sábado, 30 de dezembro de 2006

Mercado produtor de derivados de Cannabis torna-se o agronegócio mais lucrativo dos últimos 20 anos nos EUA

Roberto Arnaz Nova York, 30 dez (EFE).
Contra todas as previsões, e escapando das proibições, o cultivo de maconha nos Estados Unidos tem crescido de maneira destacada nos últimos 20 anos para se transformar no mais rentável do país, com uma produção anual de US$ 35,8 bilhões.É o que diz um estudo elaborado por Jon Gettman, líder da Coalizão para a Requalificação do "Cannabis". O relatório revela que a maconha é a colheita que mais dinheiro gera no país, acima da soma da receita do milho e do trigo.A associação se dedica a tentar tirar da clandestinidade a maconha. O objetivo para 2007 é reabrir o debate sobre a legalização do uso médico da droga no Congresso dos EUA.
O estudo é baseado em números oficiais do Governo americano obtidos em relatórios de diversas agências federais. Agora, Gettman e sua associação pretendem reavivar um assunto abandonado desde 2002, época da última tentativa frustrada de legalização da maconha com fins médicos.
Em 2005, as forças policiais americanas só conseguiram confiscar 282 toneladas, menos de 3% do total. "Após o fracasso dos planos de erradicação intensiva, chegou o momento de considerar seriamente a legalização da maconha nos EUA", diz o documento, acrescentando que "a maconha se tornou uma parte onipresente da economia nacional". O relatório sugere que a legalização do uso terapêutico deixaria nos cofres do estado uma elevada soma de impostos. O dinheiro serviria, além disso, para compensar o custo social e sanitário de seu uso para outros fins.A coalizão pede que o Governo considere o fato de que a ilegalidade da droga, a mais usada pelos americanos segundo a DEA, leva grandes quantidades de dinheiro para quadrilhas criminosas.Na opinião de Gettman, o valor da "erva" aumenta pelo fato de sua ilegalidade dificultar a produção e distribuição. O estudo avalia em US$ 3.500 o valor de um quilo de maconha.Segundo os documentos policiais, o preço na rua varia entre US$ 4.500 e US$ 9 mil.Apesar das dificuldades, Gettman e sua associação não perdem a esperança em 2007. Eles já trabalham para reabrir o debate nas instituições do país.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Brasil é o principal importador da produção paraguaia de derivados de Cannabis

O Diretor da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai - SENAD, sr. Hugo Castor Ibarra, declarou hoje à imprenssa que mais de 80% da produção de maconha paraguaia é destinada ao compradores brasileiros. O Secretário afirmou ainda que existem cerca de 5 mil hectares plantados com Cannabis sativa, e que cada hectare produz aproximadamente 3 mil quilos de fumo. Ainda segundo Ibarra, "Não há outro produto agrícola que tenha produção tão elevada".
O Observatório da Cânabis já havia se adiantado sobre o tema e publicado, no último dia 19 de dezembro, uma análise da atual situação do mercado de Cannabis e derivados no Brasil, baseada no Relatório da ONU sobre o consumo de drogas em 2006.
Mais informações: Último Segundo; Observatório da Cânabis

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Fármaco "canábico" contra a obesidade chega às farmácias brasileiras em 2007

