sexta-feira, 27 de junho de 2008

É possível legalizar a maconha no Brasil?

Por Sergio Vidal*, Central de Informações ANANDA (CIA)

Essa é uma pergunta capciosa, quase uma armadilha. Se respondida apenas com um ‘sim’ ou ‘não’, reduziríamos uma questão impossível de ser esgotada de forma simples, que envolve muitos fatores de ordem econômica, política, social e cultural. Afinal, a maconha, planta da qual se prepara o fumo usado por milhões de pessoas no mundo inteiro, não serve apenas para ‘curtir um barato’.


Atualmente existe um mercado lucrativo que utiliza as partes não-psicoativas da planta em indústrias dos setores têxtil, alimentício, automobilístico, de bio-combustíveis, entre outros. As partes psicoativas da planta são usadas na indústria farmacêutica e na medicina por suas propriedades terapêuticas no tratamento de diversos tipos de enfermidades, entre elas câncer, glaucoma, Aids, asma, dores, etc. Além disso, a planta é um elemento central em diversas comunidades tradicionais em todo o mundo, considerada sagrada por diversas culturas e utilizada em rituais religiosos, inclusive no Brasil.


Apesar disso tudo e de no passado o Estado brasileiro ter tolerado e até estimulado os diversos usos da planta, no início do séc. XX, a proibição passou a ser usada como ferramenta de controle social das populações negras, pobres e marginalizadas, cujos hábitos eram considerados “doenças sociais”. A proibição proporcionou a criação e crescimento de um mercado ilegal da droga, que atua de diversas formas ampliando aspectos perversos dos problemas da sociedade brasileira: violência urbana e rural, corrupção, criminalidade, desigualdades social e econômica. Ao criminalizar, a Lei não consegue realizar os principais objetivos que se propõem: garantir acesso à saúde pública, cidadania e segurança aos cidadãos.


Defender mudanças nas atuais políticas públicas e leis não significa afirmar que as drogas são inofensivas. É claro que a maconha e outras drogas podem causar problemas, mas é ainda mais certo que quando proibidas elas trazem danos muitos piores, que atingem não apenas os usuários, mas toda a sociedade.


O fato de que informações tão simples e difundidas não serem de conhecimento público, como a de que a maconha não é apenas uma droga, é apenas um dos sintomas de quão atrasada é a discussão em nosso país.


Os caminhos possíveis podem ser longos e apresentar muitos percalços e entraves, mas se admitimos que o atual contexto prejudica todos, usuários ou não, um dia iniciar a caminhada por outros rumos tornar-se-á uma necessidade, não apenas possível, mas imperativa e inadiável.

*Publicado originalmente no Jornal A Carapuça

domingo, 22 de junho de 2008

Maconha e os seus derivados sobem de preço no mercado internacional

Os preços ao consumidor da erva canábica (maconha, marijuana) e dos seus derivados (haxixe, óleo e “queijo”) sofreram aumentos daordem de 100% no mercado europeu. A ameaça de o exército libanês invadir o Vale do Bekaa (aos pés do Monte Líbano) para destruir os plantios de maconha e a redução da safra no Marrocos são apontados como causas da subida dos preços. Na América Latina, os grandes produtores já ameaçam de aumento os EUA, seu maior consumidor.

Leia na íntegra: IBGF

sábado, 21 de junho de 2008

PR: Debate sobre a Maconha

O uso da maconha será tema de um dos debates da 13º Semana Estadual de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas (Previda). O debate será realizado às 14 horas, no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná, no Setor de Ciências Biológicas, anfiteatro 10, nesta segunda-feira (23). Participam professores da UFPR, além de representantes do Ministério Público, do poder Judiciário e do Coletivo Marcha da Maconha.
Leia na íntegra: Jornale Curitiba

sexta-feira, 20 de junho de 2008

SP: Defesa de Mestrado

VARELLA, Alexandre C. Substâncias da idolatria; as medicinas que embriagam os índios do México e Peru em histórias dos séculos XVI e XVII. 2008. 381 f. Dissertação de Mestrado – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo.
Onde: sala dos professores (114), prédio da administração (FFLCH-USP).
Quando: 25/06, às 10hs

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Holanda proíbe fumar cigarro de tabaco em locais públicos. Nos cafés, só pode fumar maconha

Atenção turistas. Nos bares, restaurantes e cafés da Holanda, a partir de 1º. de julho, estará proibido acender cigarro de tabaco, pois, segundo alertou o primeiro-ministro Jan Peter Balkemende em entrevista à televisão pública, a nicotina presente na fumaça faz mal à saúde dos freqüentadores. Nos 700 cafés holandeses autorizados a vender cigarros de maconha, para consumo no próprio local, os clientes poderão produzir fumacê canábico. Se quiserem fumar um cigarro de tabaco, terão que sair à rua.
Leia na íntegra: IBGF

Maconha e Câncer

“Dois recentes estudos estadunidenses, um de Harvard e outro da UCLA, concluíram que fumar maconha, mesmo quando regularmente e em quantidade, não causa câncer e o ingrediente ativo na maconha pode se mostrar um excelente tratamento do câncer de pulmão.”
Leia na íntegra: Cannazine (em inglês)

PR: Maconha será tema de discussão

Especialistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) abrem espaço para discussão sobre o uso da maconha. Promovido pelo Conselho Estadual Antidrogas e pela Coordenadoria Estadual Antidrogas, o debate faz parte da 13ª Semana Estadual de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas (Previda), que acontece a partir da próxima segunda-feira.
“O espaço para a discussão sobre o uso da maconha foi solicitado por representantes na marcha da maconha. Trata-se de um espaço multidisciplinar, onde pretendemos discutir com bases cientificas os malefícios do uso da droga, e os possíveis benefícios. Queremos garantir um espaço democrático”, afirmou a Professora Roseli Boerngen de Lacerda, integrante do Departamento de Farmacologia da UFPR e vice-presidente do Conselho Estadual Antidrogas.
Leia na íntegra: Bem Paraná

Conheça a Marcha da Maconha Salvador

A Marcha da Maconha é apenas uma das muitas formas de atuação da ANANDA. Nesse espaço você encontrará relatos, fotos, vídeos e tudo que for relacionado com a edição soteropolitana da Marcha da Maconha.

EM CONSTRUÇÃO:

Fórum da Marcha em Salvador - CLIQUE AQUI


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Barack Obama é toxicodependente ?

