segunda-feira, 29 de junho de 2009

ANANDA: Cultura, Política e Informação sobre maconha nas ruas de Salvador


"Não somos anônimos, Somos a ANANDA"

No último domingo, 28 de junho, os integrantes da ANANDA, vivenciaram mais uma experiência política e cultural muito importante. Como aconteceu no último dia 31 de maio, estabelecemos um diálogo importante com os cidadãos e cidadãs presentes na região do Farol da Barra e com os agentes da Polícia Civil. A novidade é que, dessa vez, também dialogamos com a Polícia Militar, que recebeu nossos panfletos e ouviu as explicações do porque estávamos nos manifestando e como está o andamento do processo para viabilizar a realização da edição soteropolitana da Marcha Mundial da Maconha.

A Manifestação estava marcada para as 15:30, mas às 14:30 recebemos uma ligação de alguns integrantes da ANANDA que já estavam no Farol da Barra, informando que já havia policiais civis e militares no local. Decidimos ir mais cedo, pegamos os materiais para a Manifestação e nos encaminhamos para o local marcado. Ao chegar lá, cumprimentamos os agentes da Polícia Civil, os mesmos que sempre fazem a cobertura do evento e com os quais temos mantido um debate franco sobre nossos posicionamentos políticos e formas de atuação.

"Integrantes da ANANDA apresentam o material para a Polícia Civil e Militar"

Começamos distribuindo alguns cartazes pelo chão e fincando as interrogações verdes para iniciar a composição do cenário para o funeral da Maria da Legalização, nossa musa da Marcha em Salvador, que só irá sair do caixão onde padece junto com a Constituição Federal quando a Marcha puder ser realizada. Nesse momento, um representante da Polícia Militar nos procurou para consultar se tínhamos conhecimento da manutenção da decisão da Juíza proibindo a Marcha e se sabíamos dos riscos de incorrer no crime de apologia. Informamos a ele que sabíamos da decisão judicial e dos limites legais para a realização da Manifestação, mas que todo nosso material encontrava-se dentro desse limite que estávamos ali dispostos a mostrar todo o conteúdo do Ato para ser apreciado. Distribuímos os restos dos cartazes e demos a ele um dos nossos panfletos, da campanha “Pelo Fim de uma Farsa!”. Ele concordou não haver apologia nos nossos conteúdos e ficou acompanhando a Manifestação, junto com outros polícias militares. No total, além dos 5 agentes da Polícia Civil, tinham 3 viaturas da Polícia Militar e um helicóptero da Política Militar chegou a sobrevoar o Farol da Barra.

"Maria da Legalização e o Funeral da Constituição"

"Agente da Polícia Civil e repórter fotografam o o material da ANANDA"

"Trechos do Art. 5º da Constitução Federal"

Dessa vez, mesmo com o risco de chuva, decidimos montar uma pequena fração da Biblioteca da Ananda no Farol da Barra, para expor ao público e aos policiais livros, dvd´s, artigos científicos e revistas sobre a maconha, com diversas opiniões e estudos sobre a planta e seu consumo. Também foi bastante positiva a cobertura da imprensa, realizada por diversos veículos importantes de comunicação.

"Biblioteca Intinerante da ANANDA"

Ficamos no Farol da Barra até as 18hs, quando nos despedimos da Polícia Civil e Militar e fomos para o nosso merecido descanso. Distribuímos panfletos parar todas as pessoas na região do entorno e no total foram umas 40 pessoas que se aproximaram e procuraram informações sobre do que se tratava a manifestação, além de 15 integrantes da Ananda e simpatizantes, permanentemente no local.

Mas essa é apenas uma batalha numa Guerra muito difícil, penosa e sem muitas recompensas, contra uma política que tem raízes recentes na história, menos de 100 anos, mas que tem deixado marcas muito profundas e dolorosas em toda a sociedade. Nessa luta não adianta apenas contar com o apoio do Estado, ou da Polícia, ou de instituições como a ANANDA, mas é preciso que toda Sociedade se envolva, tome a questão para si. Só assim poderemos mudar alguma coisa na realidade social.

E como a luta é permanente e envolve várias frentes, entre elas a de assegurar as garantias fundamentais da Constituição Federal, a ANANDA continua sua batalha jurídica para viabilizar a realização da edição soteropolitana da Marcha Mundial da Maconha.