O fato de que a planta Cannabis sativa tem propriedades medicinais que combatem síntomas e enfermidades é conhecido pelas sociedades humanas há milênios. Mas somente em 1992, o cientista Rafael Mechoulam e sua equipe, responsável pelo feito de em 1964 isolar e descrever a molécula do THC em uma pesquisa conjunta com o prof. Gaoni, procuraram investigar o papel da subtância no cérebro humano. Em uma pesquisa empreendida na Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, esses cientistas descobriram que o cérebro humano produz e consome uma série de substâncias estruturalmente semelhantes aos canabinóides (substâncias contidas na resina da planta Cannabis sativa). Esses cientistas deram à essas substâncias o nome de endocanabinóides (canabinóides endógenos) e de sistema endocanabinóide às estruturas existentes no organismo humano responsáveis pela produção e consumo essas substâncias. Desde então, diversas pesquisas têm apontado para a importância desses componentes na regulação de diversos processos vitais para o organismo. Além disso, diversos trabalhos têm descoberto a importância da utilização de farmácos gerados pelas pesquisas com o sistema endocanabinóide para o tratamento de diferentes doenças, entre elas a diabetes e a obesidade, esclerose múltipla; pressão cardiáca; síndrome metabólica; bem como síntomas associados à quimioterapia e radioterapia, em tratamento para o câncer e a Síndrome da Imunodeficiência Adiquirida (AIDS).
A boa notícia é que a partir de 2007 estará disponível pela primeiras vez nas farmácias brasileiras um medicamento com base nessas descobertas. O Acomplia®, nome comercial da substância denominada de ribomanant, é um antagonista dos receptores canabinóides CB1, e tem sido usado para o tratamento da obesidade, e estão sendo estudadas as possibilidade de uso no controle da diabetes e no tratamento das síndromes de dependência. A substância atua bloqueando a ação dos canabinóides endógenos que são responsáveis pela sensação de fome, que no caso dos efeitos dos canabinóides obtidas da planta Cannabis sativa, são popularmente conhecidos como "larica".Mais informações: Revista Saúde é Vital; Acomplia®

Garota de 16 anos morre tentando engolir as "provas" para escapar de uma blitz

Na madrugada de hoje, o jovem A.O.S de 29 anos, e uma adolescente de 16 anos engoliram todas as "drogas" que estava portando na tentativa livrar-se de uma blitz policial. Após um interrogatório no local, o jovem afirmou que havia engolido as substâncias e logo em seguida a garota começou a ter convulsões. Os policiais a levaram para o hospital, mas no caminho a jovem teve duas paradas cardíacas e morreu por volta das 5h. O jovem A.O.S sofreu uma lavagem estomacal e está internado, com sua prisão temporária decretada.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Brasil assume presidência da Comissão Interamericana de Controle de Drogas

O engajamento do Brasil na War on Drugs foi finalmente reconhecido, e seus esforços em cooperar para a repressão as pessoas que produzem, comercializam ou consomem drogas nas Américas já está sendo plenamente premiado. Pela primeira vez o país assume a Presidência da Comissão Interamericana para Controle do Abuso de Drogas – CICAD, órgão da Organização dos Estados Americanos – OEA. No último dia 18 de dezembro o Secretário Paulo Roberto Yog de Miranda Uchôa, representou a Secretaria Nacional Antidrogas no evento de posse: Leia o discurso na íntegra: Clique Aqui
Fonte: Secretária Nacional Antidrogas - SENAD

Múmia encontrada com maconha intriga arqueólogos

Folhas da planta Cannabis sativa, usada como sacramento há mais de 10.000 anos, foram encontradas junto a uma múmia sepultada há 2.800 anos. Segundo arqueólogos, o corpo parece ser de um xamã de 40 ou 50 anos, e foi encontrada há três anos no oásis de Turpan, no noroeste da China, um importante lugar de passagem no século I a.C, quando a rota da seda atingiu seu ápice. O que tem intrigado os especialistas é como um curador especializado no uso dessa planta pode estar enterrado em um lugar a milhares de quilomêtros de onde as sociedades onde se fazia uso da planta se encontravam (Índia, Tibet, Himalaia). A suspeita é de que os fluxos migratórios nessa época fossem mais frequentes do que o que se imaginava. A descoberta ainda precisa ser melhor estudada, mas lança novas luzes sobre as reflexões a respeito das culturas da época.
Mais informações: Último Segundo; 24 Horas News; Gazeta On-line; Agência Pravda