Durante a difícil campanha para conseguir a indicação para concorrer à presidência dos EUA pelos democratas, Barack Obama não conseguiu cumprir a promessa feita à sua esposa Michelle. Michelle concordou que Obama entrasse na disputa com a condição de parar de fumar cigarro de tabaco. Ela temia que ele viesse a fumar muito mais do costumeiro, em face da tensão decorrente da disputa. Obama topou a condição e prometeu abandonar, definitivamente, o tabaco.
Leia na íntegra: IBGF

Guerra contra as drogas destrói a polícia do México

Presidente Felipe Calderón tentou reformar e profissionalizar a polícia.Resultado: uma guerra urbana na qual nenhum alvo é grande demais.
Leia na íntegra: Portal G1

CARTA A ONU - Da reuniao de alto nível sobre AIDS

Como activistas en VIH, estamos preocupados por el impacto de las contradicciones entre los compromisos sobre VIH y las políticas de drogas. No vamos a lograr el acceso universal a la prevención, atención y tratamiento del VIH / SIDA sin la protección de los derechos humanos de las personas que usan drogas...

Leia na íntegra: Harmreduction.org

terça-feira, 17 de junho de 2008

Relator da ONU critica segurança pública brasileira

O relator especial do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston, apresentou um relatório preliminar sobre a situação da política de segurança pública do Brasil. A apresentação se deu durante a abertura do oitavo período de sessões do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça. O relatório final deve ser apresentado até o início de julho.

Leia na íntegra: Observatório de Favelas

A criminalização do Ministério Público e outras estultices

Por, Pedro Estevam Serrano
Minha falecida avó, mulher com conhecimentos da vida adquiridos no viver e traduzidos na forma sintética que só a verdadeira sabedoria oferece, me dizia sempre que “gabou, estragou”. Ou seja, parece que, em nosso país, sempre que nos jactamos de algo bom, surge um punhado de acontecimentos ruins para “compensar”. Difícil manter a necessária auto-estima como povo nessas horas.
Leia na íntegra: Última Instância

segunda-feira, 16 de junho de 2008

domingo, 15 de junho de 2008

SP: Evento discute Crime Organizado

Tema: “Crime Organizado e as fronteiras entre o legal e o ilegal na cidade de São Paulo”
Data: 23 de junho de 2008
Inscrições e Programação: Clique Aqui

Argentina: rumo a descriminalização

Recebido de Daniel Oiticica,
Especialistas argentinos já estão trabalhando em um anteprojeto para reformular a lei de drogas e despenalizar a posse de entorpecentes para uso pessoal. Participam do grupo juízes, psicólogos e sociólogos. O trabalho estará concluído em agosto.

Para juízes argentinos, plantar maconha na varanda não é crime

A Justiça Federal da Argentina absolveu um homem que plantava seis plantas de Cannabis Sativa na varanda de seu apartamento. Para os juízes Eduardo Farah e Eduardo Freiler, de Buenos Aires, é inconstitucional a lei que proíbe o cultivo da maconha para consumo próprio com fins medicinais.

Saiba mais: BBC Brasil; Consultor Jurídico

sábado, 14 de junho de 2008

Lúpulo e Maconha:"Qual a sua teoria?"

O Brasil é realmente um país de antagonismos fundados nos pilares da ignorância, preconceito, desrespeito e negligência na divulgação de informações e dados científicos, além é claro, em profundas e históricas desigualdades sociais e econômicas. Um bom exemplo disso são os tratamento diferenciados dados à duas plantas que, na natureza, fazem parte da mesma família.

Só existem dois gêneros de plantas que formam a família Cannabaceae: o lúpulo (Humulus lupulus) e a maconha (Cannabis sativa). O primeiro nunca teve muito destaque na cultura nacional, até se instalarem no país as primeiras famílias imigrantes européias que trouxeram sementes e adaptaram a trepadeira psicoativa ao clima do Sul e Sudeste brasileiro. O segundo, faz parte da tradição brasileira desde o princípio da colonização e sua história junto à humanidade é tão antiga quanto a própria civilização.

Apesar das muitas diferenças, o lúpulo se assemelha à maconha, entre outras motivos, devido ao fato de possuir plantas com sexos definidos e de apresentarem princípios ativos em maior concentração nas flores dos espécimes fêmeas. As propriedade medicinais do lúpulo são reconhecidas pela farmacopéia de diversos países, mas também suas propriedades psicoativas, tanto que algumas empresas norte-americanas a comercializam como maconha legalizada.

Apesar das muitas familiaridades, o lúpulo e a maconha são culturalmente distinguíveis devido à forma como os diversos grupos que os consomem na sociedade o utilizam e da maneira como as Leis e Políticas Públicas brasileiras lidam com elas. Enquanto a maconha tem raízes nas tradições afrodescendentes e indígenas e era usada principalmente como medicamento, em rituais religiosos (Candomblé, Catimbó, Umbanda, etc.) e reuniões sociais, o lúpulo era consumido principalmente por imigrantes através de uma bebida à base da fermentação de cereais com origens nas tradições europeias medievais, conhecida atualmente com o nome de cerveja.

O mercado de derivados de lúpulo é cada vez maior no Brasil e em todo mundo e está bastante regulamentado. Os princípios ativos do lúpulo são até hoje usados na farmacopéia oficial de diversos países e existem muitos medicamentos e cosméticos à base de lúpulo. Já a maconha, apesar de ter comprovada utilização nas industrias farmacêuticas, têxteis e outras, tem o mercado restrito devido às duras penas impostas àqueles que se aventuram em investir no seu mercado ou mesmo apenas pesquisar a planta.

Além disso, alguns dados sobre o hábito de ingerir bebidas alcoólicas revelam uma curiosidade a respeito do mercado brasileiro de derivados do lúpulo. O I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas realizado em 2002 estima que 68% dos brasileiros, entre 12 e 65 anos, consumiram bebidas alcoólicas ao menos uma vez na vida. Já os dados do I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira, realizado em 2007, revelou que 61% das pessoas que consomem bebidas alcoólicas prefere a cerveja. Durante o I Encontro da Rede Nacional de Pesquisa sobre Drogas, em outubro de 2007, o prof. Elisaldo Carlini comentou os elevados índices de utilização de álcool nas regiões Sul e Sudeste encontrados durante a realização da 2ª edição do Levantamento Domiciliar de uso de drogas, afirmando ser essa uma tendência devido à tradição de consumir bebidas alcoólicas encontradas nas famílias de imigrantes naquelas regiões, o que faria o consumo de álcool ser considerado uma característica cultural.

