociais envolvidos nele.

Voltamos para casa felizes com a receptividade da galera e com a tarde de diversão e informação, mesmo que não tenhamos ficado até a noite, quando a festa realmente esquentou. Em breve conversaremos mais com a Família e poderemos falar com um pouco mais de propriedade sobre a realidade sem máscara de São Caetano e Salvador. E além disso, outros eventos como esse já estão sendo programados pela galera pra dentro de pouco tempo, e a ANANDA fará todo o esforço para participar novamente, na divulgação e na presença. Salve o Hip Hop e a Família Realidade Sem Máscara!

sábado, 8 de agosto de 2009

A Folha Entrevista: Ethan Nadelman

Postagem simultânea (Growroom & Ananda)

Hoje, 3 jornalistas da equipe da Folha da Cannabis tiveram uma experiência muito enriquecedora: tivemos a oportunidade de conhecer e entrevistar Ethan Nadelman, Diretor Executivo da Drugs Policy Alliance, entidade que atua promovendo discussões sobre políticas e leis sobre drogas no mundo todo. A conversa abordou temas ligados à essas políticas e leis e a realidade atual brasileira. Ethan abordou temas como o cultivo para consumo próprio, a regulamentação do porte, plantio e comercialização, o modelo Cannabis Social Clubs e o potencial terapêutico da erva.

Além disso, falamos para ele um pouco a respeito da atual cena de ativismo e cultura canábica no Brasil, dando ênfase à apresentação do Growroom, da Ananda, da Marcha da Maconha e, é claro, da Folha. Ethan ganhou de presente uma camiseta da Ananda e uma edição do livro O Fino da Massa.

Pois é turma. A Folha está crescendo, amadurecendo. Em breve chegará a hora de colhermos bons frutos. Aguardem a primeira edição da Folha da Cannabis com a entrevista exclusiva na íntegra realizada com Ethan.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Família Realidade apresenta: "HIP HOP Salvador"

Atenção turma soteropolitana! Em uma das nossas empreitadas de militância nos deparamos com uma galera muito legal - A Família Realidade - um grupo de Hip Hop soteropolitano, vindo diretamente do bairro de São Caetano.

Temos a honra de divulgar o evento promovido pela Família Realidade que reunirá a galera do Hip Hop de Salvador a partir das 14hs, na Quadra Antiga Beija-Jegue, no fim de linha de São Caetano. Entre outras atividades, vai rolar grafite, basquete, skate e, é claro, muito Hip Hop de qualidade.

A forma como conhecemos essa rapaziada é inusitada. Estavámos nós no dia 31 de maio, militando contra a proibição da Marcha da Maconha e essa rapaziada ia passando e, é claro, foram considerados suspeitos e foram revistados. Um deles estava sem o documento e foi levado à delegacia. Pegamos o contato da galera pra ajudar. Terminado o trampo da Polícia, a rapazeada soltou o verbo ali mesmo e lanço um freestyle sobre a Marcha, criado na hora pra galera.

Nosso parceiro Jonga, que gravou o vídeo dar Marcha captou as imagens e em breve soltará pra nós.

No evento a Família Realidade vai gravar seu primeiro video-clip, sob direção de Jonga.

A Ananda é Top Blog! Vote até o dia 11

A Ananda está concorrendo no prêmio do Portal Top Blog, na categoria Política. Para votar no nosso blog: CLIQUE AQUI

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Cultivo pra consumo próprio será debatido em Congresso Científico

Nos próximos dias 5 a 8 de agosto será realizado o II Congresso da ABRAMD - Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas.

Na quinta-feira, dia 6, às 15:30, na Mesa 1 o antropólogo e membro da ANANDA, Sergio Vidal, apresentará o trabalho "A regulamentação do porte, plantio e distribuição não-comercial de maconha: Um paradigma legal de redução de danos".

Leia resumo da apresentação: CLIQUE AQUI

Veja a programação completa do Evento: CLIQUE AQUI


Ethan Nadelman no Brasil.


O diretor executivo da Drug Policy Alliance, Ethan Nadelmann está no Brasil até o dia 9 de agosto e participará de uma série de eventos promovidos por diversas organizações e veículos da mídia brasileira.

