quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Pesquisas que confundem, mais do que esclarecem

Mais uma pesquisa em que o foco principal é a Cannabis Sativa. Não existe concenso entre pesquisadores no que se diz respeito a resultados ou interpretação de resultados, creio que podemos entender melhor a pesquisa, descobrindo quem a encomenda ou a quem interessam os resultados. Tanto desencontro de informação só tende a atrapalhar o entendimento da sociedade em relação a causa. (Leonardo Parente)

Maconha causa mais câncer que cigarro, diz estudo

Estudos já haviam demonstrado que a maconha causa câncer, mas poucos estabeleceram um vínculo forte entre o uso da droga e o real incidência do câncer de pulmão.
Em artigo publicado na revista European Respiratory Journal, os cientistas disseram que a maconha lesa mais as vias aéreas porque sua fumaça contém o dobro de substâncias cancerígenas, como os hidrocarbonetos poliaromáticos, em relação aos cigarros de tabaco.
Também a forma de consumo aumenta o risco, já que os "baseados" são normalmente fumados sem um filtro adequado e até a ponta, o que aumenta a quantidade de fumaça inalada. O fumante de maconha traga mais longa e profundamente, o que facilita o depósito das substâncias cancerígenas nas vias aéreas.
"Os fumantes de maconha terminam com cinco vezes mais monóxido de carbono na corrente sanguínea do que os tabagistas", disse por telefone o coordenador do estudo, Richard Beasley, do Instituto de Pesquisa Médica da Nova Zelândia.
"Há concentrações mais altas de substâncias cancerígenas na fumaça de maconha. O que nos intriga é que haja tão pouco trabalho feito a respeito da maconha e tanto trabalho sobre o tabaco."
Os pesquisadores entrevistaram 79 pacientes de câncer de pulmão, na tentativa de identificar os principais fatores contribuintes, como tabagismo, histórico familiar e ocupação. Os pacientes responderam sobre o consumo de álcool e maconha.
Neste grupo de alta exposição, o risco de câncer de pulmão cresceu 5,7 vezes para pacientes que fumaram mais de um "baseado" por dia durante dez anos, ou dois "baseados" por dia durante 5 anos - isso já levando em conta outras variáveis, como o tabagismo.
"Embora nosso estudo abranja um grupo relativamente pequeno, mostra claramente que o consumo de maconha por longo prazo aumenta o risco de câncer de pulmão", escreveu Beaseley.
"O uso da maconha já pode ser responsável por um em cada 20 casos de câncer de pulmão diagnosticados na Nova Zelândia", acrescentou ele.
"No futuro próximo, podemos ver uma 'epidemia' de câncer de pulmão ligado a esta nova substancia cancerígena. E o risco futuro provavelmente se aplica a muitos outros países, onde o crescente uso da maconha entre os jovens adultos e adolescentes está se tornando um grave problema de saúde pública."
Fonte: Reuters

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Entrevista: Federick Polak

A política proibicionista expirou?

Em março de 2008, a Comissão de Drogas Narcóticas das Nações Unidas se reunirá em Viena, na Áustria, para fazer uma revisão dos resultados das políticas de drogas aplicadas nos últimos dez anos. Será a primeira vez que a chamada política proibicionista, que estipulou a erradicação das plantações de coca, da cannabis e da papoula não receberá um cheque em branco. Pelo contrário, será avaliada por sua eficiência.

"A ONU se opôs à política de redução de danos com o argumento de que isso facilitaria o uso de drogas, mas existem estudos que provam que não existe esta relação", explica Federick Polak, cujos anos de experiência como psicanalista no Serviço Municipal de Saúde do Departamento de Drogas de Amsterdã levaram a defender a política de redução de danos e que estará presente no encontro de Viena.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Antropologia e Drogas

O último número da Revista Brasileira de Antropologia da Universidade de São Paulo publicou dois artigos sobre o tema. Confira:

· Uso de drogas: a alter-ação como evento
resumo em português inglês · texto em português · pdf em português

· A Resolução 196/96 e a imposição do modelo biomédico na pesquisa social: dilemas éticos e metodológicos do antropólogo pesquisando o uso de substâncias psicoativas

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Tropa de Elite: uma (auto)crítica antiproibicionista

Convidamos a todos que acessam este Observatório para visitarem o blógue do rizoma Princípio Ativo. Nosso último post traz um relato sobre um debate ocorrido em Porto Alegre sobre o filme Tropa de Elite:

http://www.principio-ativo.blogspot.com

Obs: tentamos postar aqui também este mesmo relato, mas como ele é enorme e este é um site de notícias, achamos que seria de bom grado colocar só o link :]

Saudações resinosas!

Princípio Ativo - por uma nova política de drogas

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Substancias Psicoativas: Cultura e Política

26ª Reunião Brasileira de Antropologia - Desigualdade na Diversidade
01 a 04 de junho - Porto Seguro/BA
Grupo de Trabalho - GT8
Substancias Psicoativas: Cultura e Política
Coordenadores: Rodrigo de Azeredo Grünewald (UFCG) , Edward MacRae (UFBA)

O uso de substancias psicoativas se dá em uma diversidade de contextos socioculturais com os mais variados propósitos lúdicos, religiosos ou terapêuticos. Desempenham também importante papel na cosmogênese e etnicidade de diversos grupos sociais. Nas sociedades pós-modernas ocorrem freqüentemente intercâmbios e resignificações de praticas de uso entre esses variados contextos. Estes porém são submetidos a diversos constrangimentos devido às políticas publicas que regulamentam o uso de drogas, assim como a sanções sociais de ordem mais tradicional ou informal. Este gt será voltado à discussão sobre os usos de substancias psicoativas com especial interesse na investigação das regulamentações e formas culturais que emergem em torno do emprego dessas substancias , atentando-se para usos do corpo,identidades , performances, representações, cosmologias e políticas publicas.

Inscrições até o dia 28 de janeiro:

sábado, 5 de janeiro de 2008

Holanda para o Prêmio Nobel da Paz

Inspirada na recente premiação do político estadunidense Al Gore pelos seu trabalho na luta contra o Aquecimento Global a National Organization for the Reform of Marijuana Laws (NORML) está lançando uma campanha para indicar a Política sobre Drogas da Holanda para concorrer ao Prêmio em 2008.

Para isso está pedindo o apoio de ONG´s em todo o mundo e de profissionais das diversas áreas do conhecimento envolvidos nas questões relacionadas ao consumo de drogas e à elaboração de ações, políticas e leis que intervém nesse consumo. O prazo para o envio da proposta se encerra no dia 1 de fevereiro.


Leia a Campanha: Clique Aqui