Amanhã levaremos uma Petição para atualizar o Habeas Corpus em favor dos integrantes da ANANDA e das pessoas que decidirem ir à Marcha, protocolado no dia 29 de maio.

O andamento do Habeas Corpus já pode ser consultado no site do Tribunal de Justiça www.tj.ba.gov.br

Basta clicar no ícone “Consultas Processuais”, selecionar as opções: 2ª Grau; por número do processo; adicionar o número 34358-4/2009 e acionar a busca.

"Foto em celebração a mais uma tarde de sucesso no Farol da Barra"

Marcha da Maconha: Manifestação defende evento

Jornal A Tarde, 29/06/2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Manifestação contra a proibição da edição soteropolitana da Marcha da Maconha


Quando: 28/06, 15:30
Onde: Farol da Barra
Resumo: Em Salvador, a Marcha da Maconha foi proibida mais uma vez de acontecer devido a uma Ação Cautelar Inominada promovida pelo Ministério Público do Estado da Bahia e deferida na 2ª Vara de Tóxicos. Estamos lutando na Justiça para conseguir colocar a Marcha da Maconha nas ruas, mas até lá, não permitiremos que essa decisão arbitrária cale nosso direito de manifestação.

A Ananda convoca todos os cidadãos e cidadãs que não estão satisfeitos com a forma pouca democrática como a questão está sendo tratada a estarem presentes na Manifestação:
  • Venham vestindo verde - Vamos colorir o Farol da Barra em vários tons de Verde;
  • Distribuíremos mordaças pretas, para lembrar a censura a que estamos submetidos;
  • Traga seus cartazes e faixas contra a censura e a favor da Democracia;
  • Não traga itens que possam ser interpretados como apologia, nem muito menos drogas ilícitas;
  • Traga tênis, camisetas, papel e outros produtos de cânhamo;
  • Traga papéis de enrolar cigarro feitos de cânhamo (hemp) e a nota fiscal da compra. Vamos fazer uma grande instalação com todos esses produtos e suas notas fiscais;
  • Veja a fotos da Manifestação do dia 31: CLIQUE AQUI
  • Leia o relato da Manifestação do dia 31: CLIQUE AQUI
Maiores informações:
(XX71) 81771488

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Massacre de Canabrava, na periferia de Salvador da Bahia

Do Blog Passa Palavra

Como muitos de vocês devem saber, nestes últimos dias mais uma operação policial militar do governo do estado da Bahia resultou em massacre na periferia de Salvador. Este último caso, foi no bairro de Canabrava, dia 16 de junho: cinco jovens executados sumariamente pela polícia, sendo que três deles da mesma família. Três filhos assassinados na frente de uma única Mãe: Edmilson (22 anos), Manoel (23 anos) e Rogério (24 anos).

De imediato algumas organizações negras baianas escreveram algumas primeiras reações, no calor da hora, da dor e da revolta (SEGUEM ABAIXO E EM ANEXO 2 TEXTOS, INCLUSIVE COM FOTOS; PODEM E DEVEM SER PUBLICADOS E
DIVULGADOS AMPLAMENTE). Como diz um dos textos, infelizmente com muita serenidade: “estamos convictos que o papel de nossa geração é não morrer calada”. No entanto se quer mais: os movimentos sociais periféricos e a
juventude negra organizada reaje contra o genocídio, e prepara novas mobilizações. Precisam ser apoiados de todas as maneiras possíveis! A começar por ecoar suas denúncias!

Renicia-se agora e ganha força, depois do último massacre, uma ampla campanha pela saída imediata do atual Secretário de Segurança Pública, César Nunes, que prefere ser chamado de “Secretário de Polícia”. Ele o mesmo que, como integrante de um governo “democrático-popular”, no início do ano em entrevista para o jornal A Tarde (09/01/2009) declarou: “Se tem que tombar, que tombe do lado de lá, não vai tombar do nosso lado, não! Que tombe do lado dos bandidos, mesmo! E a polícia não se acovarda, não, a gente está partindo para cima mesmo!”.