Desde 2000 à frente da Drug Policy Alliance, o doutor em direito pela Harvard e professor de política da Princeton se tornou o mais proeminente defensor de reformas nas políticas de drogas no mundo. Descrito como "the point man", pela revista Rolling Stone, por seu papel de liderança, Ethan Nadelmann é hoje referência quando se fala em legalização e fim da guerra às drogas.

Meu último encontro com Ethan foi em abril, na conferência da IHRA na Tailândia, conversamos sobre sua ida, já confirmada, ao Brasil para o congresso da ABRAMD e do interesse da Psicotropicus em promover outros eventos com ele na mesma ocasião.

Leia na íntegra: Marisa Felicissímo

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Endocanabinóide podem ajudar a combater a gripe suína

Segundo os cientistas da Cannabis Science Inc., uma empresa especializada em estudos sobre a Cannabis para uso médico, as drogas à base de Cannabis podem abrandar a pandemia da gripe H1N1 (gripe suína).

O director do departamento científico da CSI, doutor Robert J. Melamede, afirma: “A pesquisa do uso de extractos de Cannabis puros e de compostos multicanabinóides proporcionou-nos a compreenção científica sobre a eficácia médica da marijuana no tratamento de algumas das piores doenças que a humanidade enfrenta neste momento, inclusive doenças infecciosas como a gripe e o VIH, doenças autoimunes como a ELA (esclerose lateral amiotrófica), a esclerose múltipla, a artrite e os diabetes, e condições neurológicas como a doença de Alzheimer, a aplopexia e danos cerebrais, assim como numerosos tipos de cancro”.

O doutor Melamede afirmou ainda que “A elevada letalidade de alguns tipos de gripe pode ser atribuida à resposta excessivamente inflamatória causada pelo factor de necrose tumoral (FNT). Os endocanabinóides são a maneira natural da natureza controlar a actividade FNT. Os fitocanabinóides podem imitar os endocanabinóides naturais de modo a prevenirem respostas imunitárias excesivamente inflamatórias”.

Melamede acredita que o potencial canabinóide de previnir naturalmente as respostas imunitárias excesivamente inflamatórias é enorme. Segundo ele, "Com base em recentes descobertas sobre o papel do sistema endocanabinóide na manutenção da saúde humana, podemos ter encontrado uma solução única para a asssustadora ameaça colocada pelos vírus de gripe mortais, que acreditamos, se implementada, poderá salvar milhões de vidas".

Lê o artigo integral (em inglês): Examiner

Drogas: oito anos de descriminalização em Portugal

Quando se trata de discussões sobre política de drogas e proibicionismo, boa parte delas gira em torno de teorias. Uma ação que está começando a chamar a atenção é a descriminalização do uso das drogas, que, em outras palavras, é o que acontece quando usuários de drogas contornam o sistema de justiça criminal e vão direto para o sistema de saúde.

Pouco conhecido nos círculos dos formuladores de políticas públicas é o caso de Portugal, uma nação que deu o passo de descriminalizar o uso de todas as drogas em 2001.

"Eles o fizeram por uma única razão: estavam muito preocupados com altas taxas de abuso de drogas nos anos 90 – mais especificamente com a heróina -, então chegaram à conclusão de que descriminalizar era o único caminho para baixar as taxas de abuso", diz o jornalista e comentarista político Glen Greenwald, que escreveu um relatório sobre os oito anos de descriminalização em Portugal para o Instituto CATO dos Estados Unidos.

Leia na íntegra: Comunidade Segura

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sugestão da UNE sobre posição brasileira na UNGASS

Por Sergio Vidal, Representante da União Nacional dos Estudantes (UNE) no Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD)

O documento foi enviado ao CONAD e aos membros do Conselho em abril de 2009, como parte do processo de construção da posição brasileira apresentada em Viena, em março.