Apesar disso, porque ninguém justifica a existência do uso da maconha nas regiões Norte e Nordeste, ou mesmo em todo o país devido à longa tradição de uso da planta desde o início da colonização? Porque esse argumento, quando utilizado, é sempre por um grupo restrito de pesquisadores que são sistematicamente ignorados, quando não ridicularizados ou criminalmente reprimidos? É estranho notar que duas plantas botanicamente parecidas recebam tratamento social, legal e político tão diversos.

Dentro desse debate algumas questões importantes ficam em aberto: O que o THC e a Lupulina têm em comum? Será que existem outros principios ativos no lúpulo semelhantes aos canabinóides já descobertos? Será que o uso do lúpulo é assim tão mais seguro que o da Cannabis? Ou será que a Cannabis é mesmo mais perigosa que o lúpulo?

Dentro desse debate, cabe a citação de como a indústria de bebidas alcoólicas e a sociedade brasileira além de ignorarem a proximidade botânica entre o lúpulo e maconha, ainda passaram a divulgar o lúpulo através de comerciais de cerveja e valorizar o fato desta planta entrar na composição da bebida, sem atentar para as especificidades da mistura entre duas drogas diferentes: etanol e lúpulo. É importante ressaltar que o que se pretende ao levantar essa polêmica não é a proibição das bebidas à base de lúpulo ou do seu uso, mas chamar atenção para o fato de que muitas vezes a criminalização e o preconceito com relação às condutas das pessoas que consomem maconha são baseadas em informações ainda mais falsas do que imaginamos.

Quem sabe, da próxima vez que um dos milhões de brasileiros que bebem cerveja tiver um pensamento ou atitude preconceituosa com relação a uma pessoa que fume maconha ele não reflita sobre suas próprias práticas de consumo. Já não é mais possível afirmar seguramente que cervejeiros e maconheiros são tão distante, afinal, agora sabemos que as plantas que consomem são da mesma da mesma família. Quem sabe agora, com uma maior divulgação de informações a respeito do lúpulo, não poderemos ver mais mais pessoas tendo reações semelhantes às divulgadas no final de um dos comerciais de cerveja mais populares: "Gente, vocês tão viajando, o lúpulo é só uma plantinha".

Para saber mais:
Cervesia

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Redução de Danos na Aurora VI

No dia 14 de junho de 2008 ocorrerá a 6ª edição da Aurora, festa de música eletrônica organizada pelo Coletivo Soononmoon. Esta edição contará com a participação do Coletivo Balance de Redução de Danos, que através da sua equipe técnica multiprofissional de redutores de danos atuará durante o evento levando informações sobre os efeitos negativos, riscos e danos associados ao uso (consumo) de SPAs (Substancias Psicoativas)/Drogas sintéticas (LSD-25, ecstasy e substancias associadas) e álcool. A Ananda estará presente na festa em parceria com o Balance levando informações sobre Redução de Danos para Cannabis e a nova leis sobre drogas 11.343.
Maiores informações: Coletivo BaLanCe
ATO PÚBLICO
EM REPÚDIO A VIOLÊNCIA COMETIDA PELO TEN NASCIMENTO À SD MIDIÃ
Convocamos todas as entidades representativas, sindicais, movimentos sociais e a sociedade civil a participarem do ato em Repúdio às agressões cometidas pelo TEN PM NASCIMENTO do 49ºCIPM sobre a SD MIDIÃ DE SOUZA C. MIRANDA.
Data: 14/06 ( SABADO)
Local: Praça da Piedade, centro - Salvador
Horário: 09h

Realização:
Movimento Esquerda Socialista
ASPOL (Associação dos Praças da PM)
CONLUTAS - PSOL

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Maconha: criminalização, descriminalização ou legalização? Quais os rumos da "erva maldita" no Brasil?"
Data: 17 de maio
Local: Auditório da Reitoria da Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Realização: DALIGEO - Diretório Acadêmico livre de Geografia; MRL - Movimento Resistência e Luta
Programação
09hs - Exibição de vídeo
Delegado de Polícia;
Profa. Adréa Depieri - Dep. de Direito da UFS;

NEIP e GIESP assinam manifesto da Encod

Hoje, 12 de junho, o NEIP - Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Psicoativos e o GIESP - Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas assinaram o Manifesto por Políticas sobre Drogas Justas e Eficazes, lançado em 1998 pela Coligação Européia por Políticas de Drogas Justas e Eficazes - Encod. Além do NEIP e do GIESP, o Instituto Raid, a Anananda e o Princípio Ativo formam as 5 instituições brasileiras signatárias do Manifesto apoiado por mais de 200 Instituições de todo o mundo.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Debater sobre a maconha é legal?


Nas últimas semanas muito tem sido discutido sobre o evento denominado ‘Marcha da Maconha’, organizado por centenas de instituições, ONG´s e indivíduos em mais de 200 cidades em todo o mundo. A maioria dessas discussões giraram em torno da polêmica de se o evento pretendia ou não praticar ‘apologia ou incentivo ao uso da maconha’.

O principal argumento dos que têm defendido a criminalização desses movimentos sociais que lutam por mudanças nas leis e políticas sobre drogas é a utilização da acusação de que o título do evento “Marcha da Maconha”, por si, já seria uma expressão apologética que despertaria automaticamente o desejo incontrolável das massas, principalmente menores de idade, em consumir a erva em locais públicos sem qualquer tipo de respeito às leis vigentes ou de receio às punições nelas previstas.

No entanto, tal acusação é no mínimo construída a partir de uma análise superficial da questão, já que não somente ignora os conteúdos e argumentos propostos por esses movimentos no sentido de reivindicar a abertura do diálogo entre o Estado e a Sociedade Civil sobre reformas nessas leis e políticas, mas também o histórico dos trabalhos realizados pelas organizações envolvidas nesse debate, muitas delas com quadros compostos por professores universitários, pesquisadores e especialistas no tema de reconhecimento nacional e internacional.

Mesmo se nos detivermos apenas ao nome do evento “Marcha da Maconha”, veremos que os argumentos que embasam as acusações de apologia não podem ser sustentados diante de uma análise mais profunda e detalhada. Sobre isso, vale a pena lembrar que a Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes, criada em 1936, em parceria com as Comissões dos Estados de Sergipe, Bahia, Alagoas e Pernambuco foi responsável pelo “Convênio Interestadual da Maconha”, realizado em 1946 na cidade de Salvador, para discutir formas de tornar efetiva e colocar em prática a Lei que tornava crime o porte, comércio e plantio de Cannabis, criada em 1932.