Os recentes massacres, como o de Canabrava, foram premeditados, portanto! O Secretário de Polícia, que ainda permanece no cargo, tem que sair imediatamente! Ele e todos os responsáveis diretos e indiretos por esta nova “matança dos suspeitos” na “faixa de gaza baiana” (VEJAM OUTROS NÚMEROS ABAIXO). Uma investigação muito séria deve buscar a Verdade e a Justiça para Todos estes casos. Indenização e Reparação para as famílias de vítimas fatais; e também para as vítimas sobreviventes (de balas acertadas, torturas, prisões e outras humilhações).

Além desta campanha emergencial pela saída imediata do atual Secretário de Polícia e da busca por Justiça Integral, prepara-se para Agosto deste ano de 2009 o “I Encontro Nacional Popular pela Vida e por Uma Outra Segurança Pública” em Salvador-BA. Organizado por vários movimentos e organizações do país. Precisa ser divulgado, discutido e fortalecido!

Em suma: o genocídio negro virou política explícita de estado. Política e prática de extermínio sistemático. Um verdadeiro massacre premeditado e planejado, cotidiano, contra a juventude negra e periférica. E não é no Paraná ou em Santa Catarina não (que já é grave!), mas na própria Bahia negra, em plena negra Salvador. A exemplo do que já vem ocorrendo em outros estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo… Só que na Bahia tal prática está sendo levada adiante de forma acelerada e celerada, aos olhos de todos, exatamente por um governo auto proclamado “democrático-popular”, um governo chamado de “para todos”… Democracia? Popular? Para quem?

Trata-se de uma verdadeira Duracracia ou Democradura. Um estado de exceção permanente. Algo precisa ser feito quando os dados do próprio Governo não deixam dúvidas quanto à escalada dos últimos anos, que conforma um cenário de massacre de alta intensidade, unilateral:

NÚMEROS DE ASSASSINATOS EM SALVADOR-BA

ANO HOMICÍDIOS

2003 900
2004 840
2005 923
2006 1223
2007 1665
2008 2189

Fonte: SSP-BA

E os dados, os números – estes que não traduzem uma Dor sequer -, mesmo eles não param de se multiplicar. Nos primeiros dez dias de 2009 – ano que ainda não entrou totalmente nas estatísticas -, foram mais de 50 assassinatos, ou mais de dez por dia pela própria contagem oficial. O grosso das execuções cometidas por agentes da polícia. Exatamente na ocasião em que, frente ao aumento da violência, o tal Secretário de Polícia a reiterou dando estas declarações acima e outras similares, preparando o terreno para novos assassinatos em série levados adiante pelo poder público.

Agora o massacre de Canabrava… Quais os próximos? Até quando?

Segue abaixo, portanto, dois textos-respostas imediatas à atual situação emergente, contando-a de outra forma que as contagens oficiais. Eis a versão dos historicamente oprimidos, que precisa ser publicados e divulgados em todos meios possíveis!

Leia na íntegra: Blog Passa Palavra

Operação com 100 policiais deixa 5 mortos em Salvador

SALVADOR – Em uma reação contra a morte de um policial civil, uma operação envolvendo 100 policiais militares e civis deixou cinco suspeitos mortos no bairro periférico de Canabrava, em Salvador, na noite de terça. José Carlos Gonçalves Teixeira, de 52 anos, investigava o tráfico de drogas na região quando foi descoberto pelos criminosos, torturado e assassinado com dois tiros na cabeça durante a tarde. Teixeira integrava a Superintendência de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSP) da Bahia. Seu corpo foi jogado de uma ribanceira.


Entre os suspeitos mortos estão três irmãos, Edmilson, Manoel e Rogério Ferreira, de 22, 23 e 24 anos, respectivamente. Eles foram alvejados em casa, em uma suposta troca de tiros. A mãe deles, Maria da Conceição Ferreira, porém, nega que eles estivessem armados. Ela reconhece que dois de filhos eram usuários de drogas, mas nega que integrassem o tráfico. “Eles não estariam em casa se estivessem envolvidos”, garante. “Quando eles (os policiais) chegaram em casa, mandaram que eu saísse e mataram meus filhos.”

O secretário da Segurança Pública, César Nunes, nega que tenha havido abusos na operação. “Houve o confronto e a polícia buscou prender as pessoas envolvidas”, diz. A delegada-geral adjunta da Polícia Civil, Emília Blanco, afirma que a corporação vai fazer todos os exames para provar que houve tiroteio entre policiais e criminosos. “É nossa obrigação e um direito das famílias.”