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Prezado(a)s do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD),

Por ocasião da Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre o tema das drogas (UNGASS), que será realizada em Vienna, nos dias 11 e 12 de março de 2009, a União Nacional dos Estudantes, através do seu representante no CONAD, encaminha algumas sugestões que considera importantes que sejam incluídas no documento que expressará a posição oficial do Governo Brasileiro perante a comunidade internacional, que está sendo preparado pela SENAD e será levado à consideração do CONAD.

Tendo em vista que nas últimas décadas o foco das políticas internacionais sobre drogas têm sido a redução a todo custo da oferta e da demanda sem, no entanto, obter avanços significativos nos objetivos de garantir o acesso à segurança, à saúde e à cidadania tanto das pessoas que usam drogas, como da sociedade em geral, sugerimos:

Que seja reconhecido, através de uma análise criteriosa dos objetivos alcançados pelas políticas adotadas até o momento, que somente a repressão à produção e ao uso, da forma como atualmente são realizadas, não diminuem efetivamente os danos sociais ou à saúde possivelmente causados pelo consumo de drogas, podendo inclusive causar ou agravar outros problemas sociais, de acordo com o modelo de atuação adotado e a realidade de cada país;

Que seja admitida a necessidade de mais pesquisas e estudos, envolvendo todas as áreas do conhecimento e respeitando as especificidades de cada realidade observada, para que sejam realizados diagnósticos mais precisos e estratégias mais eficazes, realistas e humanitárias para lidar com o consumo de drogas;

Que seja reconhecido o histórico das ações de redução de danos no Brasil e admitida a importância desse paradigma no enfrentamento das conseqüências do atual uso de drogas, bem como sugerir que deva ser incluído nos Tratados Internacionais, no mesmo patamar dos paradigmas de redução da oferta e da demanda;

Que seja reconhecido que muitas das plantas atualmente proscritas têm potencial valor medicinal e econômico, sendo que os modelos atualmente adotados pela maioria dos países para exercer o controle do consumo tem impedido tanto as pesquisas científicas quanto os possíveis usos medicinais e industriais;

Que seja reconhecida a existência no Brasil e no mundo de diversos grupos que fazem uso tradicional e religioso de plantas e substâncias que atualmente são consideradas proscritas. Além disso, sugerir que seja feito o reconhecimento da legitimidade histórica e cultural desses grupos, bem como que eles sejam incluídos e levados em consideração em qualquer processo de regulamentação;

Que seja admitida a possibilidade de discutir, analisar e experimentar modelos políticos mais flexíveis e adequados à realidade atual, que estão atualmente em andamento e experimentação em diversos países do mundo – a exemplo da Alemanha, Espanha, Inglaterra, Canadá, Holanda, Austrália, entre outros;

Que seja aproveitada a ocasião para informar à comunidade internacional sobre os erros cometidos pela delegação brasileira na Convenção de 1961, que resultaram na equiparação da Cannabis sativa aos opiáceos e sua inclusão na Lista VI desta Convenção. Esse erro foi denunciado e sua correção foi acordada com a SENAD em 2004, no durante o Seminário Cannabis sativa L. e Cannabinóides em Medicina, que foi transcrito e publicado pela SENAD no mesmo ano, e pode ser consultado no seguinte endereço: http://www.encod.org/info/IMG/pdf/CannabisFinal.pdf

domingo, 2 de agosto de 2009

Aúdio da Aula "Da Diamba à Cannabis: reflexões sobre as relações entre as ciências e os usos da maconha no século XX"

Essa aula foi ministrada em 3 de maio de 2007, como abertura da 1ª edição do Seminário "Maconha na Roda": Políticas Públicas em diálogo com a Sociedade Civil, promovido pela ANANDA - Ativistas, Redutores de Danos e Pesquisadores Associados nos dias 3 e 4 de maio de 2007, com o apoio da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH) e do Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos (GIESP), da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Para ouvir o áudio: CLIQUE AQUI
Leia relato do evento: CLIQUE AQUI

A aula fez uma descrição da abordagem comparativa proposta pelas teorias da antropóloga Vera Rubin, descrevendo e analisando os contextos de utilização da planta a partir dos conceitos de “complexo da ganja” e “complexo da marijuana”. Em seguida, expôs uma cronologia das legislações brasileiras com relação à planta, destacando principalmente os período do final do séc. XVIII, quando surge a Real Feitoria do Linho Cânhamo e o cultivo para a produção de fibras têxteis era amplamente estimulado e difundido pela Coroa; e início do séc. XX, quando surge e se consolida o proibicionismo brasileiro, através das teses eugênicas e da institucionalização da proibição. Sergio Vidal analisou os principais fatores e interesses que teriam contribuído para levar à proibição da maconha no Brasil, e discutiu as especificidades dessa repressão, anterior até mesmo às iniciativas estadunidenses e internacionais.