Relatório da polícia grega inclui informações sobre cultivo

O Ministério da Ordem Pública do Governo da Grécia publicou no final deste ano um relatório sobre a situação nacional em relação ao uso e comércio de "drogas" no país. O fato curioso é que, através deste relatório, os gregos apreciadores de Cannabis sativa agora têm acesso à uma série de informações importantes sobre as condições climáticas da região, sobre os cuidados para plantar, curar e armazenar a maconha, bem como dicas sobre métodos de transporte da erva, e informações comparativas entre diferentes amostras de derivados da planta. Os leitores do relatório podem saber, por exemplo, que semeando o cânhamo em Fevereiro ou em Março é possível fazer a colheita dentro de até três meses. A imprensa grega tem aconselhado as pessoas que fumam derivados de Cannabis naquele país à lerem o relatório.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Bate Papo com Maria Alice Vergueiro, a atriz de "Tapa na Pantera"

A atriz Maria Alice Vergueiro, que estreou o curta-metragem "Tapa na Pantera", assistido por milhões de pessoas em menos de um mês de lançamento, participou de um Bate-papo com 1588 internautas promovido pelo site da UOL. Na conversa, ela entregua o jogo: "não precisa o mundo acabar para dar um tapa na pantera".
Fonte: UOL

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Senador quer ano novo com prisão para pessoas que usam drogas

O senador Magno Malta (PL-ES), anunciou em um discurso nesta quinta-feira dia 21 de dezembro, que no ano que vem irá apresentar à Mesa do Senado um projeto de lei solicitando que as pessoas que portem "drogas" sejam consideradas "imputáveis", ou seja, passíveis de punição com encarceramento. Utilizando de uma retórica altamente influenciada pelo simplismo do discurso de que "são os usuários que financiam a violência" , o senador afirmou ainda que "Toda cocaína tem sangue, e quem consome acha que não tem nada com isso". No mesmo discurso, o senador apoio a diminuição da maioridade penal.
As perguntas que ficam em aberto são:
  1. Será que encarceramento para pessoas que portam e usam "drogas" é uma medida que resolverá a relação entre criminosos violentos e as práticas de comércio dessas substâncias?
  2. Será que a experiência anterior, à qual a Lei nº 11.343 procura superar, de se encarar as pessoas que usam "drogas" como criminosas foi uma experiência que trouxe mais alívio ou menos riscos às pessoas que fazem uso, ou mesmo abusam ou são dependentes de ''drogas"?

É importante destacar que o senador Magno Malta fazia parte do grupo que tento o recrudescimento da Lei nº 11.343, no processo de sua construção, quando estava em discussão na Comissão de Constituição e Justiça, em uma articulação junto com os senadores Demóstenes Torres (PFL-GO) e Romeu Tuma (PFL-SP), para vetar a equiparação entre porte de plantas para obter "droga" para consumo pessoal, e porte das substâncias em si, e para tornar essas condutas passíveis de encarceramento, o que acabou ficando no texto final da Lei. (Ecologia Cognitiva)

Vale lembrar que no último dia 28 de novembro, o senador Magno Malta foi absolvido por falta de provas em uma acusação na CPI das sanguessugas. O senador havia utilizado um veículo que, segundo ele, lhe foi emprestado pelo deputado Lino Rossi (PP-MT). O veículo, pertencente à família Vedoin, foi utilizado pelo senador entre setembro de 2003 e julho de 2005, para transportar os músicos da sua banda gospel para realizar shows no interior do Espírito Santo. O relator considerou o empréstimo do carro ao senador como provas insuficientes do seu envolvimento com o caso.(Correio do Brasil; Agência Brasileira de Notícias)

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

É lançada 1ª revista argentina sobre Cannabis

Foi lançada no último dia 12, o primeiro número da publicação argentina THC, uma revista voltada para a discussão dos aspectos relacionados à cultura canábica. A publicação é destinada aos consumidores da América Latina, e nessa primeira edição uma matéria especial sobre o aniversário de 100 anos de Albert Hofman, descobridor do LSD-25 e uma outra sobre os 30 anos de normalização do consumo na Holanda. Esse é um projeto que, como dizem os próprios criadores da Revista, "dará o que falar, será criticado, censurado, golpeado, mas precisa ser levado adiante". Parabéns aos hermanos pela iniciativa, e vida longa à THC ! Seja bem vinda.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