Segundo a SSP, na operação foram apreendidas seis armas – três revólveres, uma submetralhadora, uma pistola e uma carabina -, 12kg de maconha, 300g de cocaína e uma balança de precisão. As investigações sobre o tráfico na região, de acordo com Nunes, vão continuar.

Fonte: Estadão

domingo, 21 de junho de 2009

Justiça Seja Feita!

No último dia 31 de maio os integrantes da Ananda viveram uma experiência muito interessante de diálogo com agentes do Departamento de Tóxicos e Entorpecentes da Polícia Civil. Apresentamos nossas idéias a respeito da política proibicionista e sobre o que entendemos por manifestação pela legalização da maconha, através dos nossos cartazes, panfletos, faixas e principalmente palavras. No último dia 16 foi a vez de conhecermos a 2ª Vara de Tóxicos, onde foi deferida a Ação Cautelar Inominada proposta pelo Ministério Público. Nosso objetivo principal era conseguir uma cópia da decisão que proibiu a Marcha da Maconha esse ano para anexarmos ao pedido de Habeas Corpus que tramita no Tribunal de Justiça desde o dia 29 de maio, mas também queríamos ter acesso a todos os documentos do caso deste ano e do ano passado e se possível tirar fotocópias.


Ao chegarmos lá, a primeira resposta foi de que só poderíamos consultar a decisão e os outros documentos com um advogado. Atualmente já contamos com ajuda de uma advogada, mas contestamos essa informação, pois, já que ainda não estamos sendo julgados e nem fomos indiciados, não precisamos obrigatoriamente de um advogado ou defensor. O Juiz presente na hora foi consultado e decidiu que poderíamos ter acesso ao processo, mas só poderiam ser feitas fotocópias da decisão e não de todos os documentos.


Lemos muitos trechos dos documentos e vimos que as acusações levantadas contra nós são totalmente infundadas. A principal acusação é de que a Ananda seria uma organização de atuação clandestina relacionada com o tráfico de drogas e interessada em incentivar o uso de maconha, através da realização da Marcha da Maconha. No entanto, os documentos anexados ao processo para justificar tais acusações não a endossam de forma alguma, pelo contrário, demonstram que a Ananda tem uma atuação eminentemente técnica e política, o que fica explícito nos conteúdos de apresentação do nosso trabalho e na forma ética e idonêa com a qual são selecionadas e publicadas todas as informações em artigos e notícias tanto em nosso blog - www.noticiascanabicas.blogspot.com, quanto nos dos site da Marcha Brasil - www.marchadamaconha.org, muitos dos quais anexados aos autos do processo.


Os integrantes da Ananda gostariam de deixar claro que de forma alguma têm procurado o anonimato como forma de escapar à qualquer responsabilidade. Muito pelo contrário, procuramos desde o princípio expor às claras nosso trabalho. Se quiséssemos nos manter ocultos não estaríamos organizando manifestações públicas, debates, palestras, exposições de foto, vídeo, arte, nem estaríamos aceitando os muitos convites recebidos para participar de eventos na Bahia e em outros Estados, nem concedendo entrevistas à jornais, revistas, emissoras de rádio ou televisão. Muito menos teríamos ido ao Farol da Barra, no último dia 31 de maio, manifestar nossa opinião contra a decisão da Justiça de proibir a realização do evento, apresentando nossas idéias aos cidadãos que estavam no local, incluindo aí os agentes da Polícia Civil, que estavam ali para assegurar o cumprimento da proibição judicial.


Agora, o que não podemos admitir é que mesmo mantendo nossos trabalhos, objetivos e formas de atuação às claras, sejamos acusados de envolvimento com atividades clandestinas ou criminosas. Nosso trabalho é sério e gostaríamos de ter o mesmo nível de respeito dedicado à outras instituições que, como nós, são reconhecidas publicamente por também fazerem trabalhos relevantes nessa área temática.