A última parte da aula centrou a discussão sobre a nova lei antidrogas, n. 11.343 e suas inovações, dando ênfase para a consolidação do paradigma de Redução de Danos, para a descriminalização do porte e do plantio para uso pessoal, e discutindo as especificidades das estratégias de redução de danos para Cannabis. A aula foi encerrada com a apresentação da proposta da ENCOD – Coligação Européia por Políticas de Drogas Justas e Eficazes, e do trabalho do fórum Growroom, que propõem a tolerância legal e social ao cultivo não-comercial como principal estratégia de redução de danos para a planta.

Essa aula foi apresentada originalmente em dezembro de 2006 como parte do curso “Drogas: Perspectivas em Ciências Humanas”, organizado pelo NEIP - Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (USP), e desde então vêm sendo acrescentados novos dados, informações e reflexões críticas.

A publicação desse aúdio é uma parceria entre a Ananda e o Growroom - seu espaço para crescer, que gentilmente tem hospedado uma parte dos nossos conteúdos. Esse arquivo ficou tanto tempo esquecido devido a um problema de comunicação entre nós e o colaborador que ficou responsável por esse trabalho. Existem diversos outros materiais, vídeos, aúdios, fotos, em mãos de colaboradores, ainda aguardando por publicação. Se você é um dos nossos "colaboradores desgarrados" e queira entrar em contato para publicarmos seu material com os devidos créditos entre em contato: contatoananda@gmail.com ou (71) 81771488.

sábado, 1 de agosto de 2009

Henrique Carneiro participa de Reunião da ANANDA


Na reunião da ANANDA do último dia 15 de julho tivemos a presença iluminada do historiador Henrique Carneio, pesquisador do NEIP e professor do Departamento de História da USP. Conheci Henrique quando participei de um curso promovido pelo NEIP - Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos, em 2006, após o qual passei a fazer parte do Núcleo. Desde então temos mantido correspondência e ele tem mostrado muito interesse no trabalho da ANANDA. Aproveitando uma passagem a trabalho por Salvador, Henrique nos deu a oportunidade de dar sua colaboração às idéias e atividades do grupo e pode entender um pouco melhor nossas propostas e formas de atuação.

Na reunião, discutimos diversos assuntos, entre eles: A participação de Luana Malheiro na CLAT5; As formas de atuação no CONUNE (ainda desconheciamos que a passagem havia sido cancelada); Os próximos debates que vamos organizar e participar em agosto e setembro; A reestruturação do layout do site e de algumas campanhas atualmente em andamento; A participação da ANANDA no Congresso da ABRAMD, entre outros assuntos sobre posicionamentos políticos e ideológicos sobre diversas questões relacionadas à temática de trabalho.

Esperamos poder em breve tê-lo mais uma vez entre nós compartilhando suas idéias e sua enorme energia em trabalhar por políticas e leis sobre drogas mais justas e eficientes. Grande abraço companheiro!

Campanha contra a PL 252


A Lei Antidrogas 11.343 , em vigor no Brasil desde outubro de 2006, apesar ter trazido alguns avanços continua sendo uma legislação proibicionista em suas intenções e que desrespeita diversos direitos e princípios constitucionais estabelecidos. Ainda que haja muitos pontos dessa Lei que poderiam ter avançado mais, atualmente estão tramitando na Câmara e no Senado Projetos de Lei que pretendem modificá-la, muitos no intuito de torná-la ainda mais repressora, como é o caso do Projeto de Lei n252, proposto pelo senador Demóstenes Torres (DEM).