ONU divulga relatório 2006 sobre consumo mundial de drogas

O United Nation Office on Drugs and Crime - UNODC divulgou o relatório referente aos dados sobre o consumo mundial de drogas no ano de 2006. O documento destaca um capítulo especial ao cultivo e consumo de Cannabis sativa e derivados, chamando atenção para as inovações tecnológicas que têm permitido transformações no mercado, inclusive admitindo a possibilidade de que pessoas que fazem uso da planta possam cultivar seus próprios espécimes.
Segundo a Agência, há um número cada vez mais crescente de pessoas que fazem uso ou não, que percebem que há grandes diferenças entre os riscos dos usos de Cannabis e de outras ‘drogas’, chegando a afirmar que os principais riscos seriam decorridos de uma ‘desinformação implacável’. (UNODC, 2006; 162)

Ainda segundo a UNODC, o mercado consumidor norte-americano estaria estimado entre 10 e 60 bilhões de dólares (o que dá um número próximo do apontado pelo estudo do Marijuana Policy Project), e é abastecido em sua maioria por cultivadores locais, que respondem pela 3ª maior colheita mundial de maconha, atrás do México e do Marrocos, respectivamente. (UNODC, op. cit.; 164). O documento ainda chama a atenção para o fato dos EUA ser um país que produz uma grande quantidade de Cannabis, mas também tem revelado altos índices de consumo dos derivados da planta. Tanto que não apenas consome o que produz como importa de produtores no Canadá e no México.

Por outro lado, o Relatório chama alerta para a situação curiosa do Brasil, no qual as principais pesquisas apontam um índice de pessoas que fuma maconha regularmente de apenas 1%, (‘dependentes’ na pesquisa original), no entanto, no mesmo período da coleta, o Brasil reportou a apreensão de 200 toneladas de maconha em 2002, o que segundo o relatório equivaleria a 200 gramas para cada usuário regular. Além disso, o relatório aponta que no mesmo ano também foram reportadas a destruição de 2.500.000 espécimes de Cannabis sativa, o que ampliaria essa quota para 1 quilo por consumidor da planta. De fato, o relatório chama atenção para o contraste entre os dados sobre o consumo, e os número que aponta que o país não apenas produz 20% do que consome, mas ainda importa o restante de países vizinhos. Segundo a UNODC, a atual produção brasileira de Cannabis se concentra nas regiões Norte e Nordeste do país, em áreas onde os fotos-período possibilitam um maior número de colheitas por ano. O custo de produção é de U$ 30,00 o quilo, chegando a custar até U$ 220,00 nas zonas urbanas, onde são comercializadas para o consumidor final. (UNODC, op. cit.; 167-168)

O relatório ainda aponta que as autoridade paraguaias relataram que 85% da produção do país é destinado ao mercado brasileiro, 12% ao mercado do Cone Sul, e apenas 3% ao mercado interno. Além disso, os cultivadores se dedicaram a novas técnicas e a utilização de híbridos melhores adaptados ao clima do país, e atualmente têm conseguido uma produção maior e a confecção de um haxixe apreciado na Argentina e no Brasil. (UNODC, op. cit.; 168).

Ao estimar o consume mundial de derivados da planta, o Relatório chama atenção para os desvios inerentes aos dados produzidos dessa forma. Alerta para as dificuldades intrínsecas a se fazer levantamento o uso de ‘drogas’, práticas consideradas criminosas, especialmente em países onde o uso é estigmatizado, onde esses dados podem apresentar informações subestimadas em relação às populações consumidoras. Cabe ressaltar que os dados usados na construção das estimativas da UNODC são cedidos pelas agências e órgão oficias de cada um dos países citados pelo documento.