A fotocópia da decisão (nº2572030-7/2009) será anexada ao Habeas Corpus (nº 34358-4/2009) protocolado no dia 29 de maio. A consulta ao processo do Hábeas Corpus pode ser feita através do site www.tj.ba.gov.br, no ícone “Consultas Processuais”. Basta selecionar as opções: 2ª Grau; por número do Habeas Corpus processo; adicionar o número do documento e acionar a busca.


A Ananda entende que promover o acesso a informações a respeito dos trâmites necessários para realização de um diálogo com a Justiça que possibilitem a realização de manifestações a respeito do tema é também uma ação que fortalece a autonomia dos cidadãos, auxiliando-os na difícil tarefa de assegurar seus direitos fundamentais.


Nesse sentido, decidimos colocar a disposição dos interessados o documento do pedido de Hábeas Corpus para que seja adaptado e usado de acordo com as necessidade da militância local em cada cidade. Para acessar o documento do Habeas Corpus: CLIQUE AQUI.


Agora, é uma questão de tempo, crença na Democracia e no trabalho sólido, digno e eficaz que sempre realizamos, para que a Justiça seja feita... Por todos nós, cidadãos que construímos diariamente não só a Justiça, mas toda essa Nação.

sábado, 20 de junho de 2009

Por uma política de redução de danos voltada para os usuários de maconha

O vídeo curta do diretor Renato Falzoni está disponível para o público no site do Youtube. O vídeo, em tom de manifesto, propõem uma política de redução de danos voltada para a maconha que inclua a discussão do cultivo para consumo próprio. Essa é uma idéia que tem ganhado cada vez mais folêgo no Brasil. Desde 2002 o Portal Growroom discute o tema de forma franca e sem hipocrisias, mantendo um fórum on-line onde cidadãos maiores de 18 anos podem discutir a respeito do tema, desde que respeitadas as regras de comportamento. A lei 11.343, de outubro de 2006, prevê para aqueles que plantam para consumo próprio as mesmas penas do usuário que porta ou guarda para consumo próprio. Esse ano, a Editora da Universidade Federal da Bahia publico o livro "Toxicomanias: Incidências Clínicas e Sócio-antropológicas", que traz um artigo onde o cultivo para consumo próprio é discutido como um modelo de redução de danos para maconha.

Vale a pena conferir o vídeo:

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sergio Vidal no Jornal da Manhã

Sergio Vidal, antropólogo e pesquisador da Ananda - Ativistas, Redutores de Danos e Pesquisadores Associados, esteve no Jornal da Manhã, da Rede Bahia, filiada à Rede Globo, no último dia 11 de junho. Em entrevista, o pesquisador falou a respeito do atual cenário do tráfico e consumo de drogas na Bahia e no Brasil, tecendo comentários sobre as atuais políticas e leis sobre o tema e possíveis estratégias para equacionar o problema.

ASSISTA O VÍDEO:

terça-feira, 16 de junho de 2009

Uma audiência histórica...

Na atualidade, é um absurdo negar a existência de pessoas que fumam maconha dentro das nossas famílias, ou no nosso círculo de amizades. E em muitas famílias e círculos de amigos elas não são poucas, tornando impossível que não nos sintamos obrigados a se envolver no debate sobre as políticas e leis que podem atingí-los diretamente e nos atingir também. É claro que uma parte dessas pessoas têm problemas com o uso de maconha e outras drogas. Mas a grande maioria dos usuários não têm problemas e buscam no uso de maconha prazer, não o sofrimento, e as consome apenas em contextos e circunstâncias que não atrapalhem outros aspectos da sua vida.

Nenhuma das instituições ou indivíduos que organizam ou apenas frequentam as Marchas da Maconha acham que o uso de maconha deva ser estimulado, muito menos propagandeado ou incentivado em massa, como atualmente ocorre com o álcool e o tabaco. Somos cidadãos responsavéis e a cada dia que passa o número crescente de pessoas que apoiam nosso trabalho só ajuda a reafirmar isso. O Excelentissímo Ministro Carlos Minc apenas percebeu o que a cada dia mais instituições e indivíduos têm percebido: A humanidade convive com o uso de maconha e outras drogas há mais de 10.000 anos e isso só se tornou um problema grave após ser decretada uma Guerra de extermínio às drogas e aos seus produtores e consumidores.