O nome desse encontro não era “contra a maconha”, ou “pela repressão da maconha”, e sim “da maconha”, exatamente como o título da Marcha, que foi proibida de ser realizada em quase todas as cidades brasileiras em que estava prevista para acontecer, com o argumento principal de que esse nome não era apropriado. Apesar do título, o tal Convênio não foi proibido de acontecer em 1946, nem houve qualquer tentativa para proibir o evento. Talvez pelo fato de que sua intenção era de aumentar a repressão ao uso da planta, que à época era consumida principalmente por negros, ex-escravos e pela população pobre e marginalizada do Norte e Nordeste do país, grupos que historicamente nunca tiveram acesso ao diálogo com o Poder Público, nem condições sociais ou econômicas de se organizar para pedir reformar nas Leis e Políticas Púbicas sobre drogas.

Hoje, 62 anos depois, a sociedade brasileira sofreu muitas mudanças sociais, culturais, econômicas e políticas. Apesar disso, as populações marginalizadas continuam sem acesso ao diálogo com o Estado e os fatos sobre a criminalização da Marcha da Maconha tornam mais explicito que ainda falta um longo caminho para que a Democracia brasileira possa ser considerada como tal e se distancie dos períodos ditatoriais das décadas de 1930/40 e 1960/70, quando o modelo proibicionista de Leis e Políticas sobre drogas foi criado e implementado.

Nesse sentido, cabe perguntar se fomentar a discussão e o debate sobre reformar nessas leis e políticas são de fato uma conduta de apologia às drogas ou se são apenas uma das muitas maneiras de se ajudar na construção de um país verdadeiramente digno de ser reconhecido como Estado Democrático de Direito. Respeitamos a Democracia brasileira e a capacidade de julgamento não só dos leitores desse blog, mas de todos os cidadãos brasileiros e, por isso, acreditamos que, aos poucos, a verdade sobre os reais motivos da proibição das Marchas venha à tona. Acreditamos que não só é legal e legitimo debate sobre as políticas e leis sobre a maconha, como no atual contexto social e político isso é imprescindível, se quisermos construir um país melhor e mais democrático, que assegure aos seus cidadãos o acesso à saúde, segurança e aos direitos fundamentais.

O Renascimento do LSD em Basiléia

Basiléia é uma cidade estrategicamente localizada no chamado “cotovelo” do Reno, onde esse rio, que é o eixo vertical da Europa, dirige-se para o norte constituindo a atual fronteira franco-alemã. No século XIII, a primeira ponte desse rio foi construída nessa cidade, onde, mais tarde, uma universidade, criada em 1460, foi o cenário da rebelião de Paracelso, o “Lutero da Medicina”, contra a ortodoxia médica e farmacêutica no começo do século XVI, em um dos mais exemplares desafios à autoridade estabelecida.

terça-feira, 10 de junho de 2008

EUA: todo mundo nu, nos aeroportos

O Novo scanner mostra imagens, enviadas para as telas de monitores, do que está debaixo da roupa e das peças íntimas. Em 30 segundos a pessoa é “scanneada”. As imagens ficam gravadas até o avião partir ou a pessoa deixar o aeroporto. Pelo menos, é o que afirmam os agentes de segurança. O novo equipamento já está em uso nos aeroportos de Los Angeles, Nova York, Denver e Baltimore.No início de julho, serão empregados nos aeroportos de Miami, Washington, Las Vegas e Detroit. Até a segunda quinzena de julho estarão instalados 380 desses equipamentos, a cobrir todos os aeroportos norte-americanos.

Califórnia quer regulamentar melhor maconha medicinal

Há novos regulamentos em estudo para as polícias locais e estaduais, que muitas vezes encontram problemas devido à sobreposição de estatutos federais, estaduais e locais, em certos casos contraditórios. De acordo com uma lei estadual adotada em 2004, os condados podem definir limites próprios para a venda legal de maconha - em Mendocino, por exemplo, as pessoas que plantam a erva podem ter um máximo de 25 plantas maduras. A maioria dos condados adota um limite de seis plantas.

Inglaterra rediscute a descriminalização da maconha

Por Luiz Flávio Gomes

A criminalização da posse de drogas para uso próprio é um tema muito complexo. Há vários modelos de política criminal nesse assunto. Os Estados Unidos se posicionam claramente pela criminalização (droga é um problema de direito penal). Na Europa (de um modo geral) o assunto é tratado como uma questão de saúde pública (e particular). Lá se adota a política da redução de danos. Não se trata de um tema de competência da Justiça penal. A polícia não tem muito que fazer em relação ao usuário de drogas (que deve ser encaminhado para tratamento, quando o caso).

Leia artigo na íntegra...

Rádio Legalize no ar!

Colômbia: Mestrado em "Culturas y droga"

Universidad de Caldas
Teléfono 8862720 Ext. 22108
maestria.culturasydroga@ucaldas.edu.co
Fonte: Alto das Estrelas

A Marcha Proíbida que não para de Marchar

Depois de um longo período de ditadura, e desde a abertura política dos anos 80, os brasileiros aprenderam a valorizar a liberdade de expressão como um direito democrático chave. Mas as últimas semanas mostraram que alguns assuntos, como a legalização da maconha, ainda não alcançaram o status de legalmente permitidos em debate público. A edição desse ano da Marcha da Maconha foi proíbida por decisões judiciais em 9 capitais do país diante de alegações de promoção ilegal da droga. O assunto provocou reações por parte de muitos blogueiros locais.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Repórter obtém receita médica de maconha para 'ansiedade' na Califórnia

Da BBC/Brasil
O consumo de maconha é proibido pelo governo federal nos Estados Unidos, mas a erva pode ser receitada para uso medicinal por pacientes sofrendo de doenças graves no Estado da Califórnia. Os benefícios da cannabis para doentes com câncer, Aids, artrite, esclerose múltipla e outras condições debilitantes são amplamente documentados. Segundo os usuários, ela torna os sintomas mais suportáveis.

A MARCHA QUE NÃO QUER CALAR

ou QUEM TEM MEDO DE MARIJUANA?
Por Adolfo Sá

"Você faz parte do problema ou da solução?". Esse questionamento era um dos slogans do Maio de 68, insurreição popular na França liderada por jovens de aspirações revolucionárias, que começou c/ uma série de greves estudantis e culminou c/ ocupações de fábricas em todo o país. 1968 ficou conhecido como "o ano que não terminou" - a partir dele, uma série de transformações políticas, éticas e sexuais afetaram o Ocidente.