Referências:
United Nations Office on Drugs and Crimes – UNODC. World Drug Report 2006. Disponível no endereço: http://www.unodc.org/unodc/world_drug_report.html

Mercado consumidor de Cannabis nos EUA chega a U$35.8bi

Um relatório baseado no estudo realizado pela Marijuana Policy Project - MPP, uma organização sobre Cannabis sativa com sede na Califórnia, afirma que o cultivo da planta é a atividade de agronegócio mais lucrativa dos EUA, superando as culturas do milho e do trigo juntas. Segundo o documento, US$ 35,8 bilhões este ano, excedendo o total obtido pelo milho (US$ 23,3 bilhões) e o trigo (US$ 7,45 bilhões). Apesar das campanhas de erradicação nas quais foram apreendidas 103 milhões de plantas e destruídos 36.000 cultivos por ano, a produção multiplicou-se por 10 entre 1981 e 2006, passando de 1.000 a 10.000 toneladas métricas.
Leia mais: Agência G1

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Ator é autuado por porte de maconha

Professor de biologia e amante da natureza interpretando o personagem do professor Afrânio, no seriado Malhação transmitido pela Rede Globo, o ator Charles Paraventi, de 36 anos foi detido, encaminhado à delegacia e autuado por porte de um baseado e uma pequena quantidade de maconha para consumo pessoal. O ator já havia sido autuado pela mesma contravenção em abril deste ano.
Leia mais: Agência G1

domingo, 17 de dezembro de 2006

"Growers" são investigados por autoridades policiais brasileiras

Enviado por um leitor*,
A nova legislação sobre drogas, a Lei nº 11.343, que entrou em vigor no último 8 de outubro, passou a equiparar a figura da pessoa que cultiva para produzir "drogas" para uso pessoal, à da pessoa que está portando a substância em si. Ou seja, segundo o entendimento no 1º inciso do artigo nº28, referente às práticas de “adquirir, guardar, ter em depósito, transportar ou trazer consigo, para consumo pessoal” algumas das substâncias consideradas “drogas”, a Lei diz: “Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica”. Para essas infrações, estão previstas as seguintes penalizações:

I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.


O entendimento, por tanto, é de que a Lei nº 11.343 descriminalizou o porte e a produção de drogas com a finalidade de consumo pessoal, prevendo apenas uma punição sócio-educativa. Para além disso, a Lei nº 11.343, no seu Capítulo I, que trata sobre a “prevenção ao uso indevido de drogas”, afirma no seu artigo nº18 que atividades de prevenção são “aquelas direcionadas para a redução dos fatores de vulnerabilidade e risco e para a promoção e o fortalecimento dos fatores de proteção”. Atualmente, o Ministério da Saúde admite a redução de danos como política oficial de saúde do governo, alinhadando-se à legislação em vigor.
Em Portugal uma despenalização semelhante aconteceu alguns anos atrás, até mesmo mais precocemente que no Brasil, mas parece que essa medida teve um efeito perverso sobre a prática policial portuguesa. Passou a haver um maior número de prisões de pessoas que plantavam qualquer quantidade de Cannabis, mesmo para finalidades não-comerciais, e de uso pessoal. Isso tem criado é uma onda de perseguição, das comunidade on-line do Horta da Couve e do Growroom terem tido que ser retiradas da Internet, devido às pressões da polícia portuguesa.

No entanto, o modelo de recrudescimento à repressão ao consumo, enquanto "ressaca" de medidas mais flexíveis (em outras palavras, o modelo do “morde, mas assopra”), parece estar fazendo sucesso e sendo exportado. As autoridades polícias brasileiras, ao menos algumas, começaram a perseguir cultivadores domésticos, à guisa de continuação da política de War on Marijuana. Ou seja, sem poder incluir a prisão de usuários no rol de tarefas realizas, algumas autoridades parecem querer ampliá-lo a todo custo, mesmo atacando direitos explicitamente estabelecidos, ou ao menos contravenções explicitamente tipificadas como de menor porte.

O fato é que algumas os administradores da comunidade espanhola Bitox, na qual muitos usuários do Growroom e Horta da Couve se refugiaram, receberam uma mensagem assinada por autoridades policiais brasileiras, solicitando a quebra do sigilo do endereço eletrônico dos mesmos (IP). O que essas pessoas têm feito de fato é trocado informações na Internet sobre suas experiências pessoais cultivando Cannabis para consumo pessoal, ou seja, trocando experiências sobre uma práticas ilítica de menor porte.