O ideal de um mundo sem drogas é um fracasso reconhecido até mesmo pelos atuais membros do Conselho e da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. É exatamente isso do que se trata a Marcha da Maconha: Lembrar que as atuais leis e políticas são inspiradas num modelo fracassado e amparado por dados científicos equivocados, exigindo por isso mudanças na forma de lidar com a questão. Chamar atenção de que tratar usuários de drogas como criminosos não resolve o problema da violência e que eles não querem infringir mal a si mesmos ou aos outros, apenas querem ter seus direitos assegurados com todo cidadão. Reconhecer que alguns usam por hábito, curiosidade, busca de prazer, inclusão, outros por compulsão, mas condená-los, seja qualquer tipo de uso, à marginalização social e legal é uma violência contra os indivíduos muito maior do que qualquer uso abusivo. Denunciar que numa sociedade menos miope e violenta, já teríamos ao menos autorizado e até mesmo incentivado o debate público a respeito do tema.

Mas no Brasil, o que tem ocorrido é a articulação de grupos que se opõem não apenas à revisão das formas de tratamento dadas aos usuários, mas à realização de debates e manifestações públicas sobre as políticas e leis sobre drogas. É uma demonstração pública de organização que assusta as pessoas atualmente interessadas em cuidar prestar atenção, cuidados e informação aos usuários de drogas, ajudando-o a ter maior autonomia sobre sua existência e sobre o acesso à saúde e cidadania.

Hoje, Carlos Minc falará aos Deputados os motivos pelos quais acredita ser importante discutir a descriminalização da maconha. Será uma audiência histórica e espero que seja o início de uma série de audiências históricas sobre o tema. Tenho certeza que o Minc saberá expor muito bem os inúmeros motivos mais do que conhecidos das pessoas mais antenadas à atualidade para os nosso Excelentíssimos Deputados. Mas acredito que esse pronunciamento só poderá se tornar realmente importante se todos tivermos condições de assísti-lo. Infelizmente eu não tenho como gravar, nem como assistir. Mas como tenho fé na Era da Informação, aguardo ansioso pelo ativistas individuais que certamente gravarão as falas do Ministro e dos Deputados de alguma forma, seja na mente, nos corações, em uma blogada, ou em DVD mesmo. O importante é que esses discursos se multipliquem e que o processo de desencantamento da repressão, para usar uma expressão do saudoso Gey Espinheira, se torne ainda mais agudo, como deve ser.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Senad e Pronasci integram ações de prevenção ao uso indevido de drogas

Drogas, violência e juventude. Uma combinação que desarticula famílias, compromete o crescimento saudável de adolescentes e contribui para a falta de segurança em áreas urbanas. Contra essa parceria indesejável, o governo decidiu unir forças a partir do “Respostas Integradas”.
O projeto está organizado nas seguintes fases: mobilização política junto aos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) das cidades contempladas; Prevenção com profissionais capacitados e multiplicadores em suas comunidades (80 mil pessoas serão preparadas em nove cursos); tratamento e reinserção social, com o mapeamento dos serviços e programas (governamentais ou não); e avaliação do desenvolvimento do trabalho efetuado.
Leia na íntegra: OBID

Paraíba: Redução de Danos - uma proposta clínica e política

domingo, 14 de junho de 2009

AJUDE A ANANDA

A Ananda é um grupo recente e ainda muito carente de diversos itens básicos para manutenção da sua existência. Estamos precisando de ajuda e existem várias formas de fazer isso. No momento, nossa única fonte de renda são as doações e a venda das camisetas produzidas por nós mesmos.

Para ajudar, basta entrar em contato e juntos encontraremos uma forma de receber sua colaboração. Envie um email para contatoananda@gmail.com ou ligue para (XX71) 81771488.