Os danos das políticas públicas comprometidas com a “Guerra às Drogas”

Por Dr. Osvaldo Fernandez,

Quem tem medo da democracia? Esta – a democracia - ainda continua sendo a melhor alternativa e resposta coletiva aos problemas sociais. A quem interessa a atuação dos grupos de extermínio no país? A guerra não interessa à polícia, que está, igualmente desassistida, no front dessa batalha, e nem mesmo às famílias brasileiras, atônitas com o crescimento da violência contra seus familiares e vizinhos. Afirmo a necessidade de repensarmos alternativas com orientações pacifistas visando o fim da atual estratégia de guerra às drogas, incentivada e orientada pela política externa norte-americana.

Acordo suspende divulgação de vídeo de John Lennon fumando maconha

A viúva de John Lennon, Yoko Ono, e uma associação de colecionadores que disputa com ela os direitos autorais sobre imagens do ex-Beatle fumando maconha e compondo concordaram em não divulgá-las até que a questão seja resolvida por uma corte de Boston, disseram os advogados das partes.
Leia na íntegra: G1 notícias

RJ: Capital Mundial do Crime Organizado

Nem Palermo, terra da máfia, consegue, no momento, ombrear-se com o Rio de Janeiro. Para começar, 47% dos deputados do Rio têm pendências com a Justiça, conforme informou o jornal O Globo de ontem. Dos 70 deputados estaduais, 33 deles estão pendurados na Justiça, no Ministério Público e, até, no Tribunal de Contas. Um deles é suspeito em crime de homicídio.

domingo, 8 de junho de 2008

Violações de direitos: a violência nas cidades do Baixo e do Submédio São Francisco

Por Jorge Atílio Silva Iulianelli
Este ensaio, curto, faz uma análise curta de alguns dos resultados do Mapa da violência dos municípios brasileiros 2008, considerando os dados de alguns dos municípios do Submédio e Baixo São Francisco. As ações político-pedagógicas que o autor desenvolve naquela região, com a juventude camponesa sertaneja, facultam notar a tensão entre o desenvolvimento de políticas públicas e a persistência das taxas de morte por homicídio. Levanta-se aqui a hipótese de tal persistência ocorrer em função da manutenção de uma política de drogas ofensiva e belicosa. Porém, avalia-se, neste ensaio, positivamente a ocorrência e o incremento de políticas públicas de redistribuição de renda (ainda que elas tenham caráter compensatório) e de reconhecimento de identidades vulneráveis, com conseqüências fundiárias e agrícolas. Até mesmo porque tais políticas públicas são, também, uma conseqüência da atuação sociopolítica dos movimentos sociais ante os desafios das violações de direitos socioambientais naquela região.

sábado, 7 de junho de 2008

BA: "Não temos penitenciária, temos parque de diversões"

A administração do sistema prisional é co-responsável pela consolidação do crime organizado nas prisões baianas, pensa o promotor de Justiça Paulo Gomes Júnior, do combate ao crime organizado, pelo Ministério Público. Gomes atuou no desmanche da quadrilha do traficante Genilson Lino da Silva, o Perna, há seis dias. “Temos raposas tomando conta de galinhas, galinhas de ovos de ouro para muitos”, disse em entrevista a A TARDE. Gomes revelou que deve chegar a R$ 4 milhões o montante bloqueado nas contas bancárias de Perna.

Entrevista - Maria Lúcia Karam: "Usar drogas é uma escolha pessoal"

Para a jurista carioca, comprar cocaína deveria ser tão natural quanto comprar um chope
Por Andréa Leal

Quando Maria Lúcia Karam entrou no curso de direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, ainda existia o Estado da Guanabara e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) era UEG (Universidade Estadual da Guanabara). Ela passou também no vestibular de psicologia e passou um ano fazendo os dois cursos. O ano era 1967, e o movimento estudantil estava em sua fase mais perigosa e mais ativa. Foi o engajamento mais fervoroso entre os estudantes de direito que fez Maria Lúcia optar por estudar a lei. Depois disso, ela pegou gosto. Tem três livros e vários artigos publicados sobre direito penal. A tese desenvolvida em De Crimes, Penas e Fantasias foi a que serviu de base para a argumentação do desembargador paulista que inocentou um portador de cocaína. Na mesma linha de raciocínio será Proibições, Riscos, Danos e Enganos: as drogas tornadas ilícitas, o livro que a juíza aposentada lançará no segundo semestre deste ano. Em entrevista a ÉPOCA, ela diz por que acredita que as drogas devem ser legalizadas.

ONU: mercado de maconha se mantêm estável

O mercado mundial de cannabis – maconha e haxixe – não apenas tem se mantido estável como apresenta até ligeiro declínio. É o que aponta o Relatório Mundial sobre Drogas 2008, do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc). Os dados do órgão revelam que a produção de maconha apresenta queda de 8% em relação a 2004. A produção de haxixe, por sua vez, diminuiu cerca de 20% de 2004 a 2006.
Mas para a Unodc existem tendências “preocupantes”. O Afeganistão, atualmente, tornou-se um importante produtor de haxixe no mundo, excedendo a produção do Marrocos. Também em países desenvolvidos, o cultivo da maconha em lugares fechados tornou possível a produção de tipos mais potentes da droga.
Leia na íntegra: Agência Brasil

Mochilas para laptops protegem computador com toque "fashion"

Ecológico
A onda de proteção ambiental também chega às bolsas para laptop. No exterior, diversas lojas usam materiais reciclados para desenvolver produtos ecologicamente corretos. Tem até modelos feitos com cânhamo --as fibras da planta de onde também se extrai a maconha--, como a Hemp Laptop Bag (www.thehempshop.co.uk). Disponível nas cores chocolate, cinza, rosa e cáqui, a bolsa acomoda laptops de até 17 polegadas.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A Antropologia brasileira e o tema dos psicoativos

Por Bia Labate e Sergio Vidal, Central de Informações ANANDA (CIA)

Entre os últimos dias 1 e 4 de junho ocorreu em Porto Seguro, na Bahia, o maior evento de antropologia da América Latina, a 26ª Reunião Brasileira de Antropologia. Esse ano a Diretoria da ABA aceitou duas propostas para realização de uma Mesa Redonda e um Grupo de Trabalho para discutir a chamada “questão das drogas”.

No dia 2 de junho, o prof. Edward MacRae, um dos pesquisadores-fundadores do Núcleo Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos - NEIP coordenou a Mesa Redonda: "Controles Formais e Informais do uso de Substâncias Psicoativas". Nesse dia, dezenas de pessoas lotaram a sala à mesa contou com as exposições dos pesquisadores Thiago Rodrigues (PUC/SP; NEIP), Paulo César Pontes Fraga (UESC), Eduardo Viana Vargas (UFMG), o mais recente integrante do NEIP.