Essa matéria não pretende questionar a eficiência e profissionalismo das autoridades policiais em geral, nem mesmo à que se reportou aos administradores do Bitox, nem mesmo sabemos de qual se trata. Tampouco é intensão desse texto estimular o uso indevido de qualquer substância psicoativa, seja ela lícita ou ilícita. Apenas gostaríamos de expor algumas informações sobre a legislação brasileira em vigor sobre porte e plantio de “drogas” para consumo próprio, e estimular algumas reflexões sobre as reais necessidades de empreendimentos de cunho internaiconal de perseguição à pessoas que realizam tais práticas. Vale lembrar que o consenso atual é de que, ainda que o consumo de Cannabis e derivados possa causar danos à saúde, a configuração que o mercado fornecedor assume sob o regime de proibição é o principal fator causador de riscos e danos à saúde das pessoas que fumam maconha e precisam adquiri-la. Por outro lado, o atual paradigma vigente sobre a atenção ao uso de "drogas", que não prevê a abstinência como meta final, procura ressalvar a importância de se assegurar a integridade física e a autonomia dos sujeitos que consomem as substâncias. Em outras palavras, o cultivo doméstico de plantas destinado à preparação de substâncias psicoativas com a finalidade de consumo pessoal pode inclusive ser encorajado como uma prática mais segura do que a aquisição em um mercado sistematicamente desregulamentado, precário e muitas vezes violento.
A título de esclarecimento, abaixo segue a lista dos apelido das pessoas que frequentam o Bitox que e estão sendo observadas:
HempFamily; Maconheiro; Pescador; PotHead; thomaz; novice; lowryder; cabrobroseed; fumomemo; jahgrower; MiLhOuSeSc; Donkeydick; Keep_walking;
hooligan666; Maculele_du_Brejo; JAHGROW; VERDIM; mariamaria; skunk1; skunkarado;Sadus_BRAZIL; Macaled; sandslash; Spliff_kiki; Jakgreen; Flasher; fangorn; MALOQUERO; robmachado; selah; dogao; PsYcoFaRmEr.
Maiores informações:
* A fonte e mantida no anonimato por questão de segurança.

Itália passa a permitir posse de 1g em meio a muita polêmica e desinformação

O governo italiano presidido por Romano Prodi publicou um decreto no último dia 14 de novembro, aumentando a quantidade permitida para uso pessoal de Cannabis que era de 0,5 gramas, para 1 grama. O decreto duplicou a quantidade anteriormente estipulada pelo governo de Silvio Berlusconi, mas prevê a despenalização de uma quantidade, que segundo pessoas que consomem Cannabis, pode ser considerada como rídicula. De fato, um baseado pode levar até mais de 1 grama de matéria vegetal e, se for descontado que o cidadão esteja portanto a maconha ainda não preparada, estará carregando consigo algumas miligramas de sementes ou galhos, que não entrarão na composição do baseado. À parte reflexões sobre engenharia de produção, o que mais chama atenção nesse fato é que a oposição de Centro-Direita italiana, na qual se inclui o ex-presidente Berlusconi, passou a se manifestar energicamente contra a medida, alegando que "aumentar a posse até 40 charros é um perigo, uma medida sem base científica e um mau sinal moral para os jovens". Os cidadãos italianos que consomem Cannabis e derivados não sabem se riem ou se desesperam. Enquanto seus líderes políticos tentar demarcar território e espaços de poder discutindo o que é mais correto meia grama ou uma inteira, o que é considerado "informação científica" é o dado de que com 1 grama é possível se confecionar até 40 cigarros de maconha. Talvez, só mesmo no Vaticano, se o milagre da multiplicação não funcionar apenas para etílicos.
Leia mais: EuroNews

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Americano é preso após denunciar ter sido vítima do roubo de 450g de Cannabis