  • Você pode fazer sua doação em dinheiro ou comprar nossa camiseta por apenas R$ 20,00;
  • Ou fazer uma doação de matéria-prima para nossas produções (camisetas, bonés, lenços, etc);
  • Ou pode ainda doar material de consumo de escritório para Ananda (Papel A4, cadernos, cola, canetas, fita adesiva, corretivo, etc);
  • Ou material de consumo para as Oficinas de Arte da Marcha da Maconha (papel cartolina, A3, tintas, canetas, pincel, kami, faixas, balões de ar, papel colorido, panos, etc);
  • A Ananda é carente também de material permanente para seu funcionamento (computador, impressora, scanner, câmeras, megafone, etc);
  • Você pode ainda nos ajudar prestando algum serviço ou conseguindo algum desconto em serviços essências ao nosso funcionamento (impressão de panfletos, xerox, digitalização de documentos, etc);
  • É possível ainda ajudar a Ananda sem gastar nem um tostão. Divulgue nosso trabalho para sua rede de amigos, ou assine alguma das nossas campanhas;

ESTAMOS PRECISANDO DA SUA AJUDA PARA FORTALECER E INSTITUCIONALIZAR NOSSO TRABALHO. JUNTE-SE A NÓS!

sábado, 13 de junho de 2009

In Memorian: Carta-protesto de Gey Espinheira

Essa carta foi enviada como sugestão de publicação para o Espaço do Leitor, no Jornal A Tarde, com cópia para mim. O A Tarde não a publicou na época, mas nós a resgatamos e estamos fazendo as honras de torná-la pública. Com atraso, é verdade, mas achamos que vale a pena reviver as sábias e afiadas palavras do mestre Gey Espinheira.

"Á redação do Espaço do Leitor. Agradeceria a publicação desta carta-protesto.
Atenciosamente, Gey Espinheira, Salvador, 02 de maio de 2008,



A Bahia deu dois grandes exemplos ao país. Exportou a intolerância política, social, cultural e existencial ao proibir a Marcha da Maconha, uma manifestação cultural e democrática que ocorre em todo o país e no mundo. O pior, veio do Ministério Público que tanto tem contribuído para o aprimoramento da nossa democracia. Por último, mas certamente não derradeiro, o Dr. Dantas, merecedor de uma surra com a corda única do berimbau pelas tolices, que seriam simplesmente tolices, se não fosse ele coordenador de um curso universitário da UFBA. Mais do que protestos, eles merecem sair de seus postos por atentado contra a democracia e aos Direitos humanos."


Infelizmente o Prof. Gey nos deixou sem ver corrigidos nenhum dos dois absurdos que tentou denunciar. Nem o Ministério Público, autor das ações que proibiram a Marcha da Maconha de ocorrer nas datas previstas em 2008 e 2009, nem o Sr. Dantas, que afirmou que os baianos de certa forma são intelectualmente inferiores, o que se vê por só saberem tocar o Berimbau, instrumento e uma única corda, foram punidos pelos excessos cometidos. Resta-nos a pergunta que não quer calar: Até quando iremos permitir desrespeitos à nossa cultura, aos Direitos Humanos e à Democracia que nos envergonham perante toda a nação?

sábado, 6 de junho de 2009

Bahia: 3 pessoas revistadas e conduzidas à DTE, apesar de desconhecerem sobre a Marcha da Maconha Salvador

No último dia 31/05 nem tudo foi motivo de comemoração para o movimento social pela mudança nas políticas e leis sobre a maconha. Apesar dos agentes da DTE - Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes terem recebido bem e estabelecido um diálogo importante com os integrantes da Ananda, muitos cidadãos transeuntes que passavam pelo local foram abordados e revistados pela policia. Desses, 3 que não sabiam da existência da Manifestação, muito menos da Ananda, foram conduzidos à DTE para prestar esclarecimentos sobre as seguintes condutas: 1 caso) porte de 3 cigarros de maconha; 2 caso) Não estar portando documentos de identificação; 3 caso) porte de 2 camisetas com conteúdo interpretado como apologético.

O primeiro caso foi liberado após prestar esclarecimentos. O segundo caso prestou esclarecimentos, mas só foi liberado após algumas horas; no terceiro caso o cidadão foi interrogado e liberado após assinar um documento que relaciona as camisetas que seriam vendidas à realização da Marcha da Maconha. Não tivemos assesso ao documento, apenas a um relato assustado de um cidadão até então com pouco ou nenhum acesso à informações sobre seus Direitos, sobre a Ananda ou sobre a Marcha da Maconha.