Eduardo Vargas sugeriu que devemos ir além de categorias como "substância em si", "set" e "setting" para pensar a questão das drogas, propondo, a partir de uma leitura da teoria de Bruno Latour, pensarmos o "evento" do uso de drogas, ou "êxate" a partir de "agenciamentos" e não "agentes". Paulo Fraga discutiu a lógica simbólica e material do polígono da maconha, e Thiago Rodrigues traçou uma ampla rede de relações históricas e políticas que permitiram o estabelecimento do proibicionismo, analisando também "o êxito desta política de fracassos da guerra às drogas" (a quem serve e porque se mantém a proibição e sua meta de banimento total do consumo de substâncias psicoativas no mundo).

No dia 3 ocorreu o lançamento do livro Religiões Ayahuasqueiras: um balanço bibiográfico, escrito por Bia Labate, Isabel de Rose e Rafael Guimarães dos Santos. No mesmo dia, também foi dado início ao Grupo de Trabalho Substâncias Psicoativas: Cultura e Política, que contou com a exposição de diversos trabalhos sobre o tema, com enfoque no uso religioso de plantas psicoativas, sobretudo nas modalidades ligadas a ayahuasca e a jurema.

No dia 4, ocorreram as duas últimas sessões do GT, com exposições que versaram sobre temas diversos, como o consumo de drogas entre universitários, em festas raves no nordeste, o serviço público de antendimento a dependentes, a nova lei de entorpecentes e os discursos médicos sobre as drogas, entre outros.

Sergio Vidal discutiu a necessidade de uma maior institucionalização do debate sobre drogas dentro da Associação Brasileira de Antropologia e necessidade da existência de um diálogo mais efetivo entra a antropologia e outras áreas do conhecimento na tarefa de subsidiar a elaboração de políticas públicas e leis sobre a matéria. O pesquisador lembrou que a discussão sobre drogas não tem feito parte da agenda dos temas das comissões permanentes da ABA.

Além disso, destacou o fato de em 2004 a ABA ter recusado o convite para participar do Simpósio Cannabis sativa L. e Substâncias Canabinóides em Medicina e emitir parecer sobre a questão "Deve a Cannabis sativa permanecer na Lista IV da Convenção de 1961?", chamando atenção de que essa ausência pode ter influenciado na decisão disposta no Decreto 5.912/06 de a vaga para um antropólogo no Conselho Nacional Antidrogas (CONAD) não seja escolhida através de uma indicação da ABA e sim do Presidente do CONAD, General Jorge Armando Felix, Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

Alguns dos temas que têm preocupado os pesquisadores desta área dizem respeito a questões legais e éticas. No primeiro campo, foi destacado o fato de vários pesquisadores da área estarem sendo processados ou ameaçados de sofrerem processo jurídico em função de suas atividades de pesquisa. O segundo conjunto de questões tem a ver com os desafios que investigadores desta área devem enfrentar no seu dia-a-dia de pesquisa, como a dificuldade de obter "consentimento informado" de seus informantes (um papel assinado onde o sujeito afirma quem tem ciência sobre o que é a pesquisa e que concorda em participar dela), exigências frequentes dos conselhos de ética médica, as quais no limite inviabilizam a atividade do antropólogo, especialmente aqueles ligados ao estudo de atividades ilícitas.

Esta reunião da ABA foi um momento particularmente profícuo - arriscaríamos dizer, até mesmo, histórico - já que a ABA aceitou a realização de uma Mesa Redonda e um GT sobre psicoativos. Antes disso, pelo menos até onde nossos colegas conseguiram se lembrar, só havia ocorrido um GT sobre psicoativos na 20ª Reunião da ABA em Salvador, em 1996 (também organizado por Edward MacRae).

Vale lembrar que se os cientistas sociais criticam a excessiva medicalização do debate sobre o uso de substâncias psicoativas na sociedade, o tema das "drogas" é ainda bastante marginalizado dentro das próprias ciências sociais. Aparentemente, isto está começando a se reverter. Que assim seja!

Fontes: Alto das Estrelas e ANANDA

Boletim Encod n. 42

QUANDO FALHAM OS ARGUMENTOS, APARECEM AS PROIBIÇÕES
Estamos confrontados com uma política mal intencionada, disfarçada numa fachada de boas intenções. A segurança e a saúde pública são utilizadas como argumentos para manter políticas que resultam no aumento de danos nestas mesmas áreas. A real redução de danos é incompatível com a proibição.

O ministro da Saúde Pública da Holanda, Ab Klink sabe isto. A sua proposta de proibir 168 espécies de fungos psicoactivos na Holanda foi outra vez recusada no dia 29 de maio, depois que vários Membros do Parlamento holandes, apoiados por activistas, colocarem perguntas críticas ao ministro que ele deverá responder nas próximas semanas. Todos os conselhos de especialistas (incluindo a Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes, de maneira notável) recomendaram ao ministro a não imposição de uma proibição, já que isso muito provavelmente causará um aumento dos riscos para a saúde pública e um aumento no número de incidentes.

Cultivar o próprio cannabis como uma forma de reduzir danos à saúde e à segurança, foi aceite há três anos pelo parlamento belga. Um complemento de legislação foi introduzido então, que permitiria a cada cidadão adulto, cultivar uma planta de cannabis para uso pessoal sem que haja circunstâncias agravantes. No entanto, as autoridades belgas não respeitam esta legislação. Quando os membros de Trekt Uw Plant, uma associação legal de produtores e consumidores de cannabis, plantaram uma semente da sua planta pessoal na via pública no dia 3 de maio, Dia da Marcha Mundial da Erva em Antuérpia, foram detidos e acusados de “cultivar cannabis na possível presença de menores”. Dois dias depois, quando repetiram a acção em um campo público sem a presença de menores, a polícia interveio contra o que se chamou a "privatização do espaço público". Na imprensa a porta-voz da polícia de Antuérpia disse: "não é porque o cultivo de cannabis é tolerado que efectivamente vamos permitir a que a gente o faça."