Um homem que distribuia maconha na cidade de Wichita (EUA) foi atacado por um de seus clientes, que o ameaçou com uma espingarda e roubou 450 gramas de fumo de Cannabis estimados em U$ 1.100. A vítima ligou para a polícia que não localizou o ladrão até o momento, mas fichou o cidadão da estado do Kansas por tráfico de drogas, após vasculhar a casa com cães farejadores e encontrar mais maconha e parafernália para empreendimento de cultivo. É sempre bom lembrar que é a proibição às drogas cria exceções no Estado Democrático de Direito como essa, na qual o mercado é desregulamentado pela lei e pelo Estado, e que ao serem acionados para dar conta de conflitos envolvendos partes do mercado consumidor, ainda criminalizam uma vítima de um crime violento.
Leia mais: A Tarde On-line

Jovem é preso com 52 espécimes de skunk®

O estudante universitário M.G.C. de 26 anos foi preso em Fortaleza/CE, autuado pela Delegacia de Narcóticos (DENARC) por tráfico de drogas. O estudante estava de posse de 52 especímes da planta Cannabis sativa de uma variedade hibrida conhecida como skunk®. Essa é uma variedade desenvolvida por cultivadores americanos e europeus, e estabilizada e comercializada em sementes por empresas holandesa, e distribuidores irregulares. Desenvolvida a partir do cruzamento de especímes nativas da Colômbia, do México de do Afeganistão, a planta é admirada por sua floração densa e um bom desenvolvimento na produção de resina e inflorescências, e o fumo procedente das plantas Cannabis dessa linhagem é muito apreciado por ser de paladar leve e embriaguez suave. De posse do estudante também foram encontradas pequenas quantidades das substâncias MDMA e LSD-25.
Leia mais: Jornal O Povo; Diário do Nordeste

sábado, 9 de dezembro de 2006

Casal britânico preso por distribuir Cannabis destinada a pacientes com esclerose múltipla

O casal britânico Mark e Lezley Gibson, foram presos após distribuirem cerca de 22.000 barras de chocolates feitas à base de Cannabis Sativa. A ação fazia parte do projeto "Ajuda Terapêutica com Cannabis para a Esclerose Múltipla", que procurava ajudar pacientes que utilizavam as propriedades terapêuticas da planta no tratamento dos síntomas da Esclerose Múltipla. Eles estão detidos e podem pegar até 14 anos de prisão.
Leia mais: Último Segundo

Policia descobre pé de maconha após briga de casal

Uma ocorrência inusitada chamou a atenção dos policiais do Comando de Policiamento da Capital (CPC), no último dia 9 de dezembro, em Alagoas. Um casal (23 e 21 anos) que brigavam intensamente até provocarem a ida da polícia à residência, foram conduzidos à delegacia e agora têm que prestar esclarecimentos, após a polícia ter encontrado um (1) especíme da planta Cannabis Sativa no local. O casal deve ser autuado por porte de planta próscrita.
Leia mais: Alagoas 24hs

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Usuário é autuado por cultivar para consumo próprio

No último dia 6 de dezembro, L.A.L., de 42 anos, foi autuado por posse de onze (11) espécimes da planta Cannabis Sativa cultivadas para fins não-comerciais, no Litoral Norte de São Paulo, pela DISE - Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes. Ele foi liberado após assinar um termo circunstanciado na delegacia, declarando que destinava-se a consumo próprio.
Leia mais: Cosmo On-line

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Pesquisa conclui: maconha não é "porta de entrada" para outras drogas

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, que acompanhou 214 jovens durante 12 anos de suas vidas, a partir dos 12 a 14 anos, concluiu que os fatores sócio culturais, ou seja, o ambiente, têm maior poder de determinação sobre que o tipo de substância será utilizada e de que forma. A pesquisa concluiu que a tese de que a maconha seria "porta de entrada" para drogas "mais pesadas" é um mito, uma falsa teoria. Alguns resultados do estudo serão publicados na próxima edição da The American Journal of Psychiatry.

Leia mais: Agência FAPESP