No entanto, o que podemos afirmar de todo o caso é que, apesar desses e de outros cidadãos que passaram naquele domingo no Farol da Barra, tendo sido ou não revistados, terem se interessado por nossa proposta, não estavam sabendo previamente da mobilização nem podem ser relacionados com o evento ou com qualquer das atividades relacionadas com a sua organização. Esperamos que não seja aberto inquérito contra qualquer dessas pessoas, principalmente relacionando-as com atividades que não realizaram e nem sequer conheciam.
Essa é a camiseta apreendida.
Esse tipo de camiseta é vendida tradicionalmente em Salvador há anos..

Imagens da manifestação contra a proibição da Marcha da Maconha em Salvador

O Diretor Cinematográfico e Roteirista Jonga Oliveira esteve na manifestação contra a proibição da Marcha da Maconha em Salvador, ocorrida no dia 31 de maio. Nesse clipe há algumas imagens do evento e uma chamada para a próxima manifestação, marcada para ocorre no dia 28 de junho. Para assistir: CLIQUE AQUI
Assista também o vídeo do ano passado, de autoria de Marcos Híbrido: Parte I, Parte II

Veja as fotos: CLIQUE AQUI

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Marcha da Maconha em debate

Assista ao vídeo do debate "A Marcha da Maconha e a politização do debate público sobre drogas", realizado em 27/05 na Faculdade de Educação da UFBa. O debate fez parte da programação do Roda a Rede, organizado pelo Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA/UNE - Bahia). CLIQUE AQUI

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Marcha proibida é motivo de protesto

Bahia: Ativistas protestam contra a proibição da Marcha da Maconha


Ativistas protestam contra proibição da Marcha da Maconha

Portando cartazes, faixas de protesto e usando mordaças e panos pretos para lembrar o luto pela democracia, os ativistas da Ananda estiveram hoje, no Farol da Barra, manifestando-se contra a decisão judicial que impediu a realização da Marcha da Maconha.

O grupo se apresentou aos agentes da Polícia Civil que estiveram presentes para coibir o uso de drogas ilícitas e condutas interpretadas como apologéticas e apresentaram os cartazes, materiais informativos e as camiseta vendida pela Ananda. Os policiais afirmaram que nos conteúdos expostos pelo grupo não havia qualquer indício de apologia e a partir daí foi possível iniciar a manifestação.

Os integrantes da Ananda dialogaram com a população presente e distribuíram panfletos da campanha “Pela correção de um erro histórico” e material informativo sobre o Dia Mundial sem Tabaco, que coincidiu com a data da Marcha, 31/05. Dessa forma, ao mesmo tempo que que foi realizada uma discussão sobre liberdade de expressão, foi possível dialogar a respeito de políticas de drogas que têm conseguido diminuir o uso de algumas drogas, sem precisar criminalizá-las, a exemplo das campanhas sobre uso controlado de tabaco.

Os temas da manifestação era uma interrogação verde e as mordaças pretas, representando as idéias que o grupo quer expressar, mas que têm sido sistematicamente reprimidas. Cerca de 60 pessoas estiveram presente durante as 3 horas de manifestação. A população que visitava o local aceitou bem a manifestação e também ficou interessada pelo conteúdo dos panfletos.

Durante a manifestação, diversas pessoas foram revistadas. 3 pessoas foram conduzidas à Delegacia para prestar esclarecimentos. 1 estava sem os documentos, 1 portava 3 cigarros de maconha e outro portava camisetas para vender, sendo 2 delas consideradas como com conteúdos apologéticos. A Ananda registrou o contato dessas pessoas para prestar aconselhamento jurídico posterior.

O grupo informou à imprensa e aos presentes que, para assegurar a realização da Marcha no fiinal de junho, deram entrada com um Habeas Corpus na última sexta-feira, 29 de maio, solicitando proteção da Justiça contra a coação ilegal exercida pelo Ministério Público do Estado da Bahia. Serão utilizados os recursos jurídicos disponíveis para garantir o direito à livre expressão e reunião para manifestar idéias e opiniões, mesmo que tenhamos que levar o caso ao Supremo Tribunal Federal.

A Marcha da Maconha está remarcada oficialmente para o dia 28 de junho, às 15hs.

Foram tiradas diversas fotos e realizados muitos registros de vídeo. Em breve todo material será disponibilizado no site da Ananda e da Marcha da Maconha.

Veja as fotos on-line do evento: CLIQUE AQUI

Pedimos às pessoas que tenham fotos ou vídeos do evento que enviem para o email: contatoananda@gmail.com