UNE fecha parceria com UFBA para a realização da 6ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura

Diretores da UNE se reuniram na última segunda-feira (2) com o reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e com o pró-reitor de assuntos estudantis da universidade, Vladimir Meira para fechar uma parceria entre a instituição a entidade visando a realização da 6ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura da entidade, que acontecerá na primeira quinzena de fevereiro em Salvador.
A parceria foi formalizada durante reunião entre o diretor de cultura da entidade, Rafael Simões, um dos coordenadores do CUCA, Luis Parras, Vladimir Meira, diretor da UNE, Álamo Pimentel, pró-reitor de assuntos estudantis da UFBA e o reitor da universidade, Naomar de Almeida

1 em cada 4 parlamentares é investigado pela Justiça

Com um aumento de 36,1%, em apenas nove meses no número de deputados e senadores sob investigação, o Brasil chega a ter um quarto de seus congressistas na mira da Justiça. Ao todo, 123 deputados e 20 senadores são alvo de algum tipo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) e, segundo a Procuradoria Geral da República, há indícios para transformar 48 deles (42 deputados e seis senadores) em réus.
As informações são parte de um levantamento realizado pelo site Congresso em Foco, especializado na cobertura do Legislativo, que comparou dados consolidados em 4 de setembro de 2007 e em 30 de maio de 2008 sobre processos contra parlamentares.
Segundo o levantamento, o maior número de processos é por crimes contra a administração pública, como peculato e desvio de verbas, e por corrupção passiva ou ativa.
Leia Também:

I Colóquio Internacional Etnicidade, Religião e Saúde

O Programa Integrado de Pesquisa e Cooperação Técnica Comunidade Família e Saúde FASA do ISC-UFBA estará realizando nos dias 13 e 15 de julho de 2008 em Salvador o I Colóquio Internacional Etnicidade, Religião e Saúde: questões identitárias em saúde da população negra no Brasil. O evento tem o apoio do Ceao e dirige-se a pesquisadores, estudantes, gestores públicos, profissionais de saúde, instituições não governamentais, servidores públicos e privados, lideranças religiosas e representantes de movimentos sociais.
Na página do colóquio na web www.coloquiofasa.isc.ufba.br constam informações detalhadas sobre o evento e os procedimentos necessários para inscrição. A data limite para envio de trabalhos é 13 de junho de 2008.

Substância pode bloquear efeito da maconha

Um estudo realizado em ratos sugere que um agente químico usado em inseticidas pode bloquear o efeito psicotrópico da maconha sem interferir nos seus benefícios medicinais. Segundo os cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, o THC (tetrahidrocanabinol) – ingrediente ativo da maconha – estimula proteínas no cérebro que atuam nos receptores canabinóides.

Quando ativadas, essas substâncias produzem o efeito medicinal da droga, como alívio da dor, mas também seus efeitos psicológicos. De acordo com a pesquisa, o organofosfato (substância química usada em pesticidas), quando combinado com o THC, suprime os efeitos psicotrópicos da maconha, sem interferir no efeito medicinal proporcionado pelo uso da droga.

Leia a reportagem completa da BBC Brasil

MP prepara Termo de Ajustamento de Conduta para bares

Do OBID

A venda de bebidas alcoólicas a crianças e adolescentes é proibida pelo art. 231 do Estado da Criança e Adolescentes (ECA). No entanto, alguns estabelecimentos descumprem a legislação e praticam o comércio ilegal de bebidas com menores de idade. De olho nesses estabelecimentos, a Procuradoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) prepara o texto de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para distribuidoras de bebida, Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar) e outros estabelecimentos. O documento será apresentado em reunião marcada para 12 de junho.
Entre as propostas do termo estão a solicitação de que as distribuidoras se responsabilizem pela produção de cartazes esclarecendo a lei, a impressão nas notas fiscais de mensagem sobre a proibição do comércio, além da cobrança de multa contratual para os bares flagrados praticando a irregularidade. Para o MPDFT, trata-se do grande projeto do ano da promotoria, que já realizou ações isoladas para fiscalizar a venda de bebidas em eventos públicos como a Micarecandanga.

EUA: Curso sobre cultivo para fins medicinais em Oakland

Os estudantes de uma escola particular de Oakland, perto de São Francisco, estão aprendendo a plantar e a cultivar Cannabis sativa para utilização com fins terapêuticos. O objetivo da Oaksterdam University - como apelidaram os alunos, em referência à abordagem liberal da cidade de Amsterdã (Holanda) em relação a essa droga-- é educar as pessoas para os benefícios da cannabis.
Na Califórnia, como em 11 outros Estados americanos, a lei autoriza a utilização da cannabis para fins terapêuticos, mas a legislação federal proíbe a posse de qualquer quantidade do produto. A escola de Oakland, que retomou um modelo existente em Amsterdã, abriu em novembro e recentemente começou a dar cursos em Los Angeles. Até agora, 200 estudantes já receberam o diploma e mais de 500 pessoas se inscreveram. Os temas estudados vão da história da cannabis às políticas sobre o produto e horticultura. Os cursos incluem também jogos para saber como comportar-se se for parado por um policial e os métodos para tomar cuidado na preparação do produto, assim como sobre a melhor forma de se secar as folhas e a reduzir o odor liberado.

Defesa de Tese sobre Teorias de Guerra (entre elas, o tráfico de drogas)

Do Alto das Estrelas

Título: Guerra e política nas relações internacionais
Filiação: Tese de Doutorado em Relações Internacionais
Autor: Thiago Rodrigues, pesquisador do NEIP
Dia: 06 de junhoHorário: 14:00hs
Local: PUC-SP, sala 500 (prédio novo)

Morre Austragésilo Carrano, que inspirou o filme "Bixo de Sete Cabeças"

Por Dênis Petuco

Morreu aos 51 anos, na tarde do dia 27 de maio, um dos símbolos do movimento antimanicomial brasileiro. Austregésilo Carrano Bueno estava internado no Hospital das Clínicas, e morreu em razão de complicações decorrentes de um câncer no fígado.
Carrano tornou-se nacionalmente conhecido depois da adaptação de seu livro, "Canto dos Malditos", no qual narrava os abusos praticados em centros psiquiátricos de Curitiba e do Rio de Janeiro, nos quais foi interno. Lançada no começo dos anos 90, a obra foi reeditada pouco depois da estréia do filme e teve sua comercialização proibida pela Justiça em 2002, a pedido da família de um psiquiatra. Só teve permissão para ser reeditada no ano passado. Em outra ação, o Hospital Bom Retiro e a Federação Espírita (ambos do Paraná) entraram com ação para que ele não fizesse mais palestras ou desse entrevistas sobre os anos em que passou internado em instituições.
Carrano foi internado aos 17 anos, em 1974, depois que seu pai encontrou maconha entre suas roupas. Nos manicômios em que esteve preso, foi submetido a sessões de eletrochoque e outras formas de tortura e castigo. Como conseqüência dos anos de internação, ficou com problemas de visão e com seqüelas psíquicas.
FONTE: ABORDA