Esse Projeto de Lei propõe: Alterar a Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006, para prever pena de detenção no caso de descumprimento injustificado das medidas educativas aplicáveis ao uso indevido de drogas, bem como para punir mais severamente o plantio destinado a consumo pessoal.

É um absurdo que, apesar de todos os debates que vêm ocorrendo, quer seja no âmbito dos movimentos sociais que lutam pelo direito das pessoas que usam drogas, quer seja ligadas à instituições voltados para pesquisa, prevenção e redução de danos ainda existam atores políticos que gastem tempo e dinheiro público buscando atuar na ampliação da repressão ao cultivo para consumo próprio, uma prática que, em sua própria definição já afirma-se relacionada com a figura do usuário.

É lamentável a atitude do senador Demóstenes Torres, que não apenas ignora a demanda proveniente da Sociedade Civil, mas também desconsidera as discussões de especialistas sobre o tema, que mesmo antes da aprovação da lei 11.343 já tendiam a equiparar as condutas de plantio para consumo próprio à de porte para uso pessoal, e considerar o auto-cultivo como uma eficaz medida de redução de danos.

Assine a Petição On-line em Repúdio ao Projeto de Lei 252: CLIQUE AQUI

Conheça mais sobre o Senador Demóstenes Torres e veja seus contatos: CLIQUE AQUI

Para conhecer a PL 252, proposta pelo senador Demóstenes Torres: Clique Aqui

Leia artigo de Sergio Vidal sobre o tema: CLIQUE AQUI

A reação cidadã

Por Sergio Vidal, da Central de Informações ANANDA (CIA)

O Brasil é um país marcado por imensas desigualdades. Sociais, econômicas, políticas, mas uma das principais e mais graves é a desigualdade de acesso à Justiça. A Justiça, um conceito tão caro à manutenção das chamadas Democracias Modernas, deveria ser um poder distribuído de forma democrática e igualitária. No entanto, atualmente está restrita somente àqueles que conseguem ter acesso aos operadores do Direito, figuras que muitas vezes se mantém distantes e inacessíveis. Nesse contexto, a impunidade é atualmente considerado um dos "monstros" mais perniciosos da diversa "fauna" da Justiça brasileira.

Por mais que neguemos e que adotemos apenas a postura de sair por aí afirmando: "O que é o que o governo tem feito sobre isso?"; "A culpa é do Governo"; "A culpa é da falta de Leis"; "A culpa é da Justiça", ainda nos restará uma fatia de propriedade neste latifúndio.

É claro que não se quer afirmar que todos estamos de acordo com as injustiças cometidas por aí. Não se trata disso. Mas devemos ser honestos conosco e admitir que a impunidade, esse "parasita", é muitas vezes alimentado por nós mesmos, quando nos omitimos em casos que poderíamos denunciar. Quando deixamos de dar queixa por receio de retaliações, ou apenas por apatia ou achar que o assunto "dos outros" não nos diz respeito.

Há alguns dias estamos aqui nesse Blog relatando o caso de Robson, rastafari que foi agredido por portar sua erva Sagrada e que não apenas se recusou a cumprir a pena por porte, como está processando o Estado pelas agressões sofridas. Esse é um caso de um cidadão corajoso que tem exigido e praticado a Justiça a todo custo.

Outro caso recente nos chamou atenção. Não lembro de nenhuma outra notícia de caso parecido, desde quando comecei a acompanhar notícias relacionadas ao tema, há 7 anos atrás. Trata-se de cidadãos que tiveram suas casas invadidas e revistadas durante uma Operação Policial no bairro de Santa Cruz, que deram queixa por invasão e vandalismo. Procuramos acompanhar também as notícias desse caso na medida do possível.

O caso do Policial Civil assassinado também não pode ficar impune. E, pelo que vemos , se depender da mobilização política dos seus colegas, os culpados serão submetidos à Justiça.

Esperamos que esses casos em que cidadãos têm se mobilizado para exigir da Justiça um tratamento adequado à abusos cometidos por policiais sirva de exemplo para toda a sociedade baiana e brasileira.