Boletim Encod N.41 - Maio de 2008

A Linha de Frente

A reforma da política de drogas está em caminho, mas está indo em câmara lenta. Depois da reunião das Nações Unidas que teve lugar em Viena no mês passado, para todos os envolvidos está se a tornar cada vez mais claro que a proibição é uma política em quebra. Até o diretor-executivo da UNODC Antonio Maria Costa descobriu que sua cruzada mal assessorada está falhando, quando o seu email se encheu com mensagens em que lhe puseram a mesma pergunta que lhe tinha feito Fredrick Polak de ENCOD em Viena: "Porque será que na Holanda, onde a marijuana é acessível a qualquer adulto que esteja disposto a consumi-la, o consumo de marijuana é actualmente mais baixo que nos países ao redor, entre adultos ,assim como também entre os que tem 15/16 anos?" Este facto obviamente contradiz a assunção que a proibição reduz o consumo da substância proibida.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Claudia Leitte: "Droga Mata"

Ela já deu várias declarações em seu blog sobre o quanto é contra as drogas. Agora, além dos protestos, Claudia Leitte se engajou na campanha "Droga Mata". Para oficializar o apoio à iniciativa, a cantora recebeu os organizadores do projeto no domingo, 1, em Jundiaí, onde realizava um show. Além do encontro, Claudia vestiu a camisa da campanha que traz os dizeres: “É melhor ser um careta vivo do que um drogado morto”, e posou para foto.
“Fico muito feliz por poder contribuir e não canso de repetir que prefiro mesmo ser uma caretona viciada em amor”, disse Claudia. “Se algumas celebridades podem beber, usar drogas, ter comportamento de loucas desvairadas, ainda que sejam muito mais famosas que eu, e influenciar negativamente muitos jovens, eu prefiro fazer o exatamente inverso”, reforçou.

Catalunha: Doentes crônicos melhoram com Cannabis

Mais de metade dos pacientes submetidos a tratamento com cannabis, na Catalunha, no âmbito de um programa pioneiro lançado em 2005, apresentaram uma reacção positiva e grande parte mostrou melhorias no seu estado de saúde.
O uso de uma droga - cannabis - como medicamento surgiu da "necessidade de tratar sintomas resultantes de patologias muito graves em que foi fraco o resultado dos tratamentos convencionais", informou a Conselleria do Departamento de Saúde do executivo catalão.
O Programa do uso terapêutico de cannabis na Catalunha foi lançado em 2005 e deu origem a dois estudos que consistiram em acompanhar doentes aos quais foi ministrado um medicamento fabricado com extracto de cannabis.

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Portugal: cerveja e chocolate de cannabis à venda

Duas semanas depois da marcha pela legalização da Cannabis, a cidade do Porto recebeu a Feira do Cânhamo. Os visitantes puderam visitar vários stands, nacionais e internacionais nos quais estavam expostos à venda diversos produtos feitos a partir do cânhamo, como cerveja, roupa ou chocolates, e também livros sobre o tema. A idéia da feira surgiu de Carla Fernandes no verão do ano passado quando conversava com uma amiga espanhola. As duas visitaram várias feiras pela Europa, em países como a Espanha, a Holanda e a Suíça.

EUA: Legisladores debatem uso legal da maconha em New Jersey

Pacientes vítimas de esclerose múltipla e outras enfermidades pediram aos legisladores estaduais para legalizarem o uso da maconha em New Jersey com o objetivo de aliviarem seu sofrimento. Entretanto, oponentes alertam que tal prática poderá incentivar o abuso da droga.“Todos nós temos prova que o uso é efetivo. Isso é um senso comum”, comentou Scott Ward, residente em Robbinsville (NJ), um ex-marinheiro que sofre de esclerose múltipla e alega que o consumo diário mínimo de maconha melhorou drasticamente sua qualidade de vida.

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Grupo ironiza queima de maconha

Os membros do grupo de humoristas do site Hoje é Bom participaram da queima de 9 toneladas de maconha apreendidas pela Polícia Federal. Assita ao vídeo: Clique Aqui

Seminário Humanismo, Direito e Cidade: debates interdisciplinares

Quando: 13 e 16 de junho de 2008
Local: IUPERJ - Rua da Matriz, 82 Botafogo

Informações: infocedes@iuperj.br ou

Cabe princípio da insignificância para militar preso com droga

por Priscyla Costa

O princípio da insignificância pode ser aplicado nos casos de militares processados pelo crime de posse de entorpecente. Para o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, é admitida “a aplicabilidade, aos crimes militares, do princípio da insignificância, mesmo que se trate do crime de posse de substância entorpecente, em quantidade ínfima, para uso próprio, ainda que cometido no interior de Organização Militar”.

Portar drogas para uso próprio é crime?

Os números atuais sobre a questão das drogas ilícitas são estarrecedores. As Nações Unidas, por meio da United Nations Office for Drugs and Crime (UNODC), em seu World Drug Report de 2007, que condensa dados relativos aos anos anteriores, estimam que 5% (cinco por cento) da população mundial sejam consumidores de drogas ilícitas, o que equivale a, aproximadamente, 200.000.000 (duzentos milhões) de usuários, eventuais ou freqüentes, de “Cannabis”, cocaína, heroína, anfetaminas, entre outras. Para tanto consumo, estima-se a produção de, anualmente, mais de 10.000 (dez mil) toneladas de drogas. Segundo considero, esse número é muito baixo para a realidade.

O uso de drogas e o direito à liberdade

Por Pedro Estevam Serrano
Decisão recente do Tribunal de Justiça de São Paulo, muito bem comentada pelo colunista e professor Luiz Flávio Gomes neste sítio, me estimula a retornar a tema que já ofereci meu ponto de vista por aqui.

A nossa doutrina de direito constitucional trata do direito à liberdade em sua dimensão de garantia formal, pelo estabelecimento da lei como veículo introdutor democrático das limitações inerentes a sua conformação como direito, de forma adequada. Determina realmente o inciso II do artigo 5º de nossa Carta Magna que só a lei pode obrigar alguém a realizar ou proibir condutas.

Efetivamente a lei como forma é uma conquista humana e civilizatória. Submeter as limitações à liberdade humana a prévio debate e aprovação parlamentar, tendo o Parlamento como representação livremente eleita pelo povo, implicou a substituição de um modelo policial, absolutista de Estado pelo contemporâneo Estado de Direito.

Leia na íntegra...

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Seminário Nacional
“Movimentos Sociais e os novos sentidos da política”
(De 5 a 7 de junho de 2008)
Pavilhão de Aulas da Federação - PAF I (Ondina)
Mais Informações: Clique